A taxa de juros no Brasil deve continuar em patamar elevado até 2026, segundo estimativa de Ricardo Serone, Diretor Financeiro e de Investimentos da BB Previdência.
Após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a Selic para 15% na quarta-feira (18), a perspectiva é de que a queda dos juros só ocorra no próximo ano.
Leia mais:
Entenda como o Pix Automático funciona e quando utilizar
Servidores podem ficar sem o pagamento do Pasep; entenda
Inflação resiliente mantém juros altos

Mesmo com a desaceleração da inflação em maio e as expectativas do mercado em queda para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação permanece acima do teto da meta estipulado pelo Banco Central.
“A inflação está resiliente, acima do teto da meta, o que deve manter os juros em patamar elevado por mais tempo”, explica Serone.
Incertezas fiscais e economia aquecida sustentam cenário
Entre os fatores que contribuem para a manutenção da taxa de juros elevada estão as incertezas relativas ao equilíbrio fiscal brasileiro, o mercado de trabalho aquecido e a atividade econômica que segue firme. “A perspectiva é que a taxa comece a cair somente a partir de 2026”, reforça o diretor.
Dados recentes da inflação e cenário internacional
IPCA desacelera, mas ainda preocupa
Em maio, o IPCA registrou aumento de 0,26%, menor que o mês anterior, mas acumulou alta de 2,75% no ano e 5,32% nos últimos 12 meses, superando o teto da meta, que é de 4,5%.
Essa desaceleração foi influenciada pela queda nos preços dos alimentos e combustíveis, porém, fatores externos e domésticos podem pressionar os índices novamente.
Geopolítica e energia: riscos para o índice de preços
O aumento das tensões no Oriente Médio tem impacto direto nos preços do petróleo, que pode refletir no índice de inflação caso os conflitos persistam. Além disso, a cobrança da bandeira vermelha na conta de energia elétrica a partir deste mês também deve pressionar os custos.
“A inflação de demanda resistente, especialmente nos serviços, também é preocupante, impulsionada por medidas governamentais de estímulo econômico”, observa Serone.
Dólar e juros internacionais influenciam o cenário local
As projeções para o dólar apontam para uma leve redução, com a moeda sendo cotada a R$ 5,77. Entretanto, uma queda mais significativa da taxa de juros nos Estados Unidos ainda não ocorreu, o que impede um impacto maior sobre a taxa doméstica.
“Quando vier acompanhada de uma redução nas taxas de juros dos EUA, a moeda americana mais fraca tende a refletir positivamente na taxa de juros local”, explica Serone.
Projeções do PIB e perspectivas econômicas
Boletim Focus indica crescimento do PIB em 2025 e 2026
O Boletim Focus, que reúne projeções de economistas, tem aumentado as expectativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Para 2025, a previsão é de alta de 2,20%, enquanto para 2026 a projeção subiu para 1,83%.
Já para 2027, a estimativa se mantém em 2%. Esse cenário de crescimento reforça a pressão sobre a inflação e, consequentemente, sobre a manutenção da taxa de juros.
Impactos da taxa de juros na previdência privada
Investimentos em renda fixa ganham destaque
Com a Selic no atual patamar de 15%, os fundos de pensão e planos de previdência, como os geridos pela BB Previdência, mantêm forte alocação em investimentos de renda fixa.
“Esses ativos garantem bons retornos acima da inflação e apresentam menor volatilidade em comparação a outras modalidades”, destaca Ricardo Serone.
Próxima ata do Copom será decisiva
A expectativa é que a próxima ata do Copom forneça diretrizes mais claras sobre a política monetária futura, influenciando possíveis ajustes nas carteiras de investimentos.
Apesar disso, as carteiras dos planos de previdência estão bem posicionadas para aproveitar as altas taxas de curto e longo prazo, com títulos que oferecem ganhos reais acima de 7% ao ano.
BB Previdência: perfil e atuação
Uma das principais gestoras de previdência complementar do país
Fundada em 1994, a BB Previdência faz parte do conglomerado do Banco do Brasil e tem como propósito ajudar seus participantes a planejarem um futuro financeiro mais seguro.
Atualmente, administra 42 planos de benefícios, com uma carteira que reúne mais de 265 mil participantes e R$ 9,2 bilhões em ativos sob gestão.
Transformação digital e foco na excelência
Nos últimos anos, a entidade vem investindo em inovação e transformação digital, buscando aprimorar a experiência dos clientes e a eficiência dos serviços oferecidos.
Análise do cenário econômico e financeiro
Selic alta para controlar inflação
A elevação da taxa básica de juros para 15% visa frear a inflação persistente e manter a credibilidade do Banco Central frente ao mercado. Juros altos encarecem o crédito, desestimulam o consumo excessivo e pressionam a queda dos preços.
Desafios fiscais reforçam incertezas
O desafio do equilíbrio fiscal brasileiro, com a necessidade de ajustes nas contas públicas, mantém a atenção dos investidores e da autoridade monetária, contribuindo para o prolongamento do ciclo de juros elevados.
Mercado atento às próximas decisões
O mercado financeiro está de olho na próxima ata do Copom, que deve sinalizar a tendência da política monetária nos próximos meses, afetando decisões de investimentos e perspectivas econômicas.
Conclusão
Juros só devem cair em 2026, mantendo renda fixa em destaque
A projeção da BB Previdência confirma a visão de que a taxa Selic permanecerá elevada até 2026, devido à inflação resiliente e ao cenário fiscal e econômico incerto.
Enquanto isso, investimentos em renda fixa continuarão sendo a principal estratégia para fundos de previdência, oferecendo segurança e rentabilidade.
Expectativa para o futuro
Com a economia brasileira apresentando crescimento moderado e a inflação ainda acima da meta, a cautela permanece. Os investidores e gestores de planos de previdência devem acompanhar de perto os indicadores econômicos e as decisões do Banco Central para ajustar suas estratégias.