Sequestro no Brasil: EUA emitem alerta para turistas

Recomendações destacam riscos de sequestros, violência e golpes que atingem principalmente estrangeiros em cidades brasileiras

O Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu um alerta preocupante para cidadãos americanos que pretendem visitar o Brasil. A mensagem, publicada na seção de “Avisos de Viagem” no site oficial da Embaixada dos EUA, destaca o crescimento da violência urbana e aponta para o risco de sequestros e agressões contra turistas, com foco em crimes praticados tanto de dia quanto à noite, especialmente em áreas urbanas.

Além dos sequestros, as autoridades norte-americanas alertam para uma série de práticas criminosas comuns, como roubos armados, golpes com uso de substâncias entorpecentes e crimes relacionados ao tráfico de drogas. A publicação ganhou repercussão internacional e reacendeu debates sobre a segurança pública no Brasil e o impacto disso na imagem do país no exterior.

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Riscos em áreas urbanas e comunidades carentes

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Imagem: Canva

Segundo o alerta, as atividades de gangues e organizações criminosas são “generalizadas” no Brasil, o que representa risco constante a turistas, inclusive em regiões turísticas. A recomendação é clara: evitar favelas, mesmo que em visitas guiadas, e manter distância das regiões administrativas no entorno de Brasília, que só devem ser acessadas por funcionários americanos mediante autorização prévia.

No trecho que descreve a realidade do país, a embaixada americana afirma:

“Crimes violentos, incluindo assassinato, roubo à mão armada e roubo de carros, podem ocorrer em áreas urbanas, de dia e de noite. […] A atividade de gangues e o crime organizado são generalizados e frequentemente ligados ao tráfico de drogas recreativas.”

Golpes com drogas e aplicativos de relacionamento

Outro ponto de destaque do alerta refere-se ao uso de drogas em bebidas para facilitar roubos e agressões. Os criminosos estariam mirando, especialmente, estrangeiros abordados em bares ou por meio de aplicativos de relacionamento.

De acordo com o comunicado, essa prática se tornou “comum” em várias cidades do país, levando o governo americano a alertar:

“Criminosos visam estrangeiros por meio de aplicativos de namoro ou em bares antes de drogar e roubar suas vítimas.”

Além disso, o uso de ônibus municipais é desaconselhado a diplomatas e funcionários do governo dos EUA, principalmente no período noturno, devido ao alto risco de assaltos e violência física.

Recomendações para americanos em viagem ao Brasil

A Embaixada dos EUA recomenda que os turistas preparem-se antes de viajar ao Brasil. O documento orienta os cidadãos americanos a adotarem uma série de medidas preventivas para garantir a própria segurança durante a estadia:

  • Não ostentar joias, relógios ou eletrônicos caros;
  • Desenvolver um plano de emergência;
  • Estabelecer uma forma de contato constante com familiares;
  • Evitar deslocamentos em horários de risco ou em transporte público;
  • Manter atenção a possíveis golpes em estabelecimentos turísticos.

A mensagem do governo americano reforça que, apesar de ser um destino popular, o Brasil exige precauções redobradas em virtude da criminalidade urbana.

Impactos diplomáticos e reação brasileira

Até a última atualização do alerta, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) ainda não havia se pronunciado sobre o conteúdo da nota. O comunicado, por ser de natureza preventiva, está alinhado com a política de proteção a cidadãos americanos em outros países, mas tem potencial para gerar desconforto diplomático.

Este não é o primeiro atrito entre os dois países. Em 2024, um texto também publicado pela Embaixada dos EUA acusava o Brasil de “sufocar” a economia americana. O documento, atribuído à Casa Branca durante o governo Trump, afirmava que:

“Certos países, como Argentina, Brasil, Equador e Vietnã, restringem ou proíbem a importação de bens remanufaturados, restringindo o acesso ao mercado para exportadores dos EUA.”

Na ocasião, o governo norte-americano classificou tais práticas como prejudiciais à sustentabilidade e ao comércio internacional, acusando o Brasil de dificultar a entrada de produtos mais sustentáveis e eficientes.

Segurança turística em pauta

O alerta norte-americano reacende uma discussão recorrente sobre segurança turística no Brasil. Embora o país atraia milhões de turistas todos os anos, a combinação entre desigualdade social, violência urbana e estruturas de segurança pública sobrecarregadas cria um cenário delicado.

Especialistas em turismo e relações internacionais observam que alertas como o dos EUA tendem a gerar efeito dissuasivo entre turistas e investidores. Além disso, a exposição internacional dos problemas de segurança pode prejudicar a imagem do Brasil em eventos internacionais, como a Copa América ou possíveis novas edições das Olimpíadas.

Precaução não significa alarme

Apesar do teor contundente do alerta, o objetivo principal do Departamento de Estado dos EUA é fornecer informações claras e diretas para que seus cidadãos possam viajar com segurança. Não se trata, necessariamente, de uma recomendação para evitar o Brasil, mas de um pedido por cautela diante dos riscos conhecidos.

Muitos brasileiros também reconhecem a importância dessas advertências. O desafio, agora, está em equilibrar a divulgação dessas informações com medidas concretas para melhorar a segurança nas cidades e proteger turistas e residentes.

Com informações de: G1