O temor de abastecer com combustível adulterado não é novidade entre motoristas brasileiros. No entanto, uma nova e alarmante preocupação está ganhando destaque: a crescente venda de óleos lubrificantes adulterados ou fora dos padrões regulamentares. A prática, que ocorre de forma silenciosa, vem prejudicando o bolso dos consumidores e colocando em risco a durabilidade dos motores.
Você está usando óleo adulterado? 1 em cada 5 frascos vendidos no Brasil é falso!
Venda de óleo de motor adulterado atinge 1 em cada 5 frascos no Brasil e pode causar prejuízos graves ao carro.
De acordo com levantamento do Instituto Combustível Legal (ICL), 20% dos lubrificantes vendidos no país são falsificados. A fraude vai desde a sonegação de impostos até a produção de misturas perigosas com solventes e impurezas, que comprometem diretamente o funcionamento do motor dos veículos.
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Uma indústria paralela que movimenta bilhões

A adulteração de óleos automotivos não é apenas uma infração comercial; é uma fraude em larga escala que movimenta cifras bilionárias. Segundo Carlo Faccio, diretor-executivo do ICL, o impacto econômico é enorme.
“O mercado paralelo de lubrificantes gera um prejuízo de R$ 1,4 bilhão por ano ao Brasil. Deste total, R$ 1 bilhão são perdas tributárias e R$ 400 milhões se referem a prejuízos operacionais”, afirma Faccio.
Empresas clandestinas aproveitam embalagens verdadeiras — muitas vezes obtidas no mercado paralelo — para envasar óleos de origem duvidosa. Essas misturas podem conter óleo reciclado, água e até solventes industriais, criando um produto final sem qualquer garantia de qualidade.
Como funciona a fraude no óleo automotivo?
A sofisticação das falsificações é tamanha que muitas vezes até profissionais do setor têm dificuldade em identificar um produto irregular. As embalagens falsificadas imitam com perfeição os frascos originais, utilizando rótulos clonados e tampas seladas.
Além disso, há o agravante da ausência de fiscalização rígida, como ocorre no setor de combustíveis. “Diferente do transporte de gasolina e diesel, que exige rastreamento por serem produtos perigosos, os lubrificantes ainda circulam com pouca fiscalização”, explica o ICL.
Furto de cargas e venda de produtos sem registro na Agência Nacional do Petróleo (ANP) também são práticas recorrentes nesse mercado ilícito, o que dificulta ainda mais o combate à fraude.
Riscos para o motor: economia que pode custar caro
Muitos motoristas não se dão conta da importância vital do lubrificante no funcionamento do motor. Mais do que evitar o atrito entre peças, o óleo atua no controle de temperatura, na remoção de impurezas e na proteção contra a corrosão.
Quando adulterado, o óleo perde essas propriedades. A consequência? Peças entupidas, superaquecimento e falhas no sistema de lubrificação, podendo levar ao trancamento completo do motor.
Os custos do conserto variam, mas mesmo os reparos mais simples podem ultrapassar os R$ 5 mil. Em situações mais graves, os danos podem passar de R$ 10 mil. Vale lembrar que o uso de lubrificantes fora das especificações pode anular a garantia de fábrica de veículos novos.
Como se proteger de óleos falsificados
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Apesar dos riscos, o consumidor tem meios para se proteger. O ICL e especialistas do setor recomendam medidas simples, mas eficazes:
- Compre apenas em locais confiáveis: Prefira postos e oficinas reconhecidas no mercado, que ofereçam garantia de procedência.
- Exija a nota fiscal: Esse documento permite rastrear o produto e comprovar sua origem.
- Verifique a embalagem com atenção: Observe se há o selo da ANP, CNPJ do fabricante, e número de lote visível.
- Desconfie de preços muito abaixo da média: Lubrificantes baratos demais podem ser falsificados.
- Siga sempre o manual do veículo: Cada modelo exige um tipo de óleo específico. Utilizar um produto incompatível compromete o desempenho do carro.
Mesmo óleos de marcas reconhecidas, se usados de forma inadequada, podem causar danos. Por isso, é fundamental seguir as orientações do fabricante.
A responsabilidade do consumidor e o papel da fiscalização

Enquanto as autoridades intensificam o combate a esse tipo de fraude, o papel do consumidor é crucial. Estar atento à procedência do produto, desconfiar de ofertas tentadoras demais e exigir nota fiscal são atitudes que ajudam a enfraquecer o mercado clandestino.
Por outro lado, a fiscalização precisa ser ampliada. A ausência de monitoramento eficaz sobre a cadeia de distribuição de lubrificantes cria brechas para que organizações criminosas atuem livremente. Investimentos em tecnologia de rastreamento, como ocorre com o transporte de combustíveis, poderiam ser uma solução para coibir essas práticas.
Com informações de: O TEMPO
