A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) deu um passo significativo na defesa dos direitos das servidoras públicas que enfrentam desafios extras em sua rotina diária.
Projeto de Lei garante benefício para mães atípicas solo; conheça a proposta
Lei em MS concede benefício especial a servidoras públicas mães atípicas solo para aliviar rotina de cuidados contínuos.
Nesta quinta-feira (21), a deputada Lia Nogueira (PSDB) protocolou o Projeto de Lei 217/2025, que visa conceder um benefício especial para mães atípicas solo: a possibilidade de usufruir do feriado em dia útil subsequente, caso o feriado coincida com finais de semana.
Este direito se aplica a servidoras estaduais que são responsáveis únicas e permanentes por filhos com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) ou outras condições que exigem cuidados contínuos e especializados, sem o suporte de um cônjuge ou corresponsável legal.
Entendendo quem são as mães atípicas solo

O conceito de mãe atípica solo é recente, mas essencial para o reconhecimento da complexidade e da intensidade da responsabilidade dessas mulheres. Essas mães:
- São as únicas cuidadoras legais de crianças ou adolescentes com necessidades especiais;
- Enfrentam jornadas diárias desgastantes que incluem administração de tratamentos, terapias, consultas médicas e apoio psicológico;
- Muitas vezes vivem isoladas socialmente, devido à exigência constante de atenção ao filho;
- Contam com pouca ou nenhuma rede de suporte, o que aumenta o peso da responsabilidade.
O termo “atípica” indica que a maternidade dessas mulheres foge do padrão tradicional e demanda uma atenção diferenciada.
Quem poderá usufruir do benefício?
O projeto de lei não se restringe apenas às servidoras do quadro geral do Estado, mas se estende para diversas categorias públicas estaduais, como:
- Servidoras vinculadas a autarquias estaduais;
- Servidoras de fundações públicas;
- Trabalhadoras de empresas públicas;
- Membros de sociedades de economia mista controladas pelo governo do Estado.
Essa amplitude permite que o benefício alcance uma parcela maior da força de trabalho pública feminina que se enquadra na condição.
Documentação e procedimento para solicitação
Para que a servidora tenha acesso ao benefício, o projeto estipula regras claras para comprovação e formalização:
- Apresentação de laudo médico ou psicológico atualizado que comprove a condição especial do filho ou filha;
- Declaração assinada pela servidora, afirmando a ausência de cônjuge ou corresponsável legal que auxilie nos cuidados;
- A solicitação deve ser encaminhada ao setor de gestão de pessoas do órgão onde a servidora trabalha com antecedência mínima de cinco dias úteis;
- Em casos excepcionais, a apresentação fora do prazo poderá ser aceita mediante justificativa plausível e análise administrativa.
Este procedimento visa garantir transparência e organização, evitando abusos e facilitando o controle por parte dos órgãos públicos.
Justificativa da deputada Lia Nogueira e impacto social

Em sua justificativa, a deputada ressaltou a sobrecarga física e emocional enfrentada por essas mães, que muitas vezes passam por dificuldades pouco reconhecidas no ambiente de trabalho e pela sociedade em geral. Segundo ela:
- Para a maioria dos trabalhadores, o feriado prolongado representa descanso e oportunidade de lazer;
- Para a mãe atípica solo, o feriado pode significar mais um dia intenso de dedicação exclusiva ao cuidado do filho;
- O benefício tem caráter de justiça social e é uma forma de reconhecer e aliviar essa sobrecarga.
Além disso, a deputada frisou que a concessão do benefício não gerará aumento significativo de despesas para o Estado, já que o controle será feito por meio do acompanhamento do ponto eletrônico e comunicação interna.
A importância do reconhecimento legal para mães atípicas solo
O projeto simboliza um avanço importante na valorização do papel dessas mulheres no serviço público e na sociedade, pois:
- Promove equidade no ambiente de trabalho, reconhecendo condições especiais de vida;
- Incentiva a permanência dessas servidoras na carreira pública, que muitas vezes enfrentam dilemas entre trabalho e cuidados familiares;
- Pode servir como modelo para outras unidades da federação e setores da iniciativa privada.
Reconhecer legalmente as necessidades específicas dessas mães é um passo fundamental para promover inclusão e justiça social.
Rotina das mães atípicas solo: desafios e dificuldades
O cotidiano das mães atípicas solo é marcado por uma série de desafios que impactam diretamente sua qualidade de vida e desempenho profissional. Entre as principais dificuldades estão:
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- Longas horas diárias dedicadas a terapias e atendimentos especializados;
- Custos financeiros elevados com medicamentos, equipamentos e tratamentos que nem sempre são totalmente cobertos por planos de saúde ou pelo SUS;
- Exaustão emocional devido à ausência de rede de apoio e ao estresse constante;
- Barreiras para conciliar o trabalho com as demandas familiares, levando muitas vezes à redução da carga horária ou até afastamentos.
Esse cenário explica a relevância de medidas públicas que considerem essa realidade e ofereçam suporte legal e institucional.
Outras iniciativas para mães atípicas no Brasil
Em âmbito nacional, o debate sobre os direitos das mães atípicas solo vem ganhando força, com algumas ações já em andamento:
- Em São Paulo, projetos de lei locais têm buscado garantir licença-maternidade estendida para mães de crianças com deficiência;
- Programas de assistência social e psicológica oferecidos por algumas prefeituras visam apoiar essas famílias;
- Organizações não governamentais promovem campanhas de sensibilização e oferecem suporte técnico e emocional.
Apesar disso, ainda há um longo caminho para que haja uniformidade e ampliação dos direitos dessas mulheres em todo o país.
Mato Grosso do Sul como referência em políticas inclusivas

Com o protocolo do PL 217/2025, Mato Grosso do Sul se posiciona como um estado pioneiro ao ampliar direitos para mães atípicas solo no serviço público. O reconhecimento oficial pela ALEMS pode:
- Estimular a criação de políticas públicas integradas voltadas a mães e famílias com pessoas com deficiência;
- Fortalecer o debate sobre a necessidade de inclusão e acessibilidade em escolas, saúde e mercado de trabalho;
- Reforçar a imagem do Estado como promotor de políticas sociais humanizadas.
Como acompanhar o andamento do projeto
A população pode acompanhar a tramitação do projeto e participar das discussões no site oficial da ALEMS: www.alems.ms.gov.br. A transparência e a participação pública são fundamentais para o avanço e aprimoramento das políticas públicas.
O portal O Pantaneiro mantém uma linha direta de comunicação com o público, possibilitando o envio de denúncias, relatos e sugestões por meio do WhatsApp oficial: +55 67 99856-0000. O canal garante sigilo absoluto das fontes, fortalecendo o controle social sobre as ações governamentais.
