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Clientes vítimas de roubo de celular devem ser ressarcidos por bancos, dizem especialistas

Com o aumento de roubos de celulares, cresce o debate sobre a responsabilidade dos bancos em transações fraudulentas. Saiba quando o cliente pode exigir ressarcimento.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
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Com o aumento de casos de roubo de celular, cresce também a preocupação com a segurança das finanças digitais. A popularização dos aplicativos bancários fez com que milhões de brasileiros passassem a realizar transações financeiras diretamente pelo celular — como pagamentos, transferências via PIX e consultas ao extrato.

No entanto, esse avanço tecnológico também trouxe vulnerabilidades, especialmente quando criminosos acessam aplicativos bancários em dispositivos roubados, gerando prejuízos significativos e levantando um debate sobre a responsabilidade dos bancos nesses casos.

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A responsabilidade dos bancos em casos de roubo de celular

Vivo
Imagem: cunaplus / shutterstock.com

Acesso indevido aos aplicativos bancários

Em muitos casos, criminosos que conseguem acesso aos celulares desbloqueados ou que possuem senhas armazenadas no aparelho utilizam esse privilégio para realizar transferências via PIX, pagar boletos ou até mesmo contratar empréstimos em nome da vítima.

Essa prática tem se tornado frequente em grandes centros urbanos e, muitas vezes, o prejuízo só é notado horas depois, quando o usuário tenta recuperar a conta.

Especialistas em Direito do Consumidor apontam que, mesmo quando há algum descuido do cliente, os bancos têm o dever de garantir a segurança das operações realizadas em suas plataformas. Isso porque, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), instituições financeiras têm responsabilidade objetiva, ou seja, respondem independentemente de culpa em situações nas quais não garantem a prestação segura do serviço.

Procon-SP defende consumidores

De acordo com Guilherme Farid, diretor do Procon-SP, há quadrilhas especializadas em roubo e uso indevido de aplicativos bancários. Segundo ele, muitas dessas transações são autorizadas mesmo após o cliente comunicar o banco sobre o roubo, o que demonstra falhas nos protocolos de segurança.

“É inaceitável que uma pessoa tenha prejuízos de milhares de reais mesmo após a notificação à instituição”, disse Farid ao jornal Extra.

O Procon-SP reforça que o cliente não precisa registrar um boletim de ocorrência imediatamente para comunicar o banco e tentar bloquear as transações. A recomendação é agir com a maior rapidez possível para tentar evitar movimentações indevidas.

Decisões judiciais reforçam responsabilidade dos bancos

iPhone
Imagem: chainarong06 / Shutterstock.com

Caso de cliente que perdeu R$ 30 mil após roubo

Um dos casos que ganhou destaque recente foi o de uma mulher que perdeu cerca de R$ 30 mil após ter o celular roubado. Com o acesso ao aplicativo bancário, os criminosos realizaram diversas transações. Mesmo após a vítima comunicar o banco, os valores continuaram sendo transferidos.

A 12ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) considerou que houve falha na prestação do serviço e determinou que o banco restituísse o valor roubado e pagasse indenização por danos morais.

Súmula 479 do STJ fundamenta decisões

Esse tipo de decisão tem se amparado na Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que afirma:

“As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.”

A súmula reconhece que golpes e fraudes estão dentro do risco do negócio bancário, e que é responsabilidade da instituição adotar meios eficazes de segurança para proteger seus clientes.

Como os bancos justificam a falta de ressarcimento?

Alegações frequentes das instituições financeiras

Em sua defesa, os bancos costumam alegar:

  • Culpa exclusiva do cliente, por não ter bloqueado o aparelho a tempo.
  • Uso indevido de senhas armazenadas, ou ausência de biometria ativa.
  • Falha na comunicação da vítima, que teria demorado para relatar o crime.

Contudo, especialistas afirmam que essas justificativas não se sustentam quando as plataformas bancárias não conseguem identificar padrões atípicos de uso ou permitirem transações de valores elevados sem verificação adicional.

