Em um cenário alarmante para o transporte público, a cidade de São Paulo enfrentou na segunda-feira (7) o maior número de ataques a ônibus em um único dia, com 59 veículos vandalizados em 24 horas. Segundo dados da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte (SMT) e da SPTrans, as ações ocorreram de forma espalhada por todas as regiões da capital, ampliando ainda mais a preocupação de autoridades, empresas e usuários.
São Paulo tem maior número de ataques a ônibus em um dia: 59 veículos atingidos
Capital paulista registra 59 ônibus atacados em 24h; prejuízos e prisões aumentam a tensão.
Desde o início da onda de violência, em 12 de junho, já são 328 ônibus depredados só na capital, enquanto no restante do estado, segundo a Artesp, foram contabilizados 241 ataques em cidades como Osasco, Diadema, Santo André e São Bernardo do Campo. Ao todo, já são 569 coletivos atacados em menos de um mês, com um padrão que se repete: pedras atiradas contra vidros para forçar a paralisação do veículo.
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Prejuízos crescentes e impacto nos usuários

Os ataques, além de semearem medo entre motoristas e passageiros, têm gerado prejuízos milionários às empresas de transporte. Apenas o conserto de um vidro quebrado em um ônibus pode custar cerca de R$ 16 mil, segundo estimativa de uma das operadoras, sem contar as multas aplicadas pela SPTrans quando os veículos ficam fora de circulação.
A situação tem deixado as linhas cada vez mais desassistidas, atingindo principalmente trabalhadores e moradores de baixa renda que dependem do sistema. Até mesmo ônibus que operam a linha entre os aeroportos de Congonhas e Guarulhos foram atingidos.
Prisões e investigações em andamento
Desde sábado (5), a Polícia Civil já prendeu três homens suspeitos de envolvimento nos ataques na capital e apreendeu um adolescente em Cotia, na Grande São Paulo. Entre os detidos está Éverton de Paiva Balbino, acusado de atirar uma pedra contra um ônibus no dia 27 de junho, ferindo gravemente uma passageira que fraturou ossos do rosto. O caso é considerado um dos mais graves registrados até agora.
Éverton, filho de um motorista de ônibus, nega ter tido intenção de atingir a janela e afirma que a pedra foi lançada após uma suposta discussão de trânsito — versão que não convenceu os investigadores. Ele teve prisão temporária de 30 dias decretada e foi indiciado por tentativa de homicídio e danos ao patrimônio.
Outros dois homens foram presos em flagrante no sábado após depredarem ônibus em Pirituba e Santo Amaro. A polícia apreendeu também o carro usado por um dos suspeitos para arremessar pedras contra coletivos na Avenida Washington Luís.
Hipóteses para a onda de violência
A Polícia Civil trabalha atualmente com três linhas de investigação para explicar os ataques, mas nenhuma ainda foi confirmada:
- Ação coordenada por integrantes do PCC, embora a motivação ainda seja incerta.
- Jovens influenciados por “desafios” e tendências criadas em redes sociais.
- Sabotagem de empresas que perderam contratos com a prefeitura e estariam retaliando.
De acordo com o delegado Fernando Santiago, ainda não é possível descartar ou confirmar qualquer uma das hipóteses.
Medidas para conter os ataques
Para tentar frear a onda de vandalismo, a Polícia Militar colocou em prática desde o dia 2 de julho a Operação Impacto e Proteção a Coletivos, baseada em mapeamentos estratégicos em parceria com a Polícia Civil. A iniciativa busca aumentar a presença policial em pontos mais críticos e inibir novas ocorrências.
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O Sindicato dos Motoristas de São Paulo também cobrou da Secretaria de Segurança Pública medidas imediatas para proteger os trabalhadores do transporte público e os usuários.
A rotina de quem depende do transporte

Enquanto as investigações avançam, a vida dos passageiros segue marcada por insegurança e transtornos. Na madrugada da última quinta-feira (3), uma fila de ônibus depredados se formou no 47° Distrito Policial do Capão Redondo, símbolo da dimensão que a crise alcançou. Com veículos retirados de circulação para reparos, muitos passageiros enfrentam longas esperas e lotação ainda maior nos poucos ônibus disponíveis.
A gestão municipal reconhece que os mais prejudicados são os cidadãos de baixa renda, que dependem do sistema para trabalhar e estudar. “É inaceitável que atos isolados prejudiquem milhares de trabalhadores que já enfrentam tantas dificuldades para se locomover”, declarou um porta-voz da prefeitura.
Uma crise ainda sem solução
Apesar de algumas prisões e da operação policial em andamento, o problema parece longe de uma solução definitiva. As causas por trás dos ataques ainda são incertas, e a reincidência das ações mostra que a estratégia dos criminosos é coordenada e difícil de conter rapidamente.
A situação exige, além de reforço na segurança, políticas públicas para prevenir esse tipo de vandalismo e responsabilizar os culpados.
Com informações de: G1
