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Governo aprova novo auxílio emergencial com 48 parcelas, veja quem recebe

Governo inicia auxílio às vítimas de Mariana; pescadores e agricultores receberão até R$ 3,7 bilhões em quatro anos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Auxílio Emergencial

O governo federal iniciou em julho o pagamento do novo programa de auxílio emergencial destinado às vítimas do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em 2015. O anúncio foi feito durante cerimônia oficial em Linhares (ES), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do advogado-geral da União, Jorge Messias.

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várias cédulas de real com um celular em cima iniciando o aplicativo do Auxilio Emergencial
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / Shutterstock

Um passo importante na reparação histórica

Quem será beneficiado?

O programa tem como público-alvo cerca de 22 mil pescadores e 13,5 mil agricultores familiares impactados direta ou indiretamente pelo maior desastre ambiental do Brasil. A iniciativa faz parte do Novo Acordo do Rio Doce, firmado em 2024 entre a União, os estados afetados e as mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton.

Valor do auxílio e prazo

O auxílio emergencial será dividido em dois períodos:

  • 36 meses com pagamento mensal de 1,5 salário mínimo, atualmente equivalente a R$ 2.118;
  • 12 meses com pagamento de 1 salário mínimo (R$ 1.412 em 2025).

No total, os beneficiários receberão 48 parcelas, com investimento previsto de R$ 3,7 bilhões.

Lula: “É o começo da reparação”

Durante a cerimônia simbólica de entrega do cartão aos primeiros contemplados, Lula destacou a importância do acordo como marco de justiça histórica para os atingidos.

“Em apenas dois anos conseguimos fazer com que a Vale do Rio Doce aceitasse pagar o que tinha de pagar. A entrega do cartão simbólico que estamos fazendo hoje é o começo da reparação”, declarou o presidente.

Acordo garante protagonismo das vítimas

Participação direta dos atingidos

Segundo Jorge Messias, a construção do programa foi feita ouvindo as vítimas. Ele destacou a criação de um Comitê de Governança, que conta com a participação ativa dos atingidos para deliberar sobre os projetos, obras e destinação dos recursos.

“Cada centavo, cada obra, cada projeto será construído ouvindo vocês”, afirmou o AGU.

Transparência e controle social

O Comitê de Governança terá acesso a documentos, auditorias e relatórios financeiros, além de poder propor alterações em etapas dos programas caso identifique falhas ou desvios.

Indenizações individuais e reconhecimento do INSS

INSS
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Além do pagamento mensal, o programa contempla outras formas de reparação direta:

Valores indenizatórios

  • R$ 35 mil para pessoas e microempresas atingidas;
  • R$ 95 mil para pescadores e agricultores diretamente afetados.

Segundo o governo, cerca de 102 mil pessoas já receberam indenizações, de um total de 300 mil inscritos no programa.

Contribuições previdenciárias reconhecidas

Uma das medidas mais comemoradas foi o reconhecimento de tempo de contribuição ao INSS para pescadores impactados entre 2015 e 2024. As contribuições retroativas serão financiadas pela mineradora Samarco, permitindo aposentadoria e outros benefícios.

Populações tradicionais também serão beneficiadas

O acordo destina ainda R$ 7,8 bilhões para ações voltadas a povos indígenas, comunidades quilombolas e populações tradicionais impactadas pela lama de rejeitos que percorreu o Rio Doce.

Essas ações incluem:

  • Projetos de inclusão produtiva e renda;
  • Reconstrução de territórios;
  • Saneamento básico e saúde;
  • Resgate cultural e histórico.

Novo Acordo do Rio Doce: R$ 132 bilhões em 20 anos

O chamado Novo Acordo do Rio Doce estabeleceu um cronograma de 20 anos para execução de medidas reparatórias e compensatórias. Com valor total de R$ 132 bilhões, é um dos maiores acordos de reparação da história mundial.

Distribuição dos recursos

  • R$ 100 bilhões: projetos socioeconômicos, ambientais, infraestrutura e apoio a comunidades;
  • R$ 32 bilhões: reassentamento, recuperação de áreas degradadas, indenizações e restauração ambiental.

Cronograma de execução

A gestão do cronograma será feita por um comitê intergovernamental e por grupos técnicos nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Os projetos serão avaliados trimestralmente, com metas a serem cumpridas por etapa.

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O desastre de Mariana: uma década de impactos

O que aconteceu em 2015?

A barragem de Fundão, da mineradora Samarco (controlada por Vale e BHP Billiton), se rompeu em 5 de novembro de 2015, liberando mais de 40 milhões de m³ de rejeitos de mineração.

Consequências

  • 19 pessoas mortas;
  • 600 famílias desabrigadas;
  • Contaminação do Rio Doce em mais de 600 km;
  • 49 municípios impactados em Minas Gerais e Espírito Santo;
  • Prejuízos socioambientais incalculáveis.

Responsabilidades

Apesar das ações judiciais em andamento, o processo de responsabilização das mineradoras ainda avança lentamente. Com o novo acordo, o foco se desloca para garantir reparações efetivas aos atingidos.

Avanços e desafios na reconstrução

Embora o programa de auxílio seja considerado um avanço, especialistas apontam desafios:

Logística e acesso

O acesso ao auxílio exige cadastro prévio, documentação e participação ativa em reuniões dos comitês locais, o que pode dificultar a adesão de moradores de áreas remotas.

Acompanhamento técnico

A execução dos projetos de reparação socioeconômica exige articulação entre União, estados, municípios e representantes das vítimas, além de monitoramento técnico para garantir eficácia.

Expectativa dos beneficiários

Imagem de uma pessoa segurando um celular com a tela no app do "Auxílio Emergencial". Ao fundo, uma tela no site do auxílio.
Imagem: Sidney de Almeida / Shutterstock.com

Para os pescadores e agricultores familiares, o novo auxílio traz esperança.

“A gente foi esquecido por muitos anos. Agora parece que o governo tá olhando pra gente de verdade”, afirma José Alves, pescador de Colatina (ES).

“Com esse dinheiro, posso investir na lavoura, comprar equipamentos e tentar recomeçar”, relata Maria José, agricultora de Mariana (MG).

Imagem: Brenda Rocha – Blossom / Shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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