BC registra alerta duplicado sobre ameaças de hackers em 48 horas
BC emite alerta para ataques hackers a bancos, após ataques ao Tribanco e E2 Pay, reforçando segurança do sistema financeiro.
Por Juliana Peixoto
Pela segunda vez em menos de 48 horas, o Banco Central (BC) emitiu alertas às instituições financeiras sobre ataques hackers que comprometeram o sistema financeiro nacional. Neste domingo (7), o alvo foi o Tribanco S.A., banco pertencente ao grupo atacadista Martins, especializado em serviços financeiros para empresas varejistas.
No dia anterior, sábado (6), outro alerta havia sido enviado referente à E2 Pay, instituição de pagamento não autorizada a funcionar pelo BC. Os episódios refletem uma escalada de ações de criminosos digitais contra o setor financeiro, intensificadas após novas regras de segurança anunciadas pelo BC.
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Ataque ao Tribanco: subtração de valores e reforço de segurança
O alerta do BC sobre o Tribanco detalha que houve subtração indevida de valores das contas e orienta as instituições a reforçar o monitoramento das transações financeiras. Entre as medidas recomendadas, o BC solicitou o bloqueio imediato de valores em corretoras de criptoativos que pudessem estar envolvidos no desvio.
Em nota, o Tribanco afirmou que uma parcela significativa das transferências via PIX foi bloqueada pelas instituições destinatárias. A instituição também reforçou protocolos de cibersegurança, intensificando o monitoramento em tempo real e garantindo que não houve vazamento de dados cadastrais. O banco mantém comunicação constante com o BC e autoridades competentes para investigação do incidente.
Ataque à E2 Pay e apuração dos valores desviados
No sábado (6), o BC enviou alerta sobre a E2 Pay, descrevendo o incidente como subtração indevida de valores financeiros. De acordo com o advogado da empresa, Guilherme Carneiro, os valores desviados ainda estão em apuração.
A E2 Pay destacou que não houve comprometimento do sistema, garantindo que nenhuma outra conta ou cliente estava em risco. Analistas do mercado estimam que o dinheiro subtraído foi distribuído em cerca de 400 contas, possivelmente utilizadas por intermediários ou laranjas.
Intensificação dos ataques após Operação Carbono Oculto
Imagem: Freepik e Canva
Especialistas apontam que a intensificação dos ataques ocorreu em um contexto de repressão ao crime organizado no setor formal da economia, com destaque para a Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e Receita Federal. A operação teve como alvo empresas da Faria Lima, principal centro financeiro do país, evidenciando a relação entre o crime organizado e ataques cibernéticos.
O BC afirmou que vem adotando medidas para reforçar a segurança do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e colaborando com polícias e órgãos de persecução para investigar os incidentes.
Novas medidas do BC para proteger o sistema financeiro
Entre as medidas anunciadas pelo Banco Central, destacam-se:
Limitação de Pix e TED em até R$ 15 mil para instituições de pagamento não autorizadas;
Reforço de requisitos e controles para credenciamento de Prestadores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI);
Proibição de operação para qualquer instituição de pagamento sem autorização prévia do BC;
Elevação dos níveis de autenticação e vigilância em todos os sistemas de pagamento.
Essas medidas vêm na esteira de ataques cibernéticos recentes, como o desvio de R$ 710 milhões da Sinqia em agosto, além de ataques à C&M Software e à fintech Monbank. Mais de 80% do valor desviado da Sinqia foi recuperado, mas os episódios revelam vulnerabilidades exploradas pelo crime organizado.
Segurança digital como prioridade do sistema financeiro
Os recentes incidentes reforçam a necessidade de cibersegurança avançada no sistema financeiro. Especialistas afirmam que instituições precisam investir em monitoramento contínuo, autenticação multifator e protocolos de bloqueio rápido, minimizando riscos de novos ataques.
O alerta duplicado do BC serve como um sinal de alerta para bancos e clientes, destacando a importância de medidas preventivas e do acompanhamento constante das transações financeiras.
O cenário evidencia uma crescente intersecção entre crimes digitais e organizações criminosas, exigindo respostas rápidas do setor financeiro e das autoridades reguladoras para proteger os recursos e dados dos clientes.
Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.