60% dos apostadores usam casas de apostas ilegais — veja os riscos
Um levantamento recente revela que seis em cada dez brasileiros que apostaram online em 2025 utilizaram plataformas ilegais. A pesquisa, conduzida pelo Instituto Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), aponta para um cenário preocupante no país, onde a regulamentação das apostas avança lentamente diante de um mercado em rápida expansão.
📌 DESTAQUES:
Seis em cada dez apostadores usaram plataformas ilegais em 2025. Especialistas alertam para riscos à segurança e à arrecadação pública.
Segundo os dados, 63% dos usuários que realizaram apostas esportivas ou em jogos de azar no Brasil o fizeram por meio de sites sem registro no país. Esses portais, em geral, não seguem normas de transparência, proteção ao consumidor ou contribuição tributária, o que representa perdas tanto para os jogadores quanto para os cofres públicos.
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Aposta online cresce, mas fiscalização ainda é falha
Setor movimenta bilhões sem controle efetivo
O Brasil vive um boom nas apostas online. O crescimento do setor tem sido impulsionado pelo aumento da conectividade, popularização dos smartphones e forte presença de publicidade em eventos esportivos. Entretanto, a ausência de uma regulamentação consolidada para esse mercado tem permitido a atuação de operadores ilegais, muitos deles sediados fora do país.
Estima-se que o mercado brasileiro de apostas tenha movimentado mais de R$ 120 bilhões em 2024, com previsão de crescimento para 2025. No entanto, uma parcela significativa desse valor não é tributada nem fiscalizada, uma vez que passa por sites estrangeiros que não possuem licença para operar no Brasil.
Falta de regulamentação facilita evasão de receita
Apesar da promulgação de normas para legalização das apostas esportivas em 2023, o processo de regulamentação plena ainda não foi concluído. A ausência de regras claras, critérios de licenciamento e mecanismos de fiscalização efetivos tem permitido que empresas não autorizadas atraiam apostadores com bônus agressivos e ausência de exigências legais.
Para especialistas em direito digital e tributário, a falta de controle sobre esse tipo de operação contribui para a evasão fiscal e impede o desenvolvimento de um setor economicamente viável e seguro.
Perfil dos apostadores e riscos envolvidos
Jovens e homens são maioria entre usuários
O estudo também mostra que o público predominante nas apostas ilegais é formado por homens entre 18 e 34 anos, faixa etária com alta afinidade digital. Esse grupo é particularmente atraído por plataformas que oferecem retorno rápido, promoções e ausência de burocracia no cadastro.
A facilidade de acesso, aliada à falta de informação sobre riscos e à ilusão de ganhos rápidos, torna esses usuários alvos vulneráveis a golpes, vício em jogos e perdas financeiras significativas.
Perigos vão além da perda de dinheiro
Ao utilizar plataformas ilegais, o apostador fica desprotegido em diversas frentes. Esses sites, por não obedecerem à legislação brasileira, não oferecem garantia de pagamento, nem canais de atendimento eficazes. Além disso, os dados pessoais dos usuários podem ser comercializados ou utilizados em esquemas de fraude.
Também há relatos de práticas como manipulação de resultados, cancelamento arbitrário de apostas vencedoras e lavagem de dinheiro, situações que comprometem a credibilidade do mercado e aumentam o risco para o consumidor.
Governo tenta avançar na regulação do setor
Novo marco regulatório deve trazer mais segurança
O governo federal prepara a implementação de um marco regulatório mais robusto para as apostas no país. A expectativa é que ainda em 2025 sejam divulgadas novas regras para concessão de licenças, fiscalização de plataformas e tributação de receitas.
A proposta prevê, entre outras medidas, a exigência de sede fiscal no Brasil, canais de atendimento ao consumidor, auditorias independentes e campanhas de prevenção ao jogo patológico.
Tributação pode reforçar arrecadação pública
Com a legalização e a cobrança de impostos sobre as apostas, o governo espera arrecadar bilhões de reais que hoje deixam de entrar nos cofres públicos. A estimativa é de que a tributação de apostas possa gerar mais de R$ 10 bilhões por ano, valores que poderiam ser revertidos para áreas como saúde, educação e segurança pública.
No entanto, especialistas alertam que o sucesso da regulamentação depende da capacidade do Estado de fiscalizar efetivamente os operadores e conscientizar a população sobre os riscos do uso de plataformas não autorizadas.
Campanhas de conscientização ganham força
Informar para proteger o consumidor
Entidades do setor e órgãos de defesa do consumidor têm intensificado campanhas para alertar os brasileiros sobre os riscos das apostas ilegais. O objetivo é educar o público para identificar plataformas autorizadas e evitar cair em armadilhas digitais.
A recomendação é sempre verificar se o site possui registro válido no Brasil, apresenta políticas de privacidade claras e oferece meios de contato confiáveis. Outra dica é desconfiar de promessas exageradas de lucro e bônus pouco realistas.
Incentivo ao jogo responsável
Além da segurança digital, há também a preocupação com os impactos sociais do crescimento desenfreado das apostas. Iniciativas voltadas à prevenção do vício em jogos, como autoexclusão e limites de apostas, são consideradas essenciais para um ambiente saudável e sustentável.
O jogo responsável, com regras claras e fiscalização efetiva, é visto como caminho viável para que o setor continue crescendo sem comprometer a segurança e o bem-estar da população.
Regulamentação é chave para o futuro das apostas

O avanço das apostas ilegais no Brasil em 2025 acende um alerta sobre a urgência de regulamentação do setor. Enquanto plataformas estrangeiras atuam sem controle, o país perde arrecadação, expõe seus cidadãos a riscos e enfraquece o potencial de um mercado promissor.
A expectativa agora recai sobre a ação do governo e dos legisladores, que precisam implementar regras eficazes, fiscalizar com rigor e promover uma cultura de jogo responsável. O futuro das apostas no Brasil depende da construção de um ambiente seguro, transparente e economicamente sustentável.
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