Anvisa apreende remédios falsificados e alerta para riscos de emagrecedores fake

Na última terça-feira (03), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou duas resoluções determinando a apreensão de medicamentos falsificados no Brasil. As decisões envolvem os fármacos Rybelsus e Ofev, ambos de uso controlado e indicados para doenças graves como diabetes tipo 2 e fibrose pulmonar idiopática (FPI).

A descoberta de lotes fraudulentos gerou alerta entre profissionais da saúde, farmácias e pacientes, e reforça a necessidade de atenção rigorosa à procedência dos medicamentos adquiridos, especialmente os de alto custo ou de uso contínuo.

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O que a Anvisa determinou?

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Imagem: Kmpzzz/shutterstock.com

As duas Resoluções RE nº 2.197 e 2.198/2025, publicadas no Diário Oficial da União, tornam ilegais e passíveis de apreensão imediata os seguintes lotes:

  • Rybelsus (semaglutida oral), lote M088499
  • Ofev (nintedanibe), lote 681522

Segundo a Anvisa, ambos os lotes são falsificados, e as empresas Novo Nordisk e Boehringer Ingelheim do Brasil, responsáveis pela fabricação e distribuição, não reconhecem essas numerações em seus registros oficiais.

Rybelsus falsificado: o que é o medicamento e por que preocupa?

O Rybelsus é um medicamento prescrito para o controle do diabetes tipo 2, contendo a substância ativa semaglutida — mesma molécula presente no popular Ozempic, porém administrada por via oral, em formato de comprimido.

Para que serve o Rybelsus?

  • Redução da glicemia em adultos com diabetes tipo 2
  • Controle de peso como efeito adicional
  • Redução de risco cardiovascular em pacientes com histórico de doenças cardíacas

A semaglutida atua estimulando a produção de insulina e reduzindo o apetite, o que contribui para o controle do açúcar no sangue e redução do peso corporal, tornando-se um dos tratamentos mais procurados da atualidade.

Por que a falsificação é perigosa?

Medicamentos falsificados podem conter substâncias tóxicas, inertes ou incorretas, colocando em risco a vida do paciente. No caso do Rybelsus, a ingestão de um produto falsificado pode resultar em:

  • Ausência de controle glicêmico, com risco de hiperglicemia
  • Complicações renais, cardíacas e neurológicas
  • Efeitos adversos imprevisíveis devido à composição desconhecida

A falsificação do lote M088499 preocupa ainda mais porque o medicamento é amplamente utilizado no Brasil por pacientes com diabetes que buscam alternativas menos invasivas à aplicação de injeções.

Ofev falsificado: medicamento essencial para doenças pulmonares raras

Outro fármaco alvo da medida é o Ofev, da farmacêutica Boehringer Ingelheim. O produto é usado no tratamento de condições raras e graves, como:

  • Fibrose pulmonar idiopática (FPI)
  • Doença pulmonar intersticial associada à esclerose sistêmica (DPI-ES), também conhecida como esclerodermia

A substância ativa, nintedanibe, tem ação antifibrótica e anti-inflamatória, e retarda a progressão das doenças pulmonares.

Falsificação e seus riscos

A empresa informou que o lote 681522 não foi fabricado, embalado ou distribuído pela companhia, o que confirma se tratar de medicamento falsificado.

O uso de um Ofev falso pode:

  • Acelerar a progressão da doença pulmonar, já que não há garantia de que contenha o princípio ativo correto
  • Ocasionar efeitos colaterais severos, caso contenha substâncias adulteradas
  • Comprometer o tratamento de doenças crônicas e potencialmente fatais

Como identificar um medicamento falsificado?

A Anvisa recomenda uma verificação completa da embalagem, dos dados do fabricante e da origem do produto. Veja alguns sinais de alerta:

Sinais visuais na embalagem

  • Erros de ortografia ou tradução
  • Ausência de selo de segurança ou lacre rompido
  • Códigos de barras borrados ou etiquetas sobrepostas
  • Embalagens com aparência amadora ou com fontes diferentes das originais

Dúvidas sobre autenticidade

  • Cheque o número do lote no site do fabricante ou entre em contato com o SAC da empresa.
  • Utilize aplicativos que verificam o código Datamatrix (QR Code bidimensional) presente nas embalagens.
  • Em caso de dúvida, não consuma o medicamento.

Onde comprar com segurança?

A Anvisa reforça que medicamentos devem ser adquiridos somente em estabelecimentos licenciados, como:

  • Farmácias regularizadas com alvará sanitário
  • Drogarias credenciadas
  • Sites autorizados por meio de domínio “.far.br”
  • Canais oficiais de distribuidoras e laboratórios

Evite compras em sites de terceiros, marketplaces e redes sociais, onde não há controle sobre a origem dos produtos.

O que fazer em caso de suspeita?

A recomendação é interromper imediatamente o uso do medicamento e denunciar o caso às autoridades competentes. As denúncias podem ser feitas por:

Profissionais de saúde

  • Sistema Notivisa (plataforma exclusiva da Anvisa para registros técnicos)

Pacientes e consumidores

Também é possível:

  • Notificar a empresa fabricante com foto da embalagem e lote
  • Levar o medicamento até uma farmácia ou vigilância sanitária local

Histórico de falsificações com semaglutida preocupa autoridades

O caso do Rybelsus não é isolado. Desde que medicamentos à base de semaglutida se popularizaram para uso off-label em emagrecimento, como Ozempic e Wegovy, a demanda explodiu, e com ela surgiram:

  • Fórmulas manipuladas sem controle da ANVISA
  • Vendas ilegais por redes sociais
  • Importações paralelas e clandestinas

A associação com o emagrecimento rápido atraiu consumidores que buscam alternativas sem receita médica, abrindo espaço para o mercado de falsificações e produtos perigosos.

O papel da Anvisa na proteção à saúde pública

Anvisa
Imagem: Freepik

A atuação da Anvisa nesses casos busca:

  • Impedir o uso de produtos não fiscalizados
  • Preservar a segurança do tratamento dos pacientes
  • Coibir fraudes no mercado farmacêutico

As medidas tomadas incluem:

  • Interdição e apreensão imediata dos produtos falsificados
  • Suspensão de distribuição e venda dos lotes ilegais
  • Notificações públicas com orientações detalhadas

Além disso, a Anvisa atua em parceria com a Polícia Federal e o Ministério da Justiça para identificar quadrilhas especializadas em falsificação de medicamentos.

Considerações finais

A descoberta dos lotes falsificados de Rybelsus e Ofev representa um alerta importante à população e aos profissionais da saúde sobre os riscos da aquisição de medicamentos sem verificação da procedência. Em tempos de acesso facilitado pela internet e popularização de certos fármacos, o controle da cadeia de distribuição é essencial para preservar a saúde pública.

A recomendação da Anvisa é clara: não utilizar medicamentos suspeitos e sempre adquirir produtos em fontes confiáveis e licenciadas. Caso o consumidor identifique um produto suspeito, denunciar é fundamental para evitar que outras pessoas sejam expostas ao mesmo risco.

A falsificação de remédios é crime e pode ter consequências graves para a saúde e a vida dos brasileiros. O combate a esse tipo de prática exige colaboração entre Estado, indústria e sociedade, com o objetivo de manter o acesso a medicamentos seguros, eficazes e autênticos.

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