O Banco Central (BC) divulgou, em 10 de julho de 2025, uma carta aberta explicando o motivo pelo qual o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) atingiu 5,35% em 12 meses, ultrapassando o teto de 4,5% imposto pelo sistema de meta contínua de inflação. Desde janeiro, esse é o sexto mês consecutivo acima do teto, acionando o mecanismo que exige prestação de contas pública. Saiba mais detalhes abaixo!
BC aponta crescimento econômico, café e energia como fatores da inflação
BC solta carta explicativa após o IPCA de junho alcançar 5,35%, ultrapassando teto de 4,5%. Veja causas, projeções e mais!
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Meta de inflação e sistema contínuo
O país adotou o regime de metas em 1999, com regras ajustadas em 2024 para apurar o IPCA mês a mês, e não mais anualmente. A meta central é de 3%, com tolerância de ±1,5 p.p., ou seja, entre 1,5% e 4,5%. A primeira vez que a meta foi estourada sob o novo sistema ocorreu em junho, exigindo a carta aberta.
Principais pressões sobre a inflação
A carta mapeou os seguintes fatores como principais responsáveis pelo desvio de 2,35 pontos percentuais (p.p.) acima do centro da meta:
- Inércia da inflação passada – 0,69 p.p.: reflexo do comportamento inflacionário dos meses anteriores.
- Expectativas de inflação acima do desejado – 0,58 p.p.
- Hiato do produto positivo (economia operando acima do potencial) – 0,47 p.p.
- Inflação importada, via câmbio e preços externos – 0,46 p.p.
- Bandeira tarifária de energia elétrica – 0,27 p.p.
- Demais fatores (abrangendo alimentos e serviços) com efeito moderador de –0,12 p.p.
Além disso, o BC destacou surpresas inflacionárias: gasolina e energia residencial subiram mais que o esperado, intensificando as pressões indiretas. Ao mesmo tempo, houve surpresas positivas — queda em itens de alimentação doméstica, compensando parte dos efeitos adversos .
Componentes de alta destacados
Preços industriais e alimentos processados
O BC destacou que artigos como café, vestuário e automóveis subiram mais que o previsto, elevando o IPCA subjacente (sem alimentos e energia).
Bens administrados
A tarifa de energia residencial, afetada por um cenário hídrico desfavorável, também puxou os preços administrados para cima.
Commodities domésticas
Foi ressaltada a reversão de comportamento em alimentos, com queda de preços no domicílio ajudando a suavizar o índice mensal .
Projeções e convergência: meta só no 1º trimestre de 2026
O BC reiterou que projeta a inflação continuar acima do teto até o final do primeiro trimestre de 2026, voltando ao intervalo tolerável apenas depois.
Segundo o documento:
- Inflação acumulada em 4 trimestres: 5,4–5,5% nos primeiros três trimestres de 2025;
- 4,9% ao final de 2025;
- 4,2% ao término de mar/2026, ficando dentro da banda.
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Caso a inflação permaneça acima do teto após esse horizonte, será publicada uma segunda carta obrigatória.
Política monetária: juros seguem altos

Para combater a inflação, a Selic está em 15% ao ano, o nível mais alto desde julho de 2006 . Segundo o BC, os juros continuarão “significativamente contracionistas” por período prolongado, até que a inflação retorne ao intervalo tolerável.
O Copom tem sinalizado que não hesitará em subir ainda mais a Selic caso choque inesperado aumentar os riscos .
Transparência e comunicação
O BC ressaltou que manterá comunicação reforçada durante o período de descumprimento, explicando razões, medidas tomadas e evolução do cenário. Eventuais atualizações no prazo ou na estratégia também serão anunciadas publicamente.
Comparativo histórico e relevância do novo regime

O sistema de metas contínuas evita que choques pontuais como variações nos preços de energia ou alimentos pareçam descumprimentos permanentes. Ainda assim, esse é o primeiro caso de descumprimento sob o novo regime, acumulando seis meses acima do teto.
Casos anteriores de estouro da meta ocorreram em 2001–2003, 2015, 2017, 2021, 2022 e 2024.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
