A simples ameaça do chamado tarifaço anunciado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já começa a produzir efeitos preocupantes no mercado brasileiro de carne bovina. Antes mesmo de sua oficialização, a medida vem gerando um efeito dominó em toda a cadeia produtiva, desde o campo até a mesa do consumidor.
Impacto imediato: ameaça de tarifaço sacode mercado da carne
Ameaça de tarifa dos EUA causa impacto imediato no mercado da carne no Brasil e pressiona preços e empregos.
Segundo André Vasconcellos, diretor de estratégia e planejamento da Fictor Alimentos, a perspectiva de sobretaxa sobre a carne brasileira para os EUA provocou um verdadeiro “efeito chicote”, capaz de comprometer investimentos, pressionar preços internos e até ameaçar empregos no setor.
A seguir, entenda os impactos imediatos e as possíveis consequências no médio e longo prazo dessa nova frente de atrito comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Leia mais: Tarifaço nos EUA ameaça exportações de suco, carne e frutas
Efeito chicote atinge toda a cadeia produtiva

O termo “efeito chicote” é usado para descrever como pequenas mudanças na demanda podem gerar grandes oscilações ao longo da cadeia de suprimentos. É exatamente isso que está acontecendo no setor de carne bovina.
Segundo Vasconcellos, só o anúncio da medida já fez importadores americanos reduzirem compras, o que impacta diretamente a produção brasileira: “Quando a gente pensa na cadeia como um todo, já há uma retração do mercado consumidor estrangeiro, e isso afeta aquisição de insumos, investimentos em planta industrial, e toda a operação do setor.”
A preocupação é que, se confirmadas, as tarifas ou até um possível embargo comprometam a competitividade da carne brasileira nos EUA, um de seus principais mercados.
Carne brasileira perde fôlego no mercado norte-americano
O impacto não é apenas interno. Nos Estados Unidos, os preços da carne bovina já atingiram recordes em junho, impulsionados pelo encarecimento da carne importada e limitações na oferta doméstica.
Os EUA importam anualmente cerca de 4 milhões de libras de carne, principalmente de cortes magros, mais apreciados pelo consumidor americano, uma vez que a produção local é voltada para cortes mais gordurosos. O tarifaço, portanto, dificulta ainda mais o equilíbrio da oferta no mercado norte-americano.
Reflexos para o consumidor brasileiro
Com a diminuição da demanda externa, parte da produção brasileira destinada à exportação deve ser direcionada ao mercado interno, o que pode reduzir temporariamente o preço da carne no Brasil. Mas Vasconcellos alerta que esse alívio inicial pode esconder um risco maior: “om essa perda de competitividade no mercado norte-americano.. Então isso de alguma maneira deve, pelo menos no curto prazo, baratear temporariamente os alimentos, mas com o risco de redução de oferta futura se o setor desestimular investimentos”.
Além disso, a geração de receitas do setor, em grande parte vinculada ao dólar, tende a cair, com reflexos diretos nas contas das empresas exportadoras.
Risco de desemprego e desaceleração econômica
Outro efeito colateral importante, segundo o executivo da Fictor Alimentos, é o impacto sobre o emprego e a atividade econômica em regiões dependentes da cadeia da carne. “as empresas que dependem das exportações para os Estados Unidos, como a agroindústria, como o nosso caso, cooperativas, frigoríficos, processadoras de alimentos, podem reduzir tudo de produção, congelar contratações e enxugar investimentos planejados também”.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Esse cenário levanta o alerta para um risco maior de desaceleração econômica no campo e em polos industriais, com efeitos em cascata sobre fornecedores e comunidades locais.
O papel do câmbio e da política comercial

O tarifaço também reacende o debate sobre a necessidade de estratégias comerciais mais diversificadas e políticas cambiais que protejam a competitividade da carne brasileira.
Com a economia global mais instável e o dólar oscilante, o Brasil pode precisar buscar novos mercados ou firmar acordos bilaterais que reduzam a dependência de poucos compradores.
E o que vem pela frente?
O impacto imediato já é sentido, mas a reversão ainda é possível caso o governo brasileiro consiga negociar com autoridades americanas. Vasconcellos conclui: “Nosso olhar é sempre para o médio e longo prazo, para tentar reverter isso e não correr mais riscos.”
A indústria e os produtores agora aguardam os desdobramentos diplomáticos, mas seguem preocupados com o cenário de incerteza que pode comprometer uma das maiores cadeias exportadoras do país.
Com informações de: Economia -UOL
