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iPhone no Brasil: Apple terá que liberar compras fora da App Store

A Apple fechou acordo com o Cade e permitirá compras fora da App Store no Brasil, abrindo o iOS para lojas alternativas e mais opções de pagamento.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa7 min de leitura
Apple

A Apple deu um passo significativo para flexibilizar o funcionamento do iOS no Brasil. Donos de iPhone passam a ter, gradualmente, a possibilidade de comprar aplicativos e serviços digitais fora da App Store, loja oficial controlada pela empresa. A mudança ocorre após um acordo firmado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que investigava práticas consideradas anticoncorrenciais no ecossistema da companhia.

A decisão representa um revés importante para a gigante de Cupertino, historicamente conhecida por manter um ambiente fechado, o chamado “jardim murado”, onde todas as transações digitais passavam obrigatoriamente pelo sistema da própria Apple. Para consumidores e desenvolvedores, o acordo sinaliza mais liberdade, concorrência e alternativas de pagamento.

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Decisão do Cade forma maioria e valida acordo

Na terça-feira (23), o Tribunal do Cade formou maioria para aprovar o Termo de Compromisso de Cessação (TCC) proposto pela Apple no processo que apurava possíveis abusos de posição dominante no mercado de aplicativos para iOS. Com a homologação, o acordo passa a valer por um período de três anos.

A Apple terá até 105 dias para implementar todas as mudanças previstas. Durante esse período, a empresa precisará adaptar regras internas, sistemas de pagamento e políticas para desenvolvedores, garantindo que as novas práticas estejam em conformidade com o que foi acordado com a autoridade antitruste brasileira.

O que muda para usuários de iPhone no Brasil

Mais liberdade de escolha

Na prática, usuários de iPhone ganham mais flexibilidade para adquirir aplicativos, assinaturas e serviços digitais. Será possível acessar ofertas externas e realizar pagamentos fora do sistema de compras integrado da Apple, algo que até então era rigidamente controlado pela empresa.

Essa mudança aproxima o Brasil de outros mercados que já adotaram medidas semelhantes, ampliando o poder de escolha do consumidor e reduzindo a dependência exclusiva da App Store.

Possibilidade de preços mais baixos

Com a abertura do sistema, desenvolvedores deixam de ser obrigados a repassar a taxa cobrada pela Apple, que historicamente variava entre 15% e 30% sobre transações digitais. A expectativa é que parte dessa economia seja refletida em preços mais competitivos para o usuário final, especialmente em assinaturas e serviços recorrentes.

Impacto direto para desenvolvedores de aplicativos

Fim da obrigatoriedade do pagamento in-app da Apple

Um dos pontos centrais do acordo é a desvinculação do sistema de processamento de pagamentos da Apple. Desenvolvedores poderão oferecer meios alternativos de pagamento dentro dos aplicativos, sem a obrigação de utilizar exclusivamente o sistema in-app da empresa.

Essas opções deverão ser apresentadas lado a lado com a solução da Apple, permitindo que o usuário escolha como deseja pagar.

Liberação do direcionamento para ofertas externas

Antes do acordo, desenvolvedores eram impedidos de informar usuários sobre formas alternativas de pagamento fora do aplicativo, prática conhecida como cláusula anti-direcionamento. O Cade entendeu que essa restrição limitava a concorrência e prejudicava o consumidor.

Agora, os desenvolvedores poderão promover ofertas externas, divulgar links e direcionar usuários para realizar transações fora do ambiente da App Store, sem sofrer sanções.

Lojas alternativas de aplicativos no iOS

Abertura do ecossistema da Apple

Outro ponto relevante do acordo é a permissão para a criação de lojas alternativas de aplicativos no iOS. Isso significa que, além da App Store oficial, outras plataformas poderão distribuir apps para iPhones, algo que sempre foi proibido pela Apple.

Essa abertura representa uma mudança estrutural no modelo de negócios da empresa, aproximando o iOS de sistemas mais abertos, como o Android.

Regras para avisos ao consumidor

A Apple ainda poderá exibir avisos aos usuários sobre o uso de lojas alternativas, mas com restrições claras. Os alertas deverão ter redação neutra, objetiva e informativa, sem alarmismo ou linguagem que desestimule indevidamente o uso de plataformas concorrentes.

