A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a chegada ao mercado brasileiro de um medicamento considerado de última geração no tratamento da insônia. O lemborexante, que será comercializado com o nome Dayvigo, é desenvolvido pela farmacêutica japonesa Eisai e deve estar disponível nas farmácias nos próximos meses.
Anvisa libera medicamento de última geração para insônia no Brasil
Anvisa libera Dayvigo, remédio inovador contra insônia, com menor risco de dependência e eficácia comprovada em estudos internacionais.
O fármaco representa uma inovação importante porque atua de maneira diferente dos medicamentos já utilizados no país. Enquanto boa parte das opções disponíveis induz artificialmente o sono, o novo remédio age diretamente no mecanismo que mantém a pessoa acordada, oferecendo uma alternativa mais segura e com menor risco de dependência.
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O que é o lemborexante e como funciona

O lemborexante é classificado como um antagonista duplo dos receptores de orexina. As orexinas são neurotransmissores que desempenham papel fundamental na regulação do ciclo sono-vigília. Em pessoas com insônia, esses sistemas podem estar hiperativos, dificultando o início ou a manutenção do sono.
Diferente dos benzodiazepínicos e de outros hipnóticos usados há décadas, que atuam deprimindo o sistema nervoso central, o Dayvigo bloqueia seletivamente os sinais de vigília. Essa ação permite que o sono ocorra de maneira mais natural, reduzindo os efeitos colaterais associados a medicamentos tradicionais.
Menor risco de dependência
Um dos pontos que mais chamou a atenção da comunidade médica é o potencial de reduzir os casos de dependência química. A insônia crônica, que atinge milhões de pessoas, costuma ser tratada com remédios de uso restrito e que, em muitos casos, levam à tolerância e à necessidade de doses cada vez maiores.
O novo medicamento surge como alternativa promissora para pacientes que precisam de tratamento contínuo, sem comprometer sua saúde mental e física.
Evidências científicas e validação internacional
O Dayvigo já é aprovado e comercializado em outros países, incluindo Estados Unidos e Japão. Sua eficácia foi avaliada em estudos clínicos de grande escala.
Em 2022, uma pesquisa conduzida pela Universidade de Oxford e publicada na revista científica The Lancet comparou 36 opções de medicamentos usados para tratar insônia. O lemborexante apareceu entre os melhores avaliados nos critérios de eficácia, aceitabilidade e tolerabilidade, empatando com a eszopiclona.
Esses resultados reforçam a confiança no uso do fármaco, especialmente em tratamentos de médio e longo prazo. Médicos destacam que, além de ajudar a iniciar o sono, o medicamento mostrou-se eficiente em manter a continuidade do descanso noturno, reduzindo despertares frequentes.
A situação da insônia no Brasil
O impacto da insônia no Brasil é expressivo. De acordo com dados da Associação Brasileira do Sono (ABS), aproximadamente 73 milhões de brasileiros enfrentam dificuldades crônicas para dormir. O problema afeta todas as faixas etárias e tem se intensificado com o estilo de vida moderno, marcado por estresse, uso excessivo de telas e hábitos noturnos irregulares.
Consequências para a saúde
A insônia não é apenas um incômodo. Estudos apontam que noites mal dormidas estão associadas a uma série de condições médicas graves, incluindo:
- depressão e ansiedade;
- hipertensão arterial;
- diabetes tipo 2;
- doenças cardiovasculares;
- maior risco de acidentes;
- aumento da ideação suicida em casos graves.
Com esse cenário, especialistas reforçam que a chegada de novas opções de tratamento pode ser decisiva para reduzir os impactos da insônia na saúde pública.
Disponibilidade e regulação do medicamento

O registro do Dayvigo foi publicado no Diário Oficial da União em 3 de abril de 2025. A definição do preço ficará a cargo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), responsável por estabelecer valores justos de comercialização no país.
Embora o valor ainda não tenha sido divulgado, espera-se que o medicamento chegue inicialmente com custo elevado, dado o caráter inovador da substância. Com o tempo, o preço poderá ser ajustado conforme a produção e a demanda do mercado nacional.
Indicação de uso
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O Dayvigo será indicado exclusivamente para adultos com dificuldade para adormecer ou manter o sono. Seu uso deve ser prescrito por médicos, após avaliação clínica detalhada. Assim como outros medicamentos para distúrbios do sono, não é recomendado para automedicação.
Tratamento da insônia: além dos medicamentos
Especialistas alertam que, embora a aprovação do lemborexante represente um avanço, o tratamento da insônia não se resume apenas ao uso de remédios. Em muitos casos, mudanças no estilo de vida e adoção de medidas de higiene do sono são fundamentais para a recuperação.
Medidas complementares incluem:
- manter horários regulares para dormir e acordar;
- evitar cafeína, álcool e nicotina antes de deitar;
- reduzir o uso de telas e dispositivos eletrônicos à noite;
- criar um ambiente escuro, silencioso e confortável para dormir;
- praticar exercícios físicos regularmente, mas não próximo da hora de deitar.
O acompanhamento médico é essencial para avaliar se o quadro é de insônia primária ou secundária, já que o distúrbio pode estar ligado a outras condições, como depressão, apneia do sono ou transtornos de ansiedade.
Perspectivas para o futuro
A chegada do Dayvigo ao mercado brasileiro abre novas possibilidades no enfrentamento da insônia. Médicos acreditam que a inovação pode transformar a forma como os pacientes lidam com o distúrbio, trazendo mais segurança e eficácia nos tratamentos.
Ao mesmo tempo, a expectativa é que o lançamento estimule pesquisas e a chegada de novos fármacos, ampliando o leque de opções terapêuticas disponíveis no país.
Com milhões de brasileiros convivendo com noites mal dormidas, a liberação do lemborexante pela Anvisa é um marco importante no campo da medicina do sono e reforça a necessidade de tratar o problema como prioridade de saúde pública.
Imagem: Freepik

