A Amazon está dando um novo passo rumo à automação total das entregas. Segundo reportagem do portal The Information, a gigante do varejo está desenvolvendo um software de inteligência artificial (IA) para treinar robôs humanoides que poderão substituir entregadores humanos no futuro.
O projeto, mantido sob sigilo, já conta com uma instalação experimental nos Estados Unidos e envolve o uso de vans elétricas da Rivian.
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O que se sabe sobre o projeto

De acordo com fontes ligadas à operação, a Amazon construiu uma nova instalação apelidada internamente de “parque humanoide”. O local estaria localizado em um dos escritórios da empresa na região de São Francisco, Califórnia. Apesar de pequeno — com o tamanho aproximado de uma cafeteria — o espaço abriga um circuito de obstáculos e uma van elétrica da Rivian adaptada para os testes.
Como funciona o experimento
O objetivo é simular o comportamento dos robôs humanoides em um ambiente realista de entrega. O teste envolve um cenário em que os robôs embarcam na parte traseira da van, como passageiros, e saltam do veículo para deixar os pacotes na porta dos clientes.
Segundo informações, diferentes modelos de robôs estão sendo avaliados, incluindo unidades da chinesa Unitree, conhecidas pelo design ágil e adaptável.
Um dos modelos testados, com valor de mercado em torno de US$ 16 mil (cerca de R$ 89 mil), é similar ao famoso robô-cão Spot da Boston Dynamics, mas com formato humanoide.
Inteligência artificial na logística da Amazon

A movimentação faz parte de uma estratégia ampla da Amazon para incorporar inteligência artificial em sua cadeia logística. Em comunicados anteriores, a empresa já havia confirmado a criação de uma nova equipe dedicada ao desenvolvimento de agentes de IA. Esses sistemas são programados para compreender comandos em linguagem natural, tomar decisões e interagir com o ambiente de forma autônoma.
Aplicações nos centros de distribuição
Na prática, os robôs projetados pela Amazon devem ser capazes de identificar pacotes, entender instruções de entrega, reconhecer obstáculos e se adaptar a diferentes terrenos — tudo isso sem supervisão humana constante. A companhia já utiliza robôs como o Sparrow, voltado para a triagem de itens, e o Proteus, uma máquina móvel autônoma para transporte interno de cargas.
Agora, o foco se volta para a automação da última milha — o trecho final entre o centro de distribuição e o consumidor.
O robô “Digit” da Agility Robotics
Entre os modelos testados está o robô Digit, da empresa Agility Robotics. Desenvolvido com foco na entrega de encomendas, o Digit possui braços articulados, sensores de movimento, equilíbrio dinâmico e consegue subir degraus. Ele já é utilizado pela Amazon em testes-piloto e é um dos principais candidatos a integrar as operações reais no futuro.
Um plano de longo prazo
Embora os testes ainda estejam em estágio inicial, o movimento não é isolado. Em 2020, a Amazon adquiriu a Zoox, empresa especializada em táxis robóticos. Desde então, a companhia vem investindo fortemente em tecnologias que permitam automatizar todo o processo de entrega — do armazém à porta do cliente — sem qualquer interferência humana.
O laboratório em São Francisco é um elo dessa cadeia de inovação. Ali, engenheiros, programadores e especialistas em robótica trabalham para resolver os desafios que ainda impedem a adoção em larga escala, como a segurança, precisão dos movimentos e custo-benefício da operação.
Obstáculos enfrentados
Apesar do entusiasmo, a iniciativa esbarra em diversas limitações práticas. A navegação de robôs em áreas urbanas exige percepção de obstáculos, controle refinado de equilíbrio e resistência a intempéries. Além disso, há implicações legais, como responsabilidade em caso de acidentes e regulamentação do trabalho automatizado em vias públicas.
A Amazon não comentou oficialmente sobre o “parque humanoide”, mas reiterou seu compromisso com a inovação e o uso da IA para ampliar a eficiência operacional.
Rivian como parceira tecnológica
A escolha da Rivian como fornecedora de vans elétricas não é por acaso. Desde 2019, a Amazon é uma das principais investidoras da montadora e já encomendou mais de 100 mil veículos elétricos para sua frota de entregas. Esses veículos são equipados com sensores, câmeras e sistemas de integração com softwares da Amazon.
A combinação entre as vans elétricas e os robôs humanoides representa uma tentativa de criar um ecossistema de entrega 100% automatizado, sustentável e escalável.
Robôs como serviço (RaaS)
A expectativa do mercado é que a Amazon, no futuro, ofereça essas tecnologias não apenas para uso interno, mas como parte de um modelo de negócio conhecido como Robots as a Service (RaaS). Nessa modalidade, empresas poderiam contratar robôs para operações específicas, com cobrança por uso, substituindo parte da força de trabalho tradicional.
O futuro das entregas está se aproximando?

Especialistas em tecnologia veem a iniciativa como um marco para o setor de logística. Ainda que os robôs entregadores não estejam prontos para operar em todas as condições, o avanço é significativo.
A combinação entre IA, robótica e veículos elétricos está criando uma nova geração de serviços que promete reduzir custos, aumentar a velocidade das entregas e eliminar riscos humanos.
Impacto no mercado de trabalho
O uso de robôs também levanta discussões sobre o impacto na empregabilidade. A substituição de entregadores humanos por máquinas pode gerar economia operacional, mas também pode ampliar a pressão por políticas de requalificação profissional, principalmente em setores com mão de obra menos especializada.
Considerações finais
O desenvolvimento de robôs humanoides entregadores pela Amazon sinaliza uma nova era na automação logística.
Combinando vans elétricas da Rivian, inteligência artificial de ponta e testes práticos em instalações secretas como o “parque humanoide”, a empresa mostra que o futuro das entregas pode estar mais próximo do que imaginamos.
Se os desafios técnicos e regulatórios forem superados, não é exagero prever que, em poucos anos, veremos robôs batendo à nossa porta com um pacote na mão — ou nas pinças.