Além disso, a empresa não poderá criar mecanismos técnicos ou barreiras artificiais que dificultem a experiência do usuário ao optar por lojas externas.

Estrutura de taxas e efeitos pró-competitivos

O acordo firmado com o Cade também define a estrutura das taxas que poderão ser cobradas pela Apple dentro do novo modelo. A proposta busca garantir que os efeitos pró-competitivos sejam percebidos tanto por desenvolvedores quanto por consumidores.

Segundo o conselheiro Victor Fernandes, relator do caso, o compromisso assumido no Brasil está alinhado a iniciativas internacionais que visam aumentar a concorrência no mercado de aplicativos e reduzir práticas consideradas abusivas por grandes plataformas digitais.

Brasil segue tendência internacional

Com a decisão, o Brasil se junta a um grupo de países e blocos econômicos que já impuseram mudanças ao ecossistema da Apple. União Europeia, Holanda, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos adotaram regras que ampliam a liberdade de desenvolvedores e usuários.

Essas iniciativas têm em comum a tentativa de reduzir o poder concentrado das grandes empresas de tecnologia sobre seus próprios ecossistemas, promovendo concorrência, inovação e melhores condições de mercado.

Origem da investigação no Cade

Denúncia do Mercado Livre

A investigação teve início em dezembro de 2022, a partir de uma denúncia apresentada pelo Mercado Livre. A empresa apontou possível abuso de posição dominante por parte da Apple no mercado de distribuição de aplicativos para dispositivos iOS.

Segundo a denúncia, as regras impostas pela App Store dificultavam a atuação de concorrentes e obrigavam desenvolvedores a aceitar condições consideradas desfavoráveis.

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Medida preventiva e processo administrativo

Em novembro de 2024, o Cade determinou a instauração de processo administrativo e a adoção de uma medida preventiva contra a Apple. A decisão aumentou a pressão sobre a empresa, que passou a enfrentar riscos regulatórios mais elevados no país.

Em julho de 2025, a Apple protocolou um pedido formal de abertura de negociação, dando início às tratativas que resultaram no acordo agora aprovado.

Encerramento do litígio judicial

Com a assinatura do Termo de Compromisso de Cessação, a Apple concordou em encerrar o litígio judicial no qual buscava a declaração de nulidade da medida preventiva imposta pelo Cade.

O processo administrativo ficará suspenso enquanto a empresa cumpre as obrigações previstas no acordo. Caso haja descumprimento total ou parcial, a investigação pode ser retomada.

Multas e penalidades em caso de descumprimento

O acordo prevê sanções severas caso a Apple não cumpra as medidas estabelecidas. A empresa pode ser multada em até R$ 150 milhões, além de sofrer a retomada imediata da investigação e da medida preventiva.

Esse mecanismo busca garantir que os compromissos assumidos não fiquem apenas no papel e sejam efetivamente implementados no mercado brasileiro.

O que esperar nos próximos meses

Mudanças graduais no iOS

As alterações no ecossistema do iOS não devem ocorrer de forma imediata para todos os usuários. A Apple terá até 105 dias para iniciar a implementação, e a adaptação completa pode levar meses, dependendo de atualizações de sistema e ajustes técnicos.

Atenção redobrada do mercado

Desenvolvedores, empresas de tecnologia e entidades de defesa do consumidor devem acompanhar de perto a implementação do acordo. O caso pode se tornar referência para futuras discussões sobre concorrência no mercado digital brasileiro.

Conclusão

O acordo entre Apple e Cade marca um novo capítulo para o mercado de aplicativos no Brasil. Ao permitir compras fora da App Store, lojas alternativas e maior liberdade de pagamento, a decisão amplia a concorrência e fortalece o poder de escolha do consumidor. Para desenvolvedores, abre-se a possibilidade de modelos de negócio mais flexíveis e menos dependentes das regras impostas por uma única plataforma. Resta agora acompanhar como a Apple implementará essas mudanças e quais serão seus efeitos práticos no dia a dia dos usuários de iPhone no país.

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Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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