O Banco Meridional do Brasil S/A é mais do que uma lembrança afetiva para milhares de gaúchos. Ele representa um capítulo importante da história bancária brasileira, nascido em um momento de instabilidade, mas construído com confiança popular, apoio político e forte simbolismo regional.
Inaugurado em 12 de agosto de 1985, já com 378 agências, o banco tornou-se, desde o primeiro dia, um ícone de resiliência econômica.
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Intervenção nos conglomerados em colapso
O nascimento do Meridional foi consequência direta da intervenção do Banco Central em dois importantes conglomerados financeiros do Sul: o Banco Habitasul e o Banco Sulbrasileiro. Ambos enfrentavam sérios problemas de liquidez, deixando milhares de clientes à beira do desespero.
Com a publicação da lei federal de maio de 1985, a União foi autorizada a desapropriar ações dessas instituições em crise, injetar recursos e fundir suas estruturas para criar um novo banco público: o Meridional.
Um novo começo: a inauguração em agosto de 1985
A alegria no atendimento
Na manhã de segunda-feira, 12 de agosto de 1985, as telefonistas do novo banco não escondiam a empolgação. Ao atenderem ligações, diziam com entusiasmo:
— Bom dia. Banco Meridional do Brasil S/A conta com você.
A sede do banco foi estabelecida em Porto Alegre, e a agência matriz, localizada na Praça da Alfândega, foi palco de festa e esperança. A movimentação foi intensa. Filas se formaram e milhares de ex-clientes dos bancos antigos reativaram suas contas.
Um símbolo de confiança: R$ 150 milhões em um único dia
Logo no primeiro dia de operação, o Meridional captou Cr$ 55 bilhões em depósitos, valor que, corrigido pela inflação, equivale hoje a cerca de R$ 150 milhões. O número superou todas as expectativas e mostrou que a população gaúcha estava disposta a acreditar na nova instituição.
Mobilização social e apoio político
Uma luta que uniu bancários, empresários e cidadãos
A fundação do Meridional não foi apenas um arranjo técnico. Foi o resultado de uma mobilização intensa da sociedade civil gaúcha, que envolveu:
- Acampamentos em Brasília;
- Vigílias de bancários e sindicatos;
- Apoio da classe empresarial e política do Sul.
A liderança de Sinval Guazzelli
No comando do novo banco, o primeiro presidente foi Sinval Guazzelli, ex-governador do Rio Grande do Sul. Sua escolha reforçava a identidade regional do Meridional e a ideia de que ele representava os interesses dos gaúchos.
A reestruturação financeira: união de capitais públicos e privados
Acordo com investidores
Uma medida inovadora deu solidez ao banco: milhares de investidores assinaram uma carta de opção que converteu 40% de suas aplicações nos bancos extintos em ações do Meridional. Os 60% restantes foram reescalonados para pagamento futuro.
Esse mecanismo permitiu que:
- Cr$ 400 bilhões fossem incorporados como capital dos investidores;
- Cr$ 900 bilhões fossem aportados pela União Federal.
A fusão teve respaldo técnico e político e permitiu sanar as feridas financeiras deixadas pelos bancos anteriores.
O primeiro cliente e a retomada de antigos correntistas
Jair Soares, o primeiro a abrir conta
O governador do Estado à época, Jair Soares, fez questão de ser o primeiro cliente a abrir conta no banco, ato simbólico que reforçou o apoio institucional ao Meridional.
Histórias que marcaram
Entre os antigos correntistas que voltaram ao banco estava o bancário aposentado Astúrio Falkenbach, de 86 anos. Ele havia ingressado no Banco Nacional do Comércio em 1918, uma das instituições que formaram o Sulbrasileiro.
“Entrei no Banco do Comércio em 13 de outubro de 1918 e me aposentei em 1968. Até hoje mantenho minha conta”, contou à reportagem de Zero Hora.
O fim da era pública: privatização e venda ao Santander
Leilão em 1997
Após mais de uma década operando como banco federalizado, o Meridional foi privatizado em 1997, durante o programa de desestatizações do governo federal. O banco foi adquirido pelo Banco Bozano, Simonsen, em leilão realizado pela União.
Venda ao Santander em 2000
Três anos depois, em 2000, o grupo Bozano foi adquirido pelo Banco Santander, que passou a controlar o Meridional. A marca foi gradualmente absorvida pela identidade visual e estrutura do grupo espanhol, encerrando oficialmente a trajetória institucional do Meridional como entidade autônoma.
Legado e memória do Banco Meridional
Orgulho regional e símbolo de superação
Mesmo após mais de duas décadas desde sua extinção, o Banco Meridional permanece vivo na memória de ex-funcionários, ex-clientes e do povo gaúcho. Para muitos:
- Foi o primeiro emprego no setor bancário;
- Foi a primeira conta bancária aberta por jovens e famílias;
- Foi símbolo de orgulho regional e de reconstrução coletiva após uma crise financeira grave.
Considerações finais
O Banco Meridional foi um produto da necessidade, mas tornou-se um símbolo de esperança e competência regional. Sua criação, impulsionada pela mobilização popular e apoio político, representa um dos capítulos mais marcantes da história econômica do Sul do Brasil.
O sucesso da operação em seu primeiro dia, a rápida captação de recursos e a reativação das contas dos antigos clientes demonstraram o potencial de confiança que um banco pode gerar quando tem suas raízes fincadas na comunidade que serve.
Mesmo após sua absorção pelo setor privado e desaparecimento da marca, o Meridional permanece como patrimônio afetivo e histórico de gerações que vivenciaram sua fundação, crescimento e legado.

