A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) lançou uma campanha nacional nesta semana com o objetivo de pressionar o Congresso Nacional a votar o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2021, que propõe a atualização dos tetos de faturamento para o regime do Simples Nacional. O movimento se intensifica com um encontro estratégico entre o presidente da entidade, Alfredo Cotait Neto, e o recém-empossado presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), nesta quarta-feira, 1º de outubro.
Pressão por mudanças no Simples: empresários buscam aumento de tetos com Hugo
CACB lança campanha para atualizar os limites do Simples Nacional e se reúne com Hugo Motta. Proposta pode gerar empregos.
A iniciativa da CACB conta com o apoio de dezenas de associações comerciais regionais, federações empresariais e representantes do setor de micro e pequenas empresas, que esperam ver os limites corrigidos pela inflação acumulada desde a última atualização em 2018.
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O que prevê o PLP 108/2021?
O PLP 108/2021, de autoria do senador Jayme Campos (União-MT), propõe uma correção de 83% nos tetos de faturamento do Simples Nacional. Se aprovado, os novos limites seriam os seguintes:
- MEI (Microempreendedor Individual): de R$ 81 mil para R$ 144,9 mil por ano
- Microempresa: de R$ 360 mil para R$ 869,4 mil por ano
- Empresa de pequeno porte: de R$ 4,8 milhões para R$ 8,69 milhões por ano
Essa atualização considera a inflação acumulada nos últimos seis anos e visa adequar os valores às realidades econômicas atuais, sobretudo diante do impacto da pandemia, do aumento nos custos operacionais e da defasagem fiscal.
Argumentos a favor: geração de empregos e arrecadação
Segundo estimativas da CACB, a medida pode ter forte impacto na economia nacional. A entidade projeta:
- Criação de mais de 869 mil empregos diretos e indiretos
- Movimentação de até R$ 81,2 bilhões na economia em três anos e meio
- Aumento da arrecadação tributária em R$ 22,2 bilhões no mesmo período
Esses números são baseados em simulações conduzidas por entidades do setor, que apontam que o crescimento da formalização e da atividade econômica compensaria eventuais perdas iniciais com a renúncia fiscal.
“É uma questão de justiça econômica com quem mais gera empregos no país”, declarou Alfredo Cotait. “O Simples está defasado e, sem atualização, acaba empurrando empresas para a informalidade.”
Críticas: risco fiscal e impacto na arrecadação
No entanto, há resistência dentro do governo e entre parlamentares da área econômica. Críticos da proposta argumentam que:
- A medida pode causar perda de arrecadação imediata, impactando o equilíbrio fiscal num momento de contas públicas apertadas.
- A renúncia fiscal prevista não é neutra e poderia comprometer programas sociais e investimentos do governo.
- Empresas maiores poderiam usar artifícios para se manter dentro do Simples, evitando tributação mais elevada.
A Receita Federal ainda não apresentou um parecer oficial sobre o projeto, mas fontes da equipe econômica indicam preocupação com o “efeito bola de neve” que o reajuste pode causar em termos de perda de base tributária.
Panorama atual: o Simples Nacional em números

Segundo o Sebrae Nacional, o Simples Nacional congrega atualmente mais de 24 milhões de empresas, sendo:
- 16,5 milhões de MEIs
- 7,5 milhões de micro e pequenas empresas
Essas empresas representam 97% do total de companhias ativas no país e são responsáveis por cerca de 25% dos empregos formais no Brasil.
O regime tributário simplificado é considerado fundamental para a inclusão produtiva, redução da informalidade e incentivo ao empreendedorismo em pequenas cidades, periferias e regiões rurais.
Encontro com Hugo Motta é o “start” da campanha
A reunião entre Cotait e Hugo Motta é vista como o primeiro passo de uma série de mobilizações previstas para pressionar a Câmara a votar o projeto. O encontro ocorre num momento em que Motta, recém-eleito para presidir a Casa, ainda está alinhando sua agenda de prioridades com os líderes partidários.
Segundo a CACB, a estratégia é intensificar o corpo a corpo com parlamentares da base e da oposição ao longo da semana. O ápice da campanha ocorrerá no dia 7 de outubro, quando uma comitiva de empresários irá à Câmara para participar de uma sessão solene dedicada às micro e pequenas empresas, com o objetivo de pressionar o colégio de líderes a incluir o projeto na pauta.
Como a atualização impactaria os negócios
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MEI: fôlego para o pequeno empreendedor
A correção do teto para MEIs permitiria que profissionais autônomos e pequenos prestadores de serviço pudessem expandir suas atividades sem o temor de perder os benefícios do regime. Isso inclui:
- Alíquota simplificada
- Acesso a crédito com melhores condições
- Direito à Previdência e benefícios do INSS
- Menor burocracia para emissão de notas fiscais
Segundo o Sebrae, muitos MEIs têm se visto obrigados a limitar sua atividade para não ultrapassar o limite de R$ 81 mil, o que prejudica o crescimento dos negócios.
Micro e pequenas empresas: estímulo ao investimento
Para micro e pequenas empresas, o reajuste abriria espaço para investir mais, contratar novos funcionários e planejar expansão. Empresários do setor varejista, de alimentação, construção e serviços pessoais defendem que o novo teto permitiria mais fôlego num cenário de juros altos e consumo retraído.
“Estamos vivendo um momento em que o pequeno empresário precisa de incentivo, e não de mais carga tributária”, destacou a presidente da Associação Comercial de Minas Gerais, Rosângela Gusmão.
Tramitação no Congresso: obstáculos e perspectivas

Apesar do apelo das entidades empresariais, o projeto ainda precisa superar resistências na Comissão de Finanças e Tributação e na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), antes de ir ao plenário.
Outro desafio é o contexto político e fiscal. Com o governo federal buscando aprovar medidas de ajuste e reequilíbrio das contas públicas, como a nova regra fiscal e a taxação de fundos exclusivos e offshores, há receio de que uma renúncia bilionária vá na contramão do esforço arrecadatório.
Contudo, há otimismo entre os defensores da proposta. A Frente Parlamentar Mista da Micro e Pequena Empresa, presidida pelo deputado Marco Bertaiolli (PSD-SP), tem articulado para viabilizar a votação ainda em 2025.
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