Uma audiência de conciliação entre o governo federal e o Congresso Nacional, marcada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve ocorrer no próximo dia 15 de julho com um desfalque importante para o Palácio do Planalto. O advogado-geral da União, Jorge Messias, responsável por defender os interesses jurídicos do Executivo, estará de férias e não deverá participar do encontro, que trata de um dos impasses tributários mais relevantes do ano: a validade do decreto que elevou as alíquotas do IOF.
Audiência de conciliação do IOF terá ausência significativa do governo
Audiência sobre o IOF no STF, marcada para 15/07, ocorrerá sem Jorge Messias, advogado-geral da União, que estará de férias.
A ausência ocorre em meio a uma disputa institucional delicada, que envolve competências do Executivo e do Legislativo e pode ter repercussões significativas sobre a arrecadação federal e o ambiente político entre os Poderes.
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O que está em jogo na audiência de conciliação?
O embate entre governo e Congresso sobre o IOF
O ponto central da audiência é o decreto presidencial que aumentou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), publicado pelo governo Lula e posteriormente derrubado pelo Congresso Nacional, que usou instrumentos legislativos para sustar os efeitos da medida. O Palácio do Planalto, no entanto, acionou o STF para questionar a constitucionalidade da derrubada, argumentando que se tratava de atribuição exclusiva do Executivo.
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, decidiu suspender tanto o decreto quanto a decisão do Congresso, abrindo espaço para uma tentativa de conciliação entre as partes.
A iniciativa de Moraes segue a linha do que já foi feito no caso da desoneração da folha de pagamentos, em que Executivo e Legislativo foram convocados a buscar entendimento antes de uma decisão judicial definitiva.
Impactos econômicos e institucionais
A discussão em torno do IOF tem repercussões diretas sobre a arrecadação federal, em um momento de pressão sobre as contas públicas e tentativa do governo de cumprir metas fiscais estabelecidas pelo novo arcabouço fiscal. Estima-se que o aumento das alíquotas pudesse representar bilhões de reais em receita adicional para a União.
Além disso, o caso é considerado um teste político-jurídico sobre os limites das atribuições do Congresso e do Executivo em matérias fiscais, com possível efeito vinculante para futuras disputas semelhantes.
A ausência de Jorge Messias
Férias entre 14 e 28 de julho
Segundo despacho publicado no Diário Oficial da União, o advogado-geral da União, Jorge Messias, entrará em férias no dia 14 de julho, com retorno previsto apenas para o dia 28. Ou seja, ele estará fora exatamente no período em que ocorre a audiência de conciliação convocada pelo STF.
Quem deve representar o governo
De acordo com fontes da própria Advocacia-Geral da União (AGU), a ausência de Messias não traria prejuízos formais, já que quem costuma representar a instituição nesse tipo de situação é a secretária-geral de Contencioso da AGU, Isadora Cartaxo. Ela tem longa experiência em litígios envolvendo o Executivo e o Judiciário e é vista como nome de confiança do governo.
Lula pode cancelar férias?
Mesmo com a sinalização de que a ausência será suprida por Cartaxo, não está descartada a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedir que Messias adie ou interrompa suas férias, ao menos por um dia, para participar da audiência. Segundo interlocutores próximos à cúpula do governo, a decisão será tomada até o fim desta semana, com base na avaliação de risco jurídico e político do processo.
Quem é Jorge Messias?
Perfil do advogado-geral da União
Jorge Messias é advogado de carreira, com longa atuação na área jurídica da administração pública. Ficou conhecido como o “mensageiro” de uma anotação durante o governo Dilma Rousseff, na ocasião da nomeação de Lula para a Casa Civil em 2016 — episódio que lhe rendeu o apelido de “Bessias”.
Desde o início do terceiro mandato de Lula, Messias comanda a AGU com forte protagonismo, sendo responsável por defender judicialmente os interesses do governo federal em disputas estratégicas, como a própria desoneração da folha de pagamentos, temas ambientais, tributários e relações institucionais com o Judiciário.
Sua ausência em um tema sensível como o IOF pode ser lida, nos bastidores políticos, como um enfraquecimento temporário da linha de defesa do governo, ainda que tecnicamente o órgão conte com quadros de alto nível.
A decisão de Moraes e o papel do STF

Modelo de conciliação institucional
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A decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender temporariamente tanto o decreto presidencial quanto a decisão do Congresso e propor uma audiência entre as partes reflete uma nova abordagem adotada pelo STF, que busca reduzir a judicialização de impasses entre Poderes por meio do diálogo e do acordo.
Esse modelo já foi aplicado com relativo sucesso no caso da desoneração da folha de pagamentos, em que o STF conseguiu intermediar uma solução que evitou uma crise política mais ampla.
No caso do IOF, a expectativa é que um acordo evite uma decisão monocrática do Supremo com potencial de provocar mais atritos entre o Judiciário e o Congresso.
O que pode sair da audiência?
A audiência do dia 15 de julho pode ter três desfechos principais:
- Acordo entre governo e Congresso: com definição conjunta sobre os limites da atuação em decretos de natureza tributária.
- Manutenção da suspensão dos efeitos do decreto e da decisão legislativa: com prazo adicional para debate político.
- Retomada do julgamento no plenário do STF: caso não haja consenso, levando o caso à deliberação dos 11 ministros da Corte.
O contexto político do embate

Relação tensa entre Executivo e Legislativo
A disputa em torno do IOF ocorre em um momento de tensão crescente entre o governo Lula e o Congresso Nacional, especialmente com a cúpula do Legislativo, que tem dado sinais de insatisfação com o ritmo das negociações políticas e repasses de emendas.
A derrubada do decreto do IOF pelo Congresso foi lida por muitos analistas como uma demonstração de força política dos parlamentares, especialmente da base aliada do presidente da Câmara, Arthur Lira.
Pressão por equilíbrio fiscal
Por outro lado, o governo enfrenta pressões internas e externas para equilibrar o orçamento, aumentar a arrecadação e cumprir o novo arcabouço fiscal. A arrecadação com o IOF, embora não seja central, ajuda a reforçar o caixa da União, especialmente em áreas como saúde, educação e investimentos públicos.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