Opinião de especialistas em Direito Digital

Para o advogado Alexandre Berthe Pinto, que atuou em um dos casos julgados pelo TJ-SP, o ponto central da discussão é a fragilidade dos sistemas bancários frente a golpes conhecidos.

“A segurança do cliente deve ser a prioridade. Os bancos sabem que isso acontece e devem prevenir”, afirmou em entrevista ao site Consultor Jurídico.

O que o consumidor deve fazer em caso de roubo?

Medidas imediatas após o crime

Em caso de roubo do celular, é essencial que o consumidor:

  1. Bloqueie o aparelho remotamente, por meio de plataformas como “Encontre meu iPhone” (Apple) ou “Encontre meu dispositivo” (Google).
  2. Comunique imediatamente o banco, solicitando o bloqueio de operações.
  3. Altere todas as senhas de acesso às contas bancárias e redes sociais.
  4. Registre um boletim de ocorrência, preferencialmente em delegacia especializada.
  5. Acompanhe o extrato bancário, buscando por movimentações suspeitas.

Como buscar ressarcimento

Se, mesmo após a comunicação, houver prejuízos, o cliente pode:

  • Acionar o Procon de sua cidade;
  • Registrar reclamação no site do Banco Central;
  • Buscar orientação jurídica com advogado ou defensor público;
  • Ingressar com ação judicial pedindo restituição e indenização.

Segurança bancária: o que os bancos precisam melhorar

roubo de celular
Imagem: The Yuri Arcurs Collection – Freepik

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Autenticação reforçada

Apesar da biometria e autenticação em dois fatores estarem presentes em muitos aplicativos bancários, ainda existem brechas. Transações de alto valor, por exemplo, podem não exigir verificações adicionais, o que facilita o golpe.

Monitoramento inteligente de fraudes

Algumas instituições já utilizam inteligência artificial para detectar comportamentos fora do padrão do cliente, como transferências fora do horário habitual, uso de outro aparelho ou tentativa de acesso em localidade diferente. No entanto, nem todos os bancos adotam esse tipo de tecnologia de forma eficaz.

Transparência e educação

Muitos consumidores desconhecem os recursos de segurança disponíveis. Por isso, especialistas recomendam que os bancos invistam em campanhas educativas, alertando sobre os riscos e orientando sobre boas práticas no uso do celular.

Cresce a demanda por legislação mais rígida

Projetos de lei em tramitação

Com o crescimento dos casos, parlamentares têm discutido projetos que obrigam bancos a implementar medidas adicionais de segurança, principalmente para o uso de PIX e empréstimos digitais.

Além disso, há propostas que visam responsabilizar criminalmente quem se aproveita de dispositivos roubados para acessar dados bancários.

Exemplo internacional

Em países como o Reino Unido, as instituições financeiras são obrigadas a realizar devoluções automáticas em casos de fraude comprovada, e o ônus da prova é da empresa, não do cliente.

O que os clientes podem fazer para se proteger?

Dicas práticas

  • Não salve senhas nos navegadores ou aplicativos.
  • Use biometria sempre que possível.
  • Ative a verificação em duas etapas para todas as plataformas.
  • Evite anotar informações bancárias no bloco de notas do celular.
  • Desinstale aplicativos bancários ao sair de casa, em áreas de risco.
  • Mantenha seu sistema operacional sempre atualizado.

Considerações finais: a quem cabe o prejuízo?

A revolução digital no setor bancário trouxe conveniência, mas também desafios de segurança que não podem ser ignorados. Quando um cliente é roubado e sofre perdas financeiras por falhas no sistema de proteção, é dever da instituição bancária garantir o ressarcimento.

O entendimento jurídico caminha nesse sentido, com base em princípios do Código de Defesa do Consumidor e na jurisprudência de tribunais superiores. Enquanto isso, bancos, clientes e autoridades precisam trabalhar em conjunto para fortalecer os mecanismos de proteção e impedir que criminosos se aproveitem das falhas digitais.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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