Banco Central confirma bloqueio de contas, cartões e PIX de ex-assessor de Moraes
O Banco Central (BC) informou oficialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF), na sexta-feira (1º), que cumpriu integralmente a ordem judicial emitida pelo ministro Alexandre de Moraes.
A ordem determinava o bloqueio de contas bancárias, cartões, ativos financeiros e chaves Pix de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do próprio ministro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O ofício confirma que as instituições financeiras foram notificadas e que o bloqueio foi executado em 31 de julho de 2025.
A decisão faz parte do Inquérito 12936/DF, que tramita sob sigilo no STF e apura o suposto vazamento de informações sigilosas, além de outros possíveis crimes cometidos por Tagliaferro durante o período em que atuou como assessor especial de enfrentamento à desinformação, no gabinete de Moraes.
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Entenda o caso: de assessor de Moraes a investigado pelo STF

Quem é Eduardo Tagliaferro?
Eduardo Tagliaferro é perito e foi assessor de confiança de Alexandre de Moraes, nomeado em 2022 para a chefia da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação no TSE.
Sua nomeação ocorreu durante o período em que Moraes presidia o tribunal, e seu papel era considerado estratégico no combate a fake news durante as eleições.
No entanto, a trajetória de Tagliaferro ganhou um rumo controverso a partir de 2023, quando foi exonerado do TSE após se envolver em um caso de violência doméstica.
A partir daí, passou a romper publicamente com Moraes e a alegar ter provas comprometedores sobre os bastidores do Supremo e do Tribunal Eleitoral.
Acusações e inquérito sigiloso
Em abril de 2025, Tagliaferro foi indiciado pela Polícia Federal por suspeita de vazamento de conversas internas entre servidores do STF e do TSE.
As informações teriam sido repassadas a terceiros sem autorização legal, configurando suposta violação de sigilo funcional, crime previsto no Código Penal com agravantes por envolvimento de instituições públicas.
O caso está sendo investigado sob sigilo e tramita no STF, com Alexandre de Moraes à frente da condução do inquérito.
Embora o conteúdo da decisão não tenha sido divulgado, o BC confirmou que todos os ativos financeiros associados ao CPF de Tagliaferro foram congelados, em cumprimento à ordem judicial.
A atuação do Banco Central no bloqueio
Ofício ao STF confirma ações
No documento enviado ao gabinete de Moraes, o Banco Central declarou que comunicou a todas as instituições financeiras sobre a necessidade de bloqueio das contas de Tagliaferro.
A operação incluiu o Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), responsável pelo mapeamento e gestão de chaves Pix em território nacional.
“As chaves Pix vinculadas ao CPF do investigado, registradas no DICT, foram bloqueadas por esta Autarquia em 31 de julho de 2025”, diz o ofício.
A medida visa impedir movimentações financeiras por parte do investigado e assegurar a integridade da apuração dos fatos, uma vez que recursos financeiros podem ser utilizados para obstruir a investigação, segundo fontes jurídicas.
Medida é legal, mas gera debates
Especialistas em direito constitucional afirmam que o bloqueio de contas e ativos é legalmente previsto, desde que haja fundamentação judicial adequada. No entanto, o caso reacende debates sobre os limites das decisões monocráticas no STF e o uso do sistema financeiro como instrumento de coerção judicial.
Reação da defesa e posicionamento do investigado
Defesa alega desconhecimento da decisão
A equipe de advogados de Tagliaferro informou que ainda não teve acesso à decisão completa que motivou o bloqueio. Segundo eles, a falta de transparência sobre os fundamentos da medida dificulta a apresentação de recursos e compromete o direito à ampla defesa.
O silêncio da defesa no momento se dá pela impossibilidade de análise jurídica da decisão sigilosa, mas os representantes prometem recorrer assim que obtiverem acesso formal ao processo.
Tagliaferro denuncia perseguição
Pelas redes sociais, Eduardo Tagliaferro acusou Alexandre de Moraes de perseguição pessoal e afirmou que sua vida foi “destruída” pelo ministro. Ele também prometeu divulgar documentos e provas sobre supostas irregularidades nos gabinetes do STF e do TSE.
“Logo eu estarei mostrando para o Brasil quem é Alexandre de Moraes, e os bastidores do seu gabinete”, declarou Tagliaferro.
A fala elevou o tom político do caso, que já vinha sendo tratado com cautela nos bastidores de Brasília por envolver um ministro do Supremo e seu antigo colaborador.
Histórico de polêmicas: prisão e violência doméstica
Exoneração após prisão em flagrante
Em maio de 2023, Eduardo Tagliaferro foi preso em flagrante por violência doméstica em Caieiras, na Grande São Paulo.
Segundo o boletim de ocorrência, ele teria ameaçado sua esposa e disparado uma arma de fogo dentro de casa, em meio a uma discussão. A mulher conseguiu fugir com as filhas e pediu medidas protetivas de urgência.
Após o episódio, Tagliaferro foi exonerado do cargo no TSE e passou a viver fora do Brasil, declarando residência na Itália. Lá, vem mantendo atividade pública ativa em redes sociais, com posicionamentos políticos e denúncias contra integrantes do Judiciário brasileiro.
O papel de Alexandre de Moraes no episódio
Ministro centraliza investigações sobre desinformação
Alexandre de Moraes tem sido figura-chave nos inquéritos envolvendo ataques às instituições democráticas, desinformação e tentativas de golpe no Brasil.
Desde 2019, acumula a relatoria de processos polêmicos e vem liderando ações que envolvem empresários, parlamentares e ex-integrantes do Judiciário.
Nesse contexto, a quebra com um ex-assessor próximo, como Tagliaferro, assume grande peso político e institucional, especialmente pela natureza do cargo ocupado e das informações a que ele teria tido acesso.
A escalada de conflitos entre Judiciário e ex-integrantes
O caso exemplifica uma crescente tensão entre o Judiciário e ex-servidores que, após deixarem os cargos, passam a criticar de forma contundente os ministros da Corte.
Moraes, ao assumir a frente das investigações e determinar medidas restritivas como o bloqueio financeiro, reforça sua postura de tolerância zero com vazamentos e ataques institucionais.
Consequências jurídicas e políticas
Possível pedido de extradição?
Dado que Tagliaferro reside atualmente na Itália, especialistas avaliam a possibilidade de o Brasil solicitar cooperação internacional ou até mesmo um pedido formal de extradição, caso o inquérito evolua para denúncia formal e mandado de prisão.
No entanto, o processo pode ser complexo, exigindo provas robustas, já que a Itália costuma ser cautelosa em extraditar cidadãos que alegam perseguição política.
Repercussão no meio político
O caso também reverberou no Congresso Nacional. Deputados da oposição ao STF levantaram suspeitas sobre o “alcance” das decisões do Judiciário. Já parlamentares alinhados à Corte defenderam a medida como necessária para proteger a institucionalidade do Estado.
Conclusão
O bloqueio das contas e das chaves Pix de Eduardo Tagliaferro marca mais um capítulo da intensa atuação do Supremo Tribunal Federal na repressão a vazamentos e desinformação, com Alexandre de Moraes no centro das decisões.
O envolvimento direto de um ex-assessor de confiança torna o episódio ainda mais sensível, com implicações jurídicas, políticas e institucionais.
Enquanto o processo segue sob sigilo, o caso deve continuar ganhando espaço no debate público, especialmente em meio ao atual clima de polarização política e desconfiança entre Poderes.
A atuação do Banco Central, por sua vez, reforça a eficácia e agilidade dos mecanismos de cooperação institucional no combate a crimes de alta complexidade.