A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta quinta-feira, 15 de maio de 2025, a suspensão imediata da fabricação, comercialização, distribuição e propaganda de todos os lotes dos suplementos alimentares da marca PowerGreen. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e já está em vigor, embora até o dia seguinte (16/05) os produtos ainda estivessem sendo vendidos online.
Anvisa proíbe suplementos da PowerGreen; saiba os motivos da suspensão
Anvisa suspende venda e propaganda de todos os lotes da marca PowerGreen por ingredientes irregulares e promessas terapêuticas ilegais.
Segundo o órgão regulador, a suspensão foi motivada por uma série de irregularidades graves, incluindo a classificação incorreta dos produtos como suplementos alimentares, o uso de ingredientes proibidos para essa categoria e propagandas com alegações falsas, que sugerem benefícios terapêuticos não permitidos pela legislação.
O caso reacende o alerta para os riscos do consumo de produtos sem aprovação adequada, especialmente quando comprados pela internet e anunciados como soluções milagrosas para a saúde.
Leia mais:
Anvisa proíbe venda de sabonetes usado por milhares de brasileiros

Por que a Anvisa proibiu os produtos da PowerGreen?
De acordo com a Anvisa, a empresa responsável pelos suplementos PowerGreen descumpriu diversas normas sanitárias ao:
Classificar incorretamente os produtos como suplementos
Embora os produtos fossem apresentados como “suplementos alimentares”, a composição incluía ingredientes de uso restrito ou não autorizado, como:
- Castanha-da-índia
- Gengibre
- Ginseng
- Valeriana
- Maca peruana
- Ora-pro-nóbis
Essas substâncias possuem efeitos fisiológicos ativos e, em alguns casos, são tradicionalmente utilizadas em fitoterápicos, não em suplementos. Por isso, exigiriam registro como medicamento ou autorização específica, além de estudos clínicos que comprovem sua eficácia e segurança.
Propagandas enganosas com alegações terapêuticas
Outro fator decisivo para a suspensão foi a divulgação de propaganda irregular. Entre as alegações identificadas pela Anvisa estavam:
- “Melhora a circulação sanguínea”
- “Reduz inflamação e dor”
- “Promove saúde cardiovascular, saúde óssea e saúde digestiva”
- “Melhora a fertilidade”
Conforme esclarece a agência, suplementos alimentares não são medicamentos. Portanto, não podem prometer tratamento, prevenção ou cura de doenças, tampouco alegar efeitos estéticos ou terapêuticos sem comprovação científica aprovada pela Anvisa.
Ausência de registro ou notificação válida
A Anvisa também identificou que os produtos da PowerGreen não possuem registros válidos ou notificações regulares no sistema da agência, o que compromete a rastreabilidade e a segurança do consumidor. Isso significa que nenhuma autoridade sanitária verificou formalmente a composição, os efeitos e os riscos potenciais desses produtos.
O que são suplementos alimentares, segundo a Anvisa?
A Anvisa define suplementos alimentares como produtos destinados a complementar a alimentação de pessoas saudáveis, com o objetivo de fornecer:
- Nutrientes (vitaminas, minerais, proteínas, aminoácidos etc.)
- Substâncias bioativas
- Enzimas ou probióticos
Esses produtos não têm função terapêutica e são voltados exclusivamente ao público saudável. A ingestão deve ser orientada por profissionais da saúde, e sua eficácia depende da dieta e estilo de vida da pessoa.
A agência alerta que o uso indiscriminado de produtos apresentados como suplementos, mas com composição de medicamentos ou fitoterápicos, pode colocar em risco a saúde da população.
Quais os riscos do uso de suplementos com ingredientes não autorizados?
O uso de substâncias ativas sem orientação médica pode causar efeitos adversos graves, especialmente quando não há controle de dosagem ou interações medicamentosas. Abaixo, destacamos alguns dos componentes encontrados nos produtos PowerGreen e seus potenciais riscos:
Castanha-da-índia
- Pode causar distúrbios gastrointestinais, náuseas e tonturas.
- Em doses elevadas, tem efeito tóxico.
Ginseng
- Estimulante do sistema nervoso central.
- Pode causar insônia, agitação e aumento da pressão arterial.
Valeriana
- Utilizada como calmante, pode causar sedação excessiva e interação com outros medicamentos controlados.
Maca peruana
- Usada para aumentar libido e fertilidade, mas sem evidência clínica robusta.
- Pode interferir em tratamentos hormonais.
Ora-pro-nóbis
- Planta com uso alimentício, mas não autorizada como suplemento com alegações terapêuticas.
O uso indiscriminado de tais substâncias pode resultar em reações adversas, intoxicações, agravamento de doenças preexistentes ou falha de tratamentos médicos em curso.
O que acontece agora com a marca PowerGreen?

A decisão da Anvisa impõe que:
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
- Todos os lotes dos produtos PowerGreen devem ser retirados do mercado.
- Fica proibida a venda online, em farmácias, lojas físicas e marketplaces.
- A propaganda em qualquer meio de comunicação deve ser imediatamente suspensa.
Caso a empresa descumpra a determinação, estará sujeita a sanções administrativas, interdição sanitária e multa, conforme previsto na legislação brasileira.
Até o momento, a empresa responsável pela PowerGreen não se manifestou oficialmente sobre a decisão da Anvisa.
O que o consumidor deve fazer se comprou ou usou o suplemento?
A Anvisa recomenda que consumidores que adquiriram produtos PowerGreen deixem de utilizá-los imediatamente, especialmente aqueles com histórico de sensibilidade a fitoterápicos ou doenças cardiovasculares.
Recomendações ao consumidor:
- Interrompa o uso do suplemento imediatamente.
- Consulte um profissional de saúde se estiver apresentando sintomas incomuns.
- Registre denúncia na Anvisa, por meio do site oficial ou telefone 0800 642 9782.
- Acompanhe canais oficiais de saúde para atualizações sobre o caso.
Se o produto foi adquirido pela internet, o consumidor tem direito à devolução com reembolso, com base no Código de Defesa do Consumidor.
Como identificar propagandas enganosas em suplementos?
A Anvisa alerta para a presença de “promessas milagrosas” como um dos principais indícios de fraude ou irregularidade sanitária. Veja alguns exemplos de alegações que devem ser evitadas em produtos vendidos como suplementos:
- “Cura dores crônicas”
- “Aumenta a imunidade de forma definitiva”
- “Queima gordura sem esforço”
- “Melhora a libido instantaneamente”
- “Substitui medicamentos”
Nenhum suplemento alimentar pode fazer esse tipo de promessa. Essas alegações são exclusivas de medicamentos e, mesmo nesses casos, precisam ser aprovadas com base em estudos clínicos.
O papel da Anvisa na fiscalização de suplementos e medicamentos

A Anvisa é responsável por regular, fiscalizar e controlar a produção e a comercialização de produtos que afetam a saúde da população brasileira. Isso inclui medicamentos, cosméticos, alimentos, produtos para saúde, vacinas e suplementos alimentares.
A fiscalização ocorre por meio de:
- Monitoramento de denúncias da população
- Análise técnica de propagandas
- Parcerias com os Procons e Ministério Público
- Fiscalização de plataformas de venda online
Nos últimos anos, a agência tem intensificado a vigilância de suplementos vendidos pela internet, muitos deles sem registro e com falsas promessas de tratamento, o que configura infração sanitária.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
