Enquanto o mercado de criptomoedas continua a crescer em volume e visibilidade global, um novo estudo trouxe dados alarmantes sobre a saúde financeira e a sustentabilidade de longo prazo das altcoins — moedas alternativas ao Bitcoin.
Altcoins em colapso: Estudo revela que 90% desvalorizam rápido frente ao Bitcoin
Estudo revela que a maioria das altcoins perde até 90% de valor frente ao Bitcoin em menos de dois anos, apontando fragilidade estrutural no mercado de criptoativos alternativos.
A análise, conduzida pela Swan Bitcoin, mostra que a grande maioria dessas criptomoedas sofre perdas significativas e rápidas quando comparadas à performance do BTC.
O relatório revela que o Bitcoin, além de continuar sendo o ativo mais seguro e consolidado, se distancia cada vez mais da concorrência em termos de valorização e resiliência a longo prazo. Os dados mostram que, após atingirem seus topos históricos, a mediana das altcoins leva entre 10 a 20 meses para perder 90% de seu valor em relação ao Bitcoin.
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Estudo analisa desempenho de 300 altcoins em cinco anos
A equipe da Swan analisou o desempenho histórico de 300 das principais altcoins nos últimos cinco anos. Os resultados escancaram um padrão: a vasta maioria das moedas alternativas simplesmente não consegue sustentar valorização frente ao BTC.
Casos extremos foram identificados. Moedas como Terra (LUNA1), Ontology Gas (ONG) e Bitgert (BRISE) colapsaram mais de 90% em menos de dois meses. Outras, mesmo com maior histórico de mercado, não conseguiram escapar da tendência:
- Cardano (ADA) e XRP (Ripple) levaram 36 meses para registrar a queda de 90%;
- Litecoin (LTC) atingiu esse patamar em 69 meses;
- A Monero (XMR) teve a trajetória de queda mais lenta, levando cerca de seis anos.
Sobrevivência ou ilusão?
A falácia do “viés de sobrevivência” no universo cripto
A análise também destaca que 45 altcoins ainda não chegaram aos 90% de desvalorização, mas isso não significa que estejam livres do destino comum. Em média, essas moedas já caíram 76% de seus valores máximos. Mesmo a melhor entre elas está 43% abaixo do BTC.
Segundo os analistas da Swan, o otimismo em relação às altcoins muitas vezes se apoia em exceções — casos pontuais de tokens que conseguiram se manter relevantes — mas essa visão mascara a realidade do setor. É o que chamam de “viés de sobrevivência”, onde o sucesso de poucos esconde o fracasso da maioria.
Por que as altcoins ainda atraem investidores?

A natureza especulativa e a ilusão de retorno rápido
Apesar das estatísticas desanimadoras, o mercado de altcoins continua pulsando com entusiasmo. O executivo da Swan, John Haar, comentou que, mesmo diante da evidência de colapsos recorrentes, “os humanos adoram apostar”.
Esse comportamento é explicado pela mentalidade especulativa dominante no setor, onde investidores buscam retornos rápidos e altos, mesmo correndo riscos extremos. A alta volatilidade, aliada à facilidade de criação de novos tokens, transforma o ambiente em um verdadeiro cassino digital.
Saturação do mercado: O inchaço das altcoins
A crescente saturação do mercado de altcoins agrava ainda mais o cenário. De acordo com o CoinMarketCap, mais de 1,8 milhão de tokens foram lançados apenas no último mês.
A imensa maioria deles, no entanto, não apresenta fundamentos sólidos, sendo impulsionada principalmente por hype, FOMO (medo de ficar de fora) e estratégias de marketing agressivas.
Binance em alerta: 89% dos tokens de 2025 estão no vermelho
Um levantamento recente do BeInCrypto indica que 89% dos tokens listados na Binance em 2025 operam no vermelho. Isso evidencia que o crescimento explosivo da oferta de tokens está cada vez mais desconectado da entrega de valor real aos investidores.
A fragmentação da liquidez causada por essa proliferação torna ainda mais difícil que algum projeto se destaque de forma sustentável. Muitos tokens se tornam ilíquidos logo após o lançamento, deixando investidores à mercê da manipulação de mercado.
O fim da Altseason?
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Será que a temporada de altcoins nunca mais voltará?
Nos ciclos anteriores de alta do mercado cripto, a chamada altseason — um período em que as altcoins superam o Bitcoin em desempenho — era um momento aguardado com euforia. No entanto, com o domínio crescente do BTC, alguns especialistas agora duvidam que a altseason possa retornar nos moldes anteriores.
Essa mudança estrutural se deve a alguns fatores:
- Adoção institucional do Bitcoin;
- Avanços regulatórios focados no BTC;
- Crescimento de produtos financeiros lastreados em BTC, como ETFs;
- Consolidação da narrativa do Bitcoin como “ouro digital”.
Bitcoin: Um ativo de preservação de capital
Diante da deterioração do desempenho das altcoins, o Bitcoin emerge cada vez mais como a única criptomoeda com características de reserva de valor. Sua política monetária imutável, escassez programada e ampla aceitação institucional a colocam em posição distinta de qualquer outro ativo digital.
O estudo da Swan conclui:
“Esses ativos não protegem o Bitcoin — eles sangram em relação a ele.”
A frase sintetiza o diagnóstico da análise: o Bitcoin não precisa das altcoins para justificar sua relevância. Pelo contrário, a fragilidade dessas alternativas reforça ainda mais o valor do BTC como ativo fundamental no mercado cripto.
Considerações finais
O estudo da Swan Bitcoin funciona como um alerta contundente para investidores, desenvolvedores e entusiastas do setor de criptomoedas. A expectativa de encontrar a “próxima grande moeda” frequentemente esbarra em modelos de negócios frágeis, falta de inovação verdadeira e desvalorização acelerada.
Enquanto o Bitcoin se fortalece como reserva de valor, meio de troca e ativo institucionalizado, a maioria das altcoins continua presa em ciclos de euforia e queda, com pouca chance de recuperação.A lição é clara: no universo cripto, nem tudo que brilha é ouro — mas o Bitcoin continua sendo.
