O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, quebrou o silêncio neste domingo (13) ao rebater críticas feitas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e defender a atuação do Judiciário brasileiro. Em carta pública intitulada “Em defesa da Constituição, da democracia e da justiça”, Barroso afirmou que as recentes sanções comerciais impostas ao Brasil se baseiam em uma “compreensão imprecisa dos fatos”.
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O anúncio da tarifa
No dia 9 de julho, Trump anunciou, por meio da plataforma Truth Social, uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, alegando irregularidades no julgamento do plano de golpe relacionado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, o processo seria uma “vergonha internacional” e evidência de censura judicial.
A resposta brasileira
Embora Barroso destaque que cabe ao Poder Executivo responder diplomaticamente às sanções, decidiu manifestar-se, dias depois, com o objetivo de restabelecer os fatos e proteger a legitimidade das instituições brasileiras.
Julgamento do plano de golpe está em curso
Processo segue rito legal
Barroso esclareceu que o julgamento citado por Trump ainda está em andamento. A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi aceita com base em “indícios sérios de crime”, o que é procedimento comum em processos penais. Ele reforçou que os acusados estão sendo representados por advogados qualificados e que o direito à ampla defesa está sendo respeitado.
Provas reunidas no processo
Segundo o presidente do STF, há nos autos “confissões, áudios, vídeos, textos e outros elementos” que sustentam a apuração judicial. “Se houver provas, os culpados serão responsabilizados. Se não houver, serão absolvidos. Assim funciona o Estado Democrático de Direito”, afirmou.
Acusações de censura digital são rebatidas
Plataformas e regulação judicial
Trump também acusou o STF de emitir ordens de censura “secretas e ilegais” a plataformas digitais como X (antigo Twitter) e Rumble. No entanto, Barroso relembrou que todas as decisões da Suprema Corte seguem preceitos constitucionais e que, ao contrário do alegado, o Brasil preserva a liberdade de expressão e de imprensa.
Liberdade defendida em decisões do STF
O ministro destacou que o STF já declarou inconstitucionais a antiga Lei de Imprensa da ditadura, normas eleitorais que restringiam o humor político e proibições a biografias não autorizadas. Ele também mencionou a proteção garantida a jornalistas contra assédio judicial.
Democracia versus autoritarismo: lições da história
Relembrando os tempos de exceção
Na carta, Barroso afirmou que, ao contrário do que se viu durante o regime militar, o Brasil atual não persegue opositores, não censura meios de comunicação e assegura a liberdade de expressão. “Na ditadura, houve tortura, desaparecimentos, fechamento do Congresso e perseguição a juízes. Hoje, todos os meios circulam livremente”, reforçou.
O papel do STF em uma democracia
Para Barroso, o STF tem atuado em defesa de três pilares essenciais: garantir o governo da maioria, proteger o Estado democrático de direito e resguardar os direitos fundamentais. Ele frisou que a Corte aceita críticas, inclusive públicas, como parte do funcionamento saudável de uma democracia.
Regulação digital com equilíbrio

Uma abordagem moderada
O presidente do STF disse que o Brasil adotou um dos modelos mais equilibrados do mundo em relação ao controle de conteúdos online. Segundo ele, o país escapou dos extremos e optou por uma abordagem técnica:
- Notificação privada: para remoção de conteúdos com indícios de crimes comuns.
- Prevenção automática: no caso de conteúdos envolvendo crimes graves, como pornografia infantil e terrorismo.
- Ordem judicial obrigatória: para a maioria dos casos, incluindo crimes contra a honra.
Comparação internacional
Barroso afirmou que a regulação adotada é “menos rigorosa que a europeia” e busca preservar a liberdade de expressão, imprensa e empresa, alinhando-se aos valores constitucionais brasileiros.
Reações e repercussão
Alinhamento político e diplomático
Nos bastidores, a reação do ministro é vista como uma tentativa de frear a escalada retórica em torno das relações Brasil-Estados Unidos. A resposta firme, mas institucional, tem sido elogiada por juristas e entidades da sociedade civil, que temem os efeitos econômicos e diplomáticos das declarações de Trump.
STF e sua imagem no exterior
Especialistas avaliam que o pronunciamento de Barroso tem também um efeito externo: reforçar a imagem do STF como uma corte comprometida com o devido processo legal e com os princípios democráticos, frente às acusações de censura e perseguição judicial.
