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Os resultados referentes ao segundo trimestre do ano foram divulgados pelo Banco Inter no início da semana passada, sendo o primeiro balanço da empresa após a migração das ações para a bolsa americana Nasdaq. Desde então, os papéis da holding da instituição, a Inter&Co, disparam quase 12%.
Esse primeiro resultado foi bem recebido pelo mercado. O lucro líquido foi de R$ 15,52 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 30,49 milhões registrado no mesmo período de 2021. As receitas brutas da holding foram de R$ 1,46 bilhão, uma alta de 130% na comparação anual. As receitas líquidas foram de R$ 877 milhões, disparando 88%.
Diante dos caminhos abertos por conta dos números positivos, o Inter agora deve começar a traçar uma estratégia para um grande desafio: poder crescer de forma sustentável, equilibrando as despesas e, simultaneamente, não deixando de avançar. A empresa pretende balancear os gastos, buscando participação de mercado e monetização.
Sinal de que o Inter está vivendo um novo momento
Índice de eficiência: esse é o principal sinal de que o Inter está vivendo um novo momento. O índice divide as despesas pelas receitas de um banco, sendo assim possível calcular qual o custo para a receita.
Quanto menor o número apontado, melhor para o banco, e é por isso que o Inter vê o índice como principal característica para o seu novo status, uma vez que o índice de eficiência da empresa caiu 19,1 p.p., saindo de 90,7% para 71,5%.
Do ponto de vista de Helena Caldeira, CFO do Inter, a redução é considerada um ponto de inflexão para a trajetória da instituição, que está entrando em uma fase de consolidação e avançando.
“Investimos muito nos últimos anos em ter uma plataforma completa e agora estamos em um momento alavancar crescimento em participação de mercado e monetizar as diversas linhas de negócio que temos”, avalia Caldeira em entrevista à EXAME Invest.
Principal fonte de receita do Inter
A principal fonte de receita do Inter ainda é o oferecimento de crédito, principalmente via cartão, empréstimo consignado e crédito imobiliário. A carteira bruta de crédito do banco passou dos R$ 19 bilhões em operações no segundo trimestre. O resultado equivale a um aumento de 55,5% em um ano.
O NPL, principal índice de inadimplência, foi de 3,9% no trimestre para os atrasos acima de três meses, crescimento de 0,9 p.p. em um ano. Helena ressalta que esse indicador ainda pode crescer levando em conta que a carteira está avançando mais lentamente. No entanto, a CFO do Inter avalia que a tendência de crédito futuro está ficando melhor.
“O pior em inadimplência ficou para trás no sentido que temos olhado para indicadores antecedentes, de curto prazo, e vendo uma melhoria da performance dos clientes desses créditos. Então a nossa expectativa é que o indicador vá caminhando de forma mais positiva”, diz Helena.
Receita média mensal por cliente ativo reduz, mas com uma explicação
A receita média mensal por cliente ativo (ARPAC em inglês) foi de R$ 32 no segundo trimestre de 2022, aumento de 16,1% na comparação anual e uma queda de 4,2% frente ao primeiro 1° deste ano. Para Santiago Stel, diretor de estratégia e relações com investidores, a redução ocorre por conta do ciclo do cliente do Inter dentro da plataforma.
“Um cliente com início de relacionamento em 2018 tem hoje um ARPAC de R$ 50, enquanto os que abrem conta agora iniciam com uma receita de R$ 5 a R$ 10 por mês. Temos um ritmo de crescimento elevado com o passar do tempo”, conta em entrevista à EXAME Invest.
O diretor de estratégia e relações com investidores espera que os clientes mais recentes se igualem aos antigos no que diz respeito à receita. No entanto, a expectativa é que isso aconteça sem que os usuários antigos tenham chegado a um “platô”.
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Imagem: Divulgação / Banco Inter
