A aposentadoria é um marco importante na vida do trabalhador, mas para muitos ela traz também novas responsabilidades financeiras. Entre medicamentos, consultas e tratamentos de saúde, o orçamento do idoso frequentemente fica comprometido, mesmo após décadas de contribuição ao país.
Com isso, cresce a discussão sobre medidas de alívio fiscal que possam dar mais tranquilidade a quem já passou grande parte da vida no mercado de trabalho. Recentemente, uma proposta aprovada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa reacendeu esse debate ao tratar da isenção do Imposto de Renda (IR) para aposentados com mais de 65 anos e portadores de comorbidades.
Clique no botao abaixo para liberar o conteudo completo gratuitamente.

LEIA MAIS:
- Salário extra 2025: datas e valores do 13º para aposentados e funcionários
- INSS: reclamações sobre associações de aposentados terão monitoramento
- Aposentados com cuidadores podem ganhar R$ 1.518 a mais; veja detalhes
Novo benefício a aposentados: A proposta de ampliação da isenção do IR
Origem e tramitação
O projeto nasceu da união de duas propostas em andamento (PLs 4425/23 e 2642/24), ambas de autoria do deputado Castro Neto (PSD-PI). A ideia é alterar a Lei 7.713/88, que já prevê isenção para algumas doenças específicas, mas que hoje não atende de forma ampla os aposentados com necessidades médicas recorrentes.
Segundo o relator, o objetivo é aliviar o peso financeiro dos que enfrentam tratamentos contínuos e de alto custo. O parlamentar destacou que os gastos de saúde podem consumir boa parte da renda, reduzindo o poder de compra e afetando diretamente a qualidade de vida dos idosos.
A proposta segue agora para as comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça (CCJ). Caso aprovada em caráter conclusivo, seguirá ao Plenário da Câmara e, depois, ao Senado, antes de virar lei.
Quem terá direito à isenção integral
Doenças já previstas em lei
Atualmente, a legislação já contempla isenção para 16 doenças graves, como neoplasia maligna (câncer), cardiopatia grave, Parkinson, cegueira e HIV. A lista foi construída para proteger pessoas em situações de saúde delicadas, mas há críticas de que muitas comorbidades relevantes ficaram de fora.
Novas comorbidades que podem ser incluídas
Com a nova proposta, o Ministério da Saúde ficará responsável por regulamentar a lista atualizada de doenças que dão direito ao benefício. Entre as condições mais mencionadas estão:
- Problemas cardiovasculares graves
- Diabetes tipo 1 (mellitus insulino-dependente)
- Doenças respiratórias crônicas
- Doenças renais crônicas
- Alguns tipos de câncer em estágios avançados
A ampliação busca atender a uma parcela da população que enfrenta altos custos recorrentes com medicamentos, exames e hospitalizações.
A isenção adicional já garantida em lei
Como funciona a regra atual
Independentemente da proposta em tramitação, aposentados e pensionistas com 65 anos ou mais já possuem direito a uma isenção adicional no Imposto de Renda, válida desde a declaração de 2025.
Esse benefício incide sobre os rendimentos de aposentadoria, pensão, reforma ou reserva remunerada e equivale a R$ 27.692,31 ao ano, o que corresponde a 12 parcelas mensais de R$ 2.130,18, além do 13º salário.
Limitações importantes
É fundamental ressaltar que essa isenção não se estende a outras fontes de renda, como aluguéis, salários ou valores provenientes de previdência privada. Ou seja, o benefício foca exclusivamente nos rendimentos relacionados à aposentadoria.
Declaração continua obrigatória
Quando é necessário declarar
Mesmo quem é isento continua obrigado a apresentar a declaração se:
- Os rendimentos tributáveis superarem R$ 33.888 em 2024
- Os rendimentos isentos ou não tributáveis ultrapassarem R$ 200 mil no ano
Essa exigência busca garantir maior controle da Receita Federal sobre a movimentação financeira dos contribuintes.
Como preencher corretamente
Na hora de declarar, o aposentado deve ter em mãos o informe de rendimentos fornecido pelo INSS ou pelo órgão pagador. A parcela isenta precisa ser informada na aba “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”. O preenchimento incorreto pode gerar malha fina e atrasar restituições.
O peso da medida para aposentados e famílias
Impacto social
O Brasil possui cerca de 21 milhões de pessoas acima de 65 anos, segundo dados do IBGE. Entre elas, uma grande parcela depende quase exclusivamente da aposentadoria para custear despesas básicas e médicas. A ampliação da isenção pode significar um reforço importante no orçamento doméstico.
Impacto financeiro no governo
Embora o governo deixe de arrecadar parte do imposto, especialistas argumentam que o impacto social positivo supera a perda de receita. Ao reduzir gastos com tributos, o idoso pode ter mais condições de manter a saúde em dia, diminuindo até mesmo a pressão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS).
Críticas e pontos de atenção
Sustentabilidade fiscal
Economistas alertam que toda renúncia fiscal precisa ser compensada de alguma forma. Existe o risco de que a ampliação da isenção gere queda na arrecadação em um momento de busca por equilíbrio nas contas públicas.
Necessidade de regulamentação clara
Outro ponto levantado é a necessidade de clareza na lista de comorbidades que darão direito ao benefício. Uma regulamentação vaga pode gerar judicialização e aumento da insegurança jurídica.
Orientações práticas para aposentados
Organize os documentos
Manter em dia laudos médicos, exames e receitas é essencial para comprovar a condição de saúde que gera direito à isenção.
Consulte um contador
Profissionais especializados podem orientar sobre como declarar corretamente, evitando erros que possam gerar multas ou bloqueios de restituições.
Acompanhe a tramitação
Como a proposta ainda está em análise no Congresso, é importante que os aposentados acompanhem as discussões e entendam como as mudanças podem impactar sua situação.

O novo projeto de isenção para aposentados com mais de 65 anos e comorbidades representa um avanço importante na proteção social de uma população cada vez mais numerosa e vulnerável. A medida busca aliviar custos elevados com saúde e dar mais dignidade a quem já contribuiu por décadas.
Ainda há desafios, como a definição da lista de doenças contempladas e o equilíbrio fiscal necessário. No entanto, o debate aponta para uma tendência de reconhecer as demandas específicas dos idosos no sistema tributário brasileiro.
Para os aposentados, estar informado é essencial. A isenção pode representar não apenas economia, mas também mais qualidade de vida. Afinal, depois de uma vida inteira de trabalho, nada mais justo do que garantir uma velhice com mais tranquilidade e respeito.

