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Amazon está treinando robôs para que trabalhem como entregadores

Amazon testa robôs humanoides com IA para entregas automatizadas usando vans elétricas da Rivian. Projeto secreto avança em centro experimental nos EUA.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
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A Amazon está dando um novo passo rumo à automação total das entregas. Segundo reportagem do portal The Information, a gigante do varejo está desenvolvendo um software de inteligência artificial (IA) para treinar robôs humanoides que poderão substituir entregadores humanos no futuro.

O projeto, mantido sob sigilo, já conta com uma instalação experimental nos Estados Unidos e envolve o uso de vans elétricas da Rivian.

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O que se sabe sobre o projeto

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Imagem: Hadrian / shutterstock.com

De acordo com fontes ligadas à operação, a Amazon construiu uma nova instalação apelidada internamente de “parque humanoide”. O local estaria localizado em um dos escritórios da empresa na região de São Francisco, Califórnia. Apesar de pequeno — com o tamanho aproximado de uma cafeteria — o espaço abriga um circuito de obstáculos e uma van elétrica da Rivian adaptada para os testes.

Como funciona o experimento

O objetivo é simular o comportamento dos robôs humanoides em um ambiente realista de entrega. O teste envolve um cenário em que os robôs embarcam na parte traseira da van, como passageiros, e saltam do veículo para deixar os pacotes na porta dos clientes.

Segundo informações, diferentes modelos de robôs estão sendo avaliados, incluindo unidades da chinesa Unitree, conhecidas pelo design ágil e adaptável.

Um dos modelos testados, com valor de mercado em torno de US$ 16 mil (cerca de R$ 89 mil), é similar ao famoso robô-cão Spot da Boston Dynamics, mas com formato humanoide.

Inteligência artificial na logística da Amazon

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Imagem: Natee Meepian/ Shutterstock

A movimentação faz parte de uma estratégia ampla da Amazon para incorporar inteligência artificial em sua cadeia logística. Em comunicados anteriores, a empresa já havia confirmado a criação de uma nova equipe dedicada ao desenvolvimento de agentes de IA. Esses sistemas são programados para compreender comandos em linguagem natural, tomar decisões e interagir com o ambiente de forma autônoma.

Aplicações nos centros de distribuição

Na prática, os robôs projetados pela Amazon devem ser capazes de identificar pacotes, entender instruções de entrega, reconhecer obstáculos e se adaptar a diferentes terrenos — tudo isso sem supervisão humana constante. A companhia já utiliza robôs como o Sparrow, voltado para a triagem de itens, e o Proteus, uma máquina móvel autônoma para transporte interno de cargas.

Agora, o foco se volta para a automação da última milha — o trecho final entre o centro de distribuição e o consumidor.

O robô “Digit” da Agility Robotics

Entre os modelos testados está o robô Digit, da empresa Agility Robotics. Desenvolvido com foco na entrega de encomendas, o Digit possui braços articulados, sensores de movimento, equilíbrio dinâmico e consegue subir degraus. Ele já é utilizado pela Amazon em testes-piloto e é um dos principais candidatos a integrar as operações reais no futuro.

Um plano de longo prazo

Embora os testes ainda estejam em estágio inicial, o movimento não é isolado. Em 2020, a Amazon adquiriu a Zoox, empresa especializada em táxis robóticos. Desde então, a companhia vem investindo fortemente em tecnologias que permitam automatizar todo o processo de entrega — do armazém à porta do cliente — sem qualquer interferência humana.

O laboratório em São Francisco é um elo dessa cadeia de inovação. Ali, engenheiros, programadores e especialistas em robótica trabalham para resolver os desafios que ainda impedem a adoção em larga escala, como a segurança, precisão dos movimentos e custo-benefício da operação.

Obstáculos enfrentados

Apesar do entusiasmo, a iniciativa esbarra em diversas limitações práticas. A navegação de robôs em áreas urbanas exige percepção de obstáculos, controle refinado de equilíbrio e resistência a intempéries. Além disso, há implicações legais, como responsabilidade em caso de acidentes e regulamentação do trabalho automatizado em vias públicas.

A Amazon não comentou oficialmente sobre o “parque humanoide”, mas reiterou seu compromisso com a inovação e o uso da IA para ampliar a eficiência operacional.

Rivian como parceira tecnológica

A escolha da Rivian como fornecedora de vans elétricas não é por acaso. Desde 2019, a Amazon é uma das principais investidoras da montadora e já encomendou mais de 100 mil veículos elétricos para sua frota de entregas. Esses veículos são equipados com sensores, câmeras e sistemas de integração com softwares da Amazon.

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A combinação entre as vans elétricas e os robôs humanoides representa uma tentativa de criar um ecossistema de entrega 100% automatizado, sustentável e escalável.

Robôs como serviço (RaaS)

A expectativa do mercado é que a Amazon, no futuro, ofereça essas tecnologias não apenas para uso interno, mas como parte de um modelo de negócio conhecido como Robots as a Service (RaaS). Nessa modalidade, empresas poderiam contratar robôs para operações específicas, com cobrança por uso, substituindo parte da força de trabalho tradicional.

O futuro das entregas está se aproximando?

Amazon
Imagem: Canva

Especialistas em tecnologia veem a iniciativa como um marco para o setor de logística. Ainda que os robôs entregadores não estejam prontos para operar em todas as condições, o avanço é significativo.

A combinação entre IA, robótica e veículos elétricos está criando uma nova geração de serviços que promete reduzir custos, aumentar a velocidade das entregas e eliminar riscos humanos.

Impacto no mercado de trabalho

O uso de robôs também levanta discussões sobre o impacto na empregabilidade. A substituição de entregadores humanos por máquinas pode gerar economia operacional, mas também pode ampliar a pressão por políticas de requalificação profissional, principalmente em setores com mão de obra menos especializada.

Considerações finais

O desenvolvimento de robôs humanoides entregadores pela Amazon sinaliza uma nova era na automação logística.

Combinando vans elétricas da Rivian, inteligência artificial de ponta e testes práticos em instalações secretas como o “parque humanoide”, a empresa mostra que o futuro das entregas pode estar mais próximo do que imaginamos.

Se os desafios técnicos e regulatórios forem superados, não é exagero prever que, em poucos anos, veremos robôs batendo à nossa porta com um pacote na mão — ou nas pinças.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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