O Banco Central (BC) anunciou nesta quinta-feira (11) uma nova medida que altera a forma como instituições financeiras deverão lidar com contas suspeitas de envolvimento em fraudes. A norma, que já entrou em vigor, obriga bancos, fintechs e demais instituições de pagamento a rejeitar transações destinadas a contas identificadas como suspeitas.
BC determina que bancos bloqueiem pagamentos suspeitos para proteger clientes
BC aprova norma que obriga instituições financeiras a bloquear pagamentos para contas suspeitas de fraude.
Segundo a autarquia, a mudança abrange todos os instrumentos de pagamento — do PIX aos cartões de débito e crédito, passando por boletos e transferências eletrônicas tradicionais (TED e DOC).
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Como a medida vai funcionar
Critérios para identificar contas suspeitas
As instituições financeiras deverão adotar critérios objetivos e tecnológicos para avaliar se determinada conta está vinculada a práticas fraudulentas. Entre os instrumentos de análise, estão:
- Sistemas eletrônicos internos de monitoramento;
- Bases de dados públicas e privadas;
- Informações compartilhadas entre instituições financeiras;
- Alertas do próprio Banco Central e de órgãos de segurança.
O objetivo é criar um sistema de alerta em tempo real, capaz de identificar e interromper operações antes da efetivação.
Prazos de adequação
Embora a norma já esteja em vigor, o BC determinou que as instituições têm até 13 de outubro para ajustar seus sistemas tecnológicos e cumprir integralmente as novas exigências.
Declaração do Banco Central
Em nota oficial, o BC destacou que a medida está alinhada a um conjunto de ações recentes voltadas para reforçar os protocolos de segurança do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
“A norma se alinha às ações que o BC anunciou na sexta-feira passada, buscando reforçar ainda mais os processos e protocolos de segurança do Sistema Financeiro Nacional à luz do envolvimento do crime organizado nos recentes eventos de ataque a instituições financeiras e de pagamentos.”
Essa declaração faz referência a episódios recentes de ataques cibernéticos e fraudes estruturadas contra bancos e empresas de pagamento, alguns dos quais contaram com participação de organizações criminosas.
Por que a norma foi aprovada agora?

O aumento expressivo de fraudes digitais no Brasil tem sido motivo de preocupação tanto para autoridades quanto para clientes. Casos de golpes envolvendo PIX, clonagem de cartões, abertura de contas falsas e lavagem de dinheiro por meio de aplicativos de pagamento ganharam proporção nos últimos anos.
Estudos do setor apontam que:
- O Brasil registrou mais de 4 milhões de tentativas de fraude financeira em 2024;
- O PIX, apesar da segurança do sistema, tornou-se o método favorito de criminosos pela rapidez e irreversibilidade;
- As fintechs e bancos digitais, com abertura de contas mais simples, passaram a ser exploradas por fraudadores para movimentação ilícita.
Com isso, o BC buscou agir de forma preventiva, criando barreiras adicionais para dificultar a atuação do crime organizado no sistema bancário.
O impacto da medida no mercado financeiro
Para os bancos
As instituições terão de:
- Investir em tecnologia de monitoramento em tempo real;
- Integrar sistemas internos com bases de dados externas;
- Criar protocolos claros para rejeitar transações suspeitas sem afetar clientes legítimos.
Para os clientes
A expectativa é de que a norma aumente a segurança nas operações financeiras. No entanto, o BC reconhece que pode haver casos de bloqueios equivocados. Por isso, prevê que os bancos mantenham canais rápidos de contestação e liberação.
Para o crime organizado
O bloqueio direto de transações a contas suspeitas deve reduzir a liquidez de operações fraudulentas, enfraquecendo esquemas como:
- Phishing (roubo de dados para movimentar contas);
- Golpes do falso funcionário;
- Lavagem de dinheiro digital;
- Crimes de ransomware, em que resgates são pagos via criptos ou PIX.
O que muda na prática para os correntistas
PIX e transferências bancárias
- Se o sistema identificar que a conta do destinatário está sob suspeita de fraude, a transação será automaticamente bloqueada ou rejeitada.
- O cliente será informado sobre o motivo da não conclusão.
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Pagamento de boletos e faturas
- Contas vinculadas a esquemas fraudulentos não poderão receber pagamentos, mesmo que o boleto pareça legítimo.
Compras com cartão
- Em casos de suspeita, a operação poderá ser recusada no momento da autorização, ainda no caixa ou na compra online.
Normas complementares em discussão
O Banco Central estuda também:
- Criação de um banco de dados unificado de contas suspeitas, acessível por todas as instituições financeiras;
- Ampliação da cooperação com a Polícia Federal e órgãos de investigação;
- Integração com criptomoedas e exchanges, para evitar migração de criminosos para fora do sistema bancário tradicional.
Desafios da implementação
Apesar da importância da norma, especialistas apontam alguns desafios:
- Risco de bloqueios indevidos, que podem afetar consumidores legítimos e gerar questionamentos judiciais;
- Custos de adequação tecnológica para pequenas instituições financeiras;
- Necessidade de transparência nos critérios de definição do que é “conta suspeita”.
O BC afirma que está elaborando orientações adicionais para reduzir a margem de erro e garantir que a norma seja aplicada de forma equilibrada.
Segurança bancária em tempos de digitalização

A decisão do Banco Central reflete uma tendência global de endurecimento da regulação contra fraudes digitais. Países como Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia já possuem mecanismos semelhantes, que permitem bloqueios preventivos de transferências quando há indícios de risco.
No Brasil, a medida surge em um momento em que:
- O PIX ultrapassa bilhões de transações anuais;
- A bancarização digital avança rapidamente;
- O crime organizado migra para o ambiente cibernético em busca de novas oportunidades ilícitas.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
