Brasil impulsiona resultado da América Móvil, que lucra com recuperação da Telcel
A gigante mexicana de telecomunicações América Móvil encerrou o segundo trimestre de 2025 com lucro líquido de MXN 22,3 bilhões (US$ 1,20 bilhão), revertendo o prejuízo registrado no mesmo período de 2024. O resultado reflete uma combinação de fatores estratégicos, com destaque para o bom desempenho das subsidiárias, especialmente no Brasil, além de sinais de recuperação no México e em outras operações da América Latina e Europa.
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Receita consolidada avança com impulso regional

A receita consolidada da companhia alcançou MXN 233,78 bilhões (US$ 12,57 bilhões) entre abril e junho de 2025. O montante representa alta de 13,8% em pesos mexicanos e de 7,9% em moedas constantes, na comparação anual.
A valorização do real e a estabilidade do peso mexicano frente a outras moedas contribuíram para os números positivos. Os dados operacionais robustos também sustentaram o crescimento, em especial nas áreas de mobilidade e serviços fixos em mercados-chave como Brasil, México, Peru e Colômbia.
EBITDA ajustado segue em expansão
O EBITDA ajustado totalizou MXN 92,4 bilhões (US$ 4,97 bilhões), com avanço de 5,1% na comparação anual, ao desconsiderar os efeitos cambiais. Esse desempenho reforça a resiliência operacional da companhia em um cenário de desafios macroeconômicos e mudanças no perfil de consumo de telecomunicações.
A margem EBITDA consolidada ficou próxima de 39,5%, ligeiramente abaixo do registrado em 2024, refletindo maiores investimentos em estrutura e leve recuo em mercados como o mexicano.
Destaque para o Brasil: mobilidade segue como motor de crescimento
Receita de serviços móveis sobe 9,1%
A operação brasileira da América Móvil — controladora da Claro — manteve a trajetória de crescimento sólida no segmento de mobilidade, com avanço de 9,1% na receita de serviços móveis na comparação anual.
Esse crescimento foi sustentado por uma recuperação de 4% na receita de planos pré-pagos, que vinham apresentando queda nos últimos trimestres, além de um desempenho estável no pós-pago, impulsionado por pacotes combinados e maior penetração de serviços digitais.
Receita fixa desacelera, mas ainda cresce
A receita fixa, embora com crescimento mais modesto de 1,7%, continua contribuindo de forma relevante para os resultados da filial brasileira. O segmento de banda larga apresentou expansão de 3,9%, mas com ritmo inferior ao de trimestres anteriores, refletindo a maturação da base de clientes e maior concorrência em algumas regiões metropolitanas.
EBITDA local avança e margem melhora
O EBITDA da operação brasileira cresceu 8,4%, com expansão de margem de 100 pontos-base, atingindo 44,1%. O resultado reflete ganhos de eficiência operacional, controle de custos e maior contribuição de serviços digitais de maior valor agregado.
Telcel retoma crescimento no México
Recuperação na base de clientes e receita
Após uma forte perda de base no primeiro trimestre de 2025, a Telcel, braço mexicano da América Móvil, adicionou 185 mil novos clientes móveis e 231 mil assinantes de banda larga. A movimentação representa um sinal claro de recuperação da maior operação da companhia.
A receita de serviços móveis no México cresceu 4%, enquanto a de serviços fixos avançou 3,6%, sustentada principalmente pelo segmento corporativo, que teve expansão de 10,8%. Além disso, as vendas de terminais subiram 9,2%, refletindo maior procura por dispositivos 5G e pacotes com fidelização.
Margem EBITDA recua
Apesar do crescimento da receita, a margem EBITDA mexicana caiu para 41,6%, ante 43,5% no mesmo trimestre de 2024. O recuo é atribuído a maiores custos de aquisição de clientes e investimentos em infraestrutura de rede.
Panorama nas demais regiões
Colômbia mantém ritmo sólido
A operação colombiana cresceu 7,4% na receita de serviços, com alta de 3% no EBITDA. No entanto, a margem caiu 180 pontos-base, atingindo 39,4%, devido a pressões de custo e concorrência intensificada no mercado local.
Peru acelera com destaque em rentabilidade
No Peru, a receita total aumentou 4,8%, com destaque para o EBITDA, que saltou 10,4%, atingindo uma margem de 39,6%, uma das mais elevadas entre as operações da América Latina.
Equador apresenta retração de receita
No Equador, a América Móvil teve queda de 1,2% na receita, embora o EBITDA tenha crescido 1,6%. A companhia segue adotando ajustes operacionais para preservar a rentabilidade diante de um mercado com menor dinamismo.
Europa registra crescimento moderado
As operações na Áustria e Leste Europeu também contribuíram positivamente, com crescimento de 4,1% na receita e alta de 3,4% no EBITDA ajustado, refletindo a estabilização dos serviços e maior penetração de pacotes combinados.
Fortalecimento da estrutura financeira
Nova emissão de bônus reforça perfil de dívida
Com o objetivo de fortalecer o perfil de sua dívida de longo prazo, a América Móvil emitiu US$ 500 milhões em bônus com vencimento em janeiro de 2033, a um cupom de 5%. A medida visa substituir passivos de curto prazo e garantir maior previsibilidade no fluxo de caixa da empresa nos próximos anos.
Essa estratégia também busca alinhar o perfil financeiro da empresa ao seu plano de investimentos, especialmente em tecnologia 5G e ampliação da cobertura de fibra óptica nas principais regiões onde atua.
Projeções otimistas para 2025
Segundo estimativas do banco BTG Pactual, a América Móvil deve encerrar 2025 com:
- Lucro líquido de MXN 105,1 bilhões (US$ 5,65 bilhões)
- Relação dívida líquida/EBITDA de 1,5 vez
- Retorno sobre capital investido (ROIC) de 19,9%
Dividendos e recompras: retorno competitivo ao acionista
O dividend yield projetado é de 10,4%, com um retorno total em caixa próximo de 6% ao considerar também os programas de recompra de ações.
Apesar de o retorno total estar abaixo das brasileiras Vivo e TIM, que giram em torno de 8%, ele supera a média das operadoras integradas globais, estimada em 4%, segundo os analistas.
Perspectivas futuras

Brasil segue como âncora de resultados
O desempenho da operação brasileira deverá continuar sendo um dos principais pilares do crescimento da América Móvil. Com grande penetração em mobilidade e evolução na banda larga, a empresa tem espaço para avançar ainda mais na digitalização de serviços e fidelização dos clientes.
Foco em eficiência e expansão do 5G
A América Móvil também mira novos investimentos em infraestrutura 5G, especialmente nos mercados do México, Brasil e Peru. A digitalização dos serviços corporativos e o crescimento do tráfego de dados seguem como vetores centrais da estratégia.
Consolidação internacional e foco no retorno
A companhia deve manter sua política de equilíbrio entre crescimento operacional e retorno ao acionista, com ênfase na rentabilidade sustentável, melhoria de margens e eficiência de capital.
Conclusão
O desempenho da América Móvil no segundo trimestre de 2025 demonstra a força de sua atuação regional e a eficácia das estratégias de recuperação e expansão, especialmente no Brasil e no México. Com crescimento em receita, avanço no EBITDA e reforço da estrutura financeira, a empresa consolida sua posição como uma das principais operadoras das Américas. As perspectivas para o restante do ano são positivas, com foco em tecnologia, eficiência operacional e geração de valor para os acionistas.