O Banco Itaú Consignado S/A foi autuado pelo Procon-SP e recebeu uma multa superior a R$ 5,8 milhões por realizar descontos indevidos nas contas correntes de diversos consumidores. A sanção teve origem em inúmeras denúncias de beneficiários que afirmaram não ter autorizado os contratos de empréstimos consignados que geraram os débitos.
Itaú é multado em R$ 5 milhões pelo Procon-SP por empréstimos consignados irregulares
Procon-SP multa o Banco Itaú em mais de R$ 5 milhões por descontos indevidos em contas de clientes sem autorização em contratos consignados.
Segundo o órgão de defesa do consumidor, a conduta do banco fere diretamente as disposições do Código de Defesa do Consumidor (CDC), sobretudo no que diz respeito à segurança e transparência na prestação de serviços financeiros. O processo administrativo culminou na aplicação da multa após análise da gravidade da infração e do porte econômico do banco.
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Descontos indevidos geraram reclamações formais

Contratos não autorizados de consignado foram o estopim
De acordo com as investigações do Procon-SP, o Itaú Consignado permitiu a formalização de contratos de empréstimos com débito automático diretamente em contas correntes, sem que houvesse autorização dos titulares. A maior parte das queixas veio de consumidores que já eram clientes da instituição financeira e foram surpreendidos com descontos recorrentes em suas contas.
Esses relatos deram início à apuração do Procon, que resultou em um processo administrativo contra o banco. Em nota, o órgão afirmou que as práticas apuradas violam princípios fundamentais do CDC, como o respeito à dignidade do consumidor e o direito à informação clara e adequada.
Procon-SP fala em violação da boa-fé e transparência
Instituição não garantiu a segurança dos serviços
O Procon-SP destacou que o Itaú falhou ao não garantir os padrões mínimos de segurança exigidos para a contratação de serviços como o crédito consignado. Na avaliação do órgão, a instituição expôs os consumidores a riscos financeiros sem a devida verificação de consentimento, em desacordo com a legislação vigente.
Além disso, a ausência de canais eficazes para contestação dos débitos foi vista como agravante. Em muitos casos, os consumidores não conseguiam reverter os descontos nem obter informações claras sobre a origem dos valores retirados.
Multa ultrapassa R$ 5,8 milhões
Valor foi calculado com base no Código de Defesa do Consumidor
A penalidade de R$ 5.842.228,84 foi estipulada com base em critérios legais previstos no Código de Defesa do Consumidor. Entre os fatores levados em conta estão o porte econômico do Banco Itaú, a gravidade da infração e o número de consumidores atingidos pela conduta irregular.
O Procon-SP ressalta que a finalidade da multa não é apenas punitiva, mas também pedagógica: visa inibir a repetição da prática e estimular o cumprimento das normas que protegem o consumidor no mercado financeiro.
A instituição tem o direito de recorrer da decisão administrativa e, até o momento, não apresentou manifestação oficial.
Empréstimo consignado: o que é e quais cuidados tomar
Modalidade exige autorização expressa do consumidor
O empréstimo consignado é uma forma de crédito em que as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento ou do benefício do INSS. Essa característica reduz o risco de inadimplência para os bancos e permite a concessão de taxas de juros mais baixas.
No entanto, esse tipo de contrato exige autorização expressa e consciente do tomador. Sem isso, o desconto passa a ser considerado indevido, violando os direitos básicos do consumidor.
Dicas para evitar golpes e abusos
- Leia atentamente o contrato antes de assinar
- Nunca forneça dados pessoais ou bancários por telefone
- Desconfie de ofertas muito vantajosas ou urgentes
- Utilize canais oficiais para contratação de crédito
- Em caso de dúvidas, procure o Procon ou defensorias públicas
Posicionamento do banco ainda não foi divulgado

Itaú foi contatado, mas não respondeu até o fechamento da reportagem
A reportagem entrou em contato com a assessoria do Banco Itaú para obter esclarecimentos sobre o caso. Até o momento, não houve retorno oficial. O espaço permanece aberto para manifestações futuras da instituição.
Enquanto isso, o Procon-SP segue orientando consumidores que tenham sido afetados por práticas semelhantes a procurarem os canais de atendimento para registro de queixa e solicitação de providências.
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Penalizações anteriores ao setor financeiro
Não é a primeira vez que bancos enfrentam sanções do Procon
O setor bancário frequentemente figura entre os mais reclamados nos registros do Procon-SP. Instituições como Caixa Econômica Federal, Bradesco e Santander já foram alvo de multas em situações envolvendo empréstimos não autorizados, cobrança de tarifas indevidas e descumprimento de contratos.
Essas penalidades mostram que, apesar da existência de mecanismos regulatórios, ainda há falhas graves no cumprimento das normas de proteção ao consumidor, especialmente entre os públicos mais vulneráveis, como aposentados e beneficiários de programas sociais.
O que o consumidor deve fazer em caso de desconto indevido
Passo a passo para reagir à cobrança não autorizada
- Verifique extratos bancários detalhadamente
Observe qualquer movimentação desconhecida ou cobrança não identificada. - Solicite informações ao banco
Entre em contato pelos canais oficiais e peça explicações formais. - Formalize reclamação no Procon
Leve cópias de documentos e comprovantes ao órgão estadual. - Registre ocorrência na ouvidoria do banco
Todos os bancos têm ouvidorias obrigatórias por norma do Banco Central. - Busque ajuda jurídica
Caso não obtenha solução, acione um advogado ou a defensoria pública para medidas judiciais.
Reflexões sobre a responsabilidade das instituições financeiras

O papel dos bancos vai além do lucro
Casos como o do Itaú reacendem o debate sobre a responsabilidade social dos bancos, principalmente em relação à clareza dos contratos, à proteção dos dados dos clientes e ao acesso facilitado a crédito por pessoas em situação de vulnerabilidade.
Embora o crédito consignado seja legal e útil em muitos casos, sua má utilização, especialmente sem autorização ou transparência, representa uma grave violação da confiança do consumidor. Cabe às instituições financeiras repensarem suas práticas e reforçarem a segurança dos seus serviços.
Conclusão
O caso envolvendo o Banco Itaú e os descontos indevidos evidencia a importância da fiscalização ativa e da defesa dos direitos do consumidor, especialmente em operações financeiras sensíveis como o crédito consignado. A multa aplicada pelo Procon-SP reforça que práticas irregulares não podem ser toleradas, mesmo por grandes instituições. Para os consumidores, fica o alerta: é fundamental estar atento aos extratos bancários, conhecer seus direitos e não hesitar em denunciar abusos. A transparência e o respeito ao consentimento são pilares que não podem ser ignorados no relacionamento entre bancos e clientes.
