Produto usado por diabéticos é alvo de alerta da Anvisa; entenda os perigos
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu uma importante determinação de recolhimento e suspensão definitiva de três lotes do medidor de glicose sanguínea Ok Pro, amplamente utilizado por portadores de diabetes no Brasil.
A medida também inclui a interdição cautelar de testes de glicemia da mesma marca. O alerta, divulgado no dia 17 de julho, acende um sinal vermelho para milhares de pacientes que dependem desses dispositivos para monitoramento diário da glicose.
A suspensão foi motivada por falhas técnicas identificadas em ensaios realizados pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz). Os testes revelaram inconsistências que colocam em risco a precisão dos resultados, o que pode comprometer o tratamento de pacientes diabéticos.
Leia mais:
Você já come isso? Alimento simples ajuda a controlar o diabetes, diz estudo
Entenda a suspensão da Anvisa

Quais produtos foram afetados?
Os produtos suspensos são fabricados pela empresa Biomolecular Technology Comércio, Exportação e Distribuição de Materiais Médicos e Laboratoriais Ltda, que detém o registro do sistema de monitoramento glicêmico Ok Pro, produzido pela Ok Biotech Co. Ltd..
Medidores de glicose com suspensão definitiva:
- Lote OKPR000266498;
- Lote OKPR000266508;
- Lote OKPR000266509.
Testes de glicemia com interdição cautelar:
- Lote HHH240415B-1: reprovado nos testes de conformidade, repetibilidade e reprodutibilidade.
- Lote B30025B25-1: reprovado no teste de conformidade.
O que significa interdição cautelar?
A interdição cautelar é uma medida temporária que proíbe a comercialização, uso e fabricação de determinados produtos até que sua segurança e eficácia sejam comprovadas. Nesse caso, os testes do INCQS indicaram falhas graves, levando a Anvisa a agir preventivamente.
Perigos por trás das falhas técnicas
Inconsistências que colocam vidas em risco
Segundo o laudo do INCQS, os principais problemas encontrados foram:
- Erros de rotulagem: informações incorretas ou incompletas nos rótulos dos produtos.
- Falta de conformidade com normas sanitárias: o produto não atende aos padrões exigidos.
- Problemas de repetibilidade e reprodutibilidade: os resultados de medições consecutivas não são confiáveis.
Por que isso é perigoso para diabéticos?
Pessoas com diabetes dependem da precisão nos resultados de glicemia para ajustar doses de insulina e tomar decisões médicas imediatas. Um erro pode resultar em:
- Hipoglicemia (queda perigosa de açúcar no sangue);
- Hiperglicemia (nível elevado de açúcar, podendo levar ao coma diabético);
- Complicações crônicas, como retinopatia, nefropatia ou neuropatia.
O que diz a empresa responsável?
Comunicado oficial da Ok Biotech e Biomolecular
Em resposta à repercussão da decisão da Anvisa, a Biomolecular Technology divulgou uma nota oficial reafirmando a qualidade de seus produtos e informando que o processo ainda está inconclusivo. A empresa afirma que:
- Os lotes não tiveram desvios de qualidade confirmados.
- A contraprova (nova rodada de testes) já foi solicitada à Fiocruz.
- Estão colaborando com a Anvisa e a Vigilância Sanitária para esclarecer o caso.
A nota ainda destaca que os produtos possuem registro na Anvisa, certificações nacionais e internacionais, além do Certificado de Boas Práticas de Fabricação e da ISO 15107:2013, norma que regula sistemas de monitoramento glicêmico.
Orientações para os consumidores
O que fazer se você usa o medidor ou os testes interditados?
A Anvisa recomenda a suspensão imediata do uso dos produtos dos lotes afetados. Os usuários devem:
- Interromper o uso dos produtos.
- Entrar em contato com o SAC da Biomolecular Technology:
- E-mail: [email protected].
- Solicitar informações sobre substituição ou reembolso.
- Consultar um médico para reavaliar o tratamento.
Há risco imediato para a saúde?
Sim. A utilização de dispositivos reprovados em testes de precisão pode levar a diagnósticos incorretos, afetando diretamente o controle glicêmico e o uso de insulina, representando riscos sérios à saúde dos pacientes.
O que é o sistema de monitoramento Ok Pro?
O Ok Pro é um sistema de medição de glicose capilar, usado comumente por pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2. Ele funciona por meio de:
- Medidor eletrônico.
- Fitas de teste de glicose.
- Lancetas para punção digital.
Sua função é proporcionar uma leitura rápida e confiável do nível de açúcar no sangue, auxiliando no controle da doença.
Fiscalização e regulação da Anvisa
Como funciona o controle de qualidade?
A Anvisa, em parceria com o INCQS/Fiocruz, realiza testes periódicos em produtos de saúde para garantir sua eficácia e segurança. Os testes incluem:
- Verificação de rotulagem;
- Análise de conformidade com normas técnicas;
- Avaliação de precisão e reprodutibilidade.
Caso sejam detectadas falhas, a Anvisa pode emitir interdições cautelares, recolhimentos obrigatórios e até suspensões definitivas, como neste caso.
Consequências para a empresa
Caso as contraprovas confirmem as falhas, a empresa poderá:
- Ser proibida de comercializar o produto no país;
- Sofrer multas e sanções administrativas;
- Ter o registro do produto cancelado.
Por outro lado, se as contraprovas atestarem a qualidade dos produtos, a interdição será revogada e o produto poderá retornar ao mercado.
Impacto no sistema de saúde
A retirada de dispositivos comprometidos do mercado é uma medida de proteção coletiva, mas também gera:
- Desconfiança do consumidor;
- Sobrecarga no atendimento de emergência por erros no controle da glicose;
- Necessidade de substituição rápida por alternativas seguras.
As autoridades de saúde reforçam que os pacientes devem sempre adquirir produtos registrados na Anvisa e manter contato com seus médicos diante de qualquer alteração no tratamento.
Conclusão
A decisão da Anvisa de suspender lotes do medidor de glicose Ok Pro e interditar testes associados é uma medida preventiva crucial para proteger a saúde pública.
O alerta reforça a importância do controle rigoroso de qualidade em dispositivos médicos, especialmente em produtos voltados a grupos de risco, como os portadores de diabetes.
Enquanto aguarda o resultado das contraprovas, a recomendação é clara: não use os lotes interditados, procure orientação médica e acompanhe os desdobramentos através dos canais oficiais da Anvisa.
Imagem gerada por IA