O tradicional Bahamas Hotel Club, conhecido há décadas como um dos mais icônicos clubes de entretenimento adulto de São Paulo, decidiu mudar o rumo de sua história. A empresa, agora sob o comando dos irmãos Aratã e Aruã Maroni, filhos do fundador Oscar Maroni, aposta em um novo segmento: o de alimentação delivery.
Bahamas Hotel Club diversifica negócios e lança serviço de delivery em SP
Após crise, Bahamas Hotel Club lança hamburgueria delivery em São Paulo e aposta em humor e qualidade para renovar sua marca.
A novidade se chama Bahamas Burger Club, uma hamburgueria com um cardápio ousado e nomes provocantes, mas com foco em qualidade gourmet e apelo de humor. Com isso, o grupo dá continuidade ao processo de reestruturação da marca e busca reconquistar relevância no cenário empresarial da capital paulista.
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Da noite para a cozinha: o nascimento do Bahamas Burger Club

A iniciativa surgiu como uma forma de aproveitar a cozinha reformada do Bahamas, que funciona até as 5h da manhã e tinha boa estrutura, mas estava subutilizada. “A ideia foi otimizar o espaço e criar uma nova fonte de receita com investimento reduzido”, explica Aratã Maroni.
O projeto nasceu em meio ao esforço dos irmãos para recuperar a saúde financeira e reputacional do grupo, após anos de crise e declínio do movimento. O resultado foi o Bahamas Burger Club, que une o DNA provocante do clube a uma proposta culinária de qualidade.
Os lanches receberam nomes sugestivos como “A Carne é Fraca”, “Noite Picante”, “Pecado Original” e “Ménage à Trois”, escolhidos para despertar curiosidade e manter o tom irreverente da marca.
“O sexo e o erotismo são temas delicados. Mas é o que faz parte da nossa identidade. Fingir que somos uma hamburgueria comum seria uma mentira. Preferimos assumir o humor e a irreverência, mas com foco na qualidade”, diz Aratã.
Delivery com conceito e propósito
Aproveitamento de estrutura e baixo investimento
A estratégia foi criar um negócio novo com baixo custo de entrada, utilizando a cozinha existente e as plataformas de entrega. A hamburgueria já opera no iFood, com preços a partir de R$ 38, e está com um volume de pedidos considerado satisfatório para a fase inicial.
Segundo Aratã, o retorno do investimento deve acontecer até fevereiro de 2026, e os recursos poupados serão aplicados em branding, divulgação e marketing digital, fortalecendo a nova fase da marca.
“Investimos pesado na reforma do Bahamas e na retomada da empresa. Agora, o foco é mostrar que conseguimos oferecer algo de qualidade, divertido e acessível para todos os públicos”, destaca o empresário.
Público-alvo mais amplo
Apesar de carregar o nome Bahamas, a nova hamburgueria quer atingir um público diverso — casais, famílias e curiosos que buscam um lanche gourmet com toque bem-humorado.
“Queremos que as pessoas vejam o Bahamas Burger Club com leveza. O apelo não é erótico, é divertido. O humor está nas entrelinhas, e o sabor é o que realmente importa”, explica Aratã.
A decisão de não criar uma marca totalmente nova também tem motivação estratégica. Para o empresário, o nome Bahamas, embora polêmico, ainda é forte e reconhecido no imaginário popular.
“Sempre haverá quem critique, mas o segredo do fracasso é tentar agradar todo mundo. Preferimos trabalhar com autenticidade e ressignificar a marca”, diz ele.
Próximos passos: restaurante com show e experiência temática

O sucesso inicial do delivery já inspira planos mais ambiciosos. O Bahamas Burger Club deve ganhar uma loja física em São Paulo em breve, com conceito inspirado em redes internacionais como o Hooters e o Hard Rock Café.
A proposta é criar um “restaurante show”, com decoração temática, música, humor e atendimento que mescla entretenimento e gastronomia. “São Paulo tem um turismo gigante, mas falta um lugar assim, divertido, sem ser vulgar. Queremos ocupar esse espaço”, explica Aratã.
O empresário enfatiza que a futura casa terá um ambiente para todos os públicos, mantendo a sensualidade como pano de fundo, mas sempre de forma leve, estética e respeitosa.
A reinvenção de um ícone da noite paulistana
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Três décadas de história e polêmicas
Fundado há mais de 30 anos, o Bahamas Hotel Club foi por muito tempo um dos endereços mais exclusivos da noite paulistana. Nos anos 1990 e início dos 2000, era frequentado por empresários, artistas e políticos — todos sob o manto da discrição.
Contudo, em 2007, a casa foi interditada pela prefeitura, sob alegação de operar com atividade divergente da autorizada. Após anos de disputas, reabriu em 2013, mas jamais recuperou o brilho dos tempos áureos.
Entre dívidas, escândalos e mudanças de comportamento social, o negócio foi minguando até que, em 2023, os filhos de Oscar Maroni decidiram assumir o controle e iniciar um processo de reestruturação.
Gestão de herança e reposicionamento de marca
Com Oscar Maroni afastado por motivos de saúde, Aratã e Aruã passaram a liderar a empresa em uma fase que mistura recuperação financeira e reinvenção conceitual.
A meta é transformar o Bahamas em uma marca de entretenimento multifacetada, explorando gastronomia, eventos, turismo e experiências. “Queremos ser lembrados não só como uma casa noturna, mas como um espaço de prazer em várias formas — seja música, humor ou comida”, afirma Aratã.
O plano é ambicioso: criar uma estrutura que funcione como uma “Disney do entretenimento adulto”, mas com foco em diversão, arte e experiência sensorial — e não apenas no apelo erótico.
O novo sabor do Bahamas
Com o Bahamas Burger Club, o grupo dá o primeiro passo concreto nessa nova fase. O negócio une empreendedorismo criativo, marketing de impacto e gastronomia gourmet, transformando um nome historicamente associado à noite em uma marca que conversa com a sociedade contemporânea.
Enquanto o delivery conquista espaço e fideliza clientes, os irmãos Maroni mostram que estão dispostos a recontar a história do Bahamas, agora sob um novo prisma — o do humor, da ousadia e da reinvenção empresarial.

