A relação entre trabalhadores e os benefícios oferecidos pelas empresas está passando por uma transformação. Um levantamento recente da consultoria Robert Half, especializado em soluções de talento, revela que 76% dos profissionais com ensino superior desejam mudanças nos pacotes de benefícios corporativos. O dado indica um descompasso persistente entre o que as empresas oferecem e o que os funcionários realmente valorizam.
Quais são os benefícios que os trabalhadores mais desejam receber? Confira
Pesquisa mostra que 76% dos trabalhadores desejam mudanças nos benefícios corporativos. Saiba mais!
Além da insatisfação com os auxílios atuais, o estudo aponta que 84% dos entrevistados gostariam de personalizar seus benefícios de acordo com as próprias necessidades, mas apenas 21% afirmam ter essa possibilidade em seus empregos atuais.
A pesquisa, realizada com 1.400 profissionais, também revela quais são os benefícios mais oferecidos pelas empresas e quais são considerados prioritários pelos trabalhadores — revelando contrastes que impactam diretamente na retenção de talentos e na atração de profissionais qualificados.
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O cenário atual dos benefícios corporativos
As preferências dos trabalhadores
O benefício mais desejado pelos trabalhadores é o bônus acordado — seja anual, trimestral, mensal ou eventual — com 83,72% dos entrevistados apontando-o como prioridade. No entanto, esse item aparece apenas na quinta posição entre os mais oferecidos pelas empresas.
Outros benefícios que ocupam o topo da preferência dos profissionais incluem:
- Plano de saúde privado (77,52%)
- Vale-refeição (74,42%)
- Plano de previdência privada (57,75%)
- Plano odontológico (53,49%)
Por outro lado, auxílios como incentivo à educação, ajuda de custo com combustível e carro da empresa são valorizados por uma parcela significativa dos profissionais, mas aparecem com menor frequência nos pacotes oferecidos.
O que as empresas realmente oferecem
Do lado das empresas, os benefícios mais comuns são:
- Vale-refeição (80,23%)
- Plano de saúde privado (80,23%)
- Plano odontológico (71,32%)
- Seguro de vida (59,30%)
- Bônus acordado (57,36%)
Apesar de estarem entre os itens mais desejados, benefícios como previdência privada, auxílio-creche e convênios com academias ainda são oferecidos por menos da metade das companhias, o que evidencia uma lacuna entre oferta e demanda.
A personalização como tendência
Um novo olhar sobre os benefícios
A pesquisa reforça uma demanda crescente no mercado de trabalho: a possibilidade de personalizar o pacote de benefícios. Para 84% dos entrevistados, essa flexibilidade é desejável, pois permite que os auxílios estejam mais alinhados com a realidade individual de cada colaborador.
Hoje, muitos trabalhadores têm perfis diversos — pais com filhos pequenos, pessoas que não usam transporte público, profissionais que priorizam educação ou saúde mental. No entanto, o modelo tradicional de benefícios “padronizados” não contempla essas diferenças.
Poucas empresas oferecem personalização
Mesmo com a demanda crescente, apenas 21% das empresas oferecem a possibilidade de personalização. Esse número demonstra o atraso de muitas companhias em adaptar seus pacotes às necessidades reais de seus times.
Segundo Leonardo Berto, gerente da Robert Half, “os dados mostram um descompasso entre os benefícios oferecidos pelas empresas e o que os trabalhadores realmente valorizam. É fundamental que as organizações continuem a busca por soluções alinhadas à sua realidade para conciliar esses interesses.”
Impacto na retenção e atração de talentos

Benefícios influenciam a permanência
Para 53% dos profissionais ouvidos, os benefícios influenciam diretamente na decisão de permanecer em uma empresa. Isso mostra que os auxílios corporativos vão além de meras vantagens: eles funcionam como estratégia de retenção.
Outros 37% discordam dessa influência, e 10% não souberam responder, o que também aponta para uma possível falta de comunicação ou transparência sobre os pacotes oferecidos.
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Desempregados também valorizam os benefícios
A pesquisa revela ainda que 50% dos desempregados levam os benefícios em consideração ao avaliar uma nova proposta de trabalho. Quando o pacote não contempla os auxílios que consideram essenciais, esses profissionais tendem a negociar salários maiores como compensação.
Essa tendência mostra que o pacote de benefícios também é um fator competitivo entre empresas que disputam talentos.
Os 10 benefícios mais valorizados pelos trabalhadores
| Benefício | Percentual de valorização |
|---|---|
| Bônus acordado (anual, trimestral, mensal) | 83,72% |
| Plano de saúde privado | 77,52% |
| Vale-refeição | 74,42% |
| Plano de previdência privada | 57,75% |
| Plano odontológico | 53,49% |
| Reembolso para educação e cursos | 43,80% |
| Auxílio-combustível | 36,43% |
| Seguro de vida e acidentes | 36,43% |
| Carro da empresa ou ajuda de custo | 31,01% |
| Celular corporativo ou reembolso de plano móvel | 30,23% |
Os 10 benefícios mais oferecidos pelas empresas
| Benefício | Percentual de empresas que oferecem |
|---|---|
| Vale-refeição | 80,23% |
| Plano de saúde privado | 80,23% |
| Plano odontológico | 71,32% |
| Seguro de vida | 59,30% |
| Bônus acordado | 57,36% |
| Vale-transporte | 48,84% |
| Convênio com academias | 48,06% |
| Celular corporativo ou reembolso de plano móvel | 46,90% |
| Plano de previdência privada | 34,88% |
| Auxílio-creche | 31,01% |
Tendências para o futuro dos benefícios corporativos

Benefícios flexíveis ganham força
A tendência mais forte para os próximos anos é a adoção de benefícios flexíveis, com empresas permitindo que o colaborador monte seu pacote conforme suas preferências. Modelos em que o trabalhador escolhe entre vale-refeição, educação, academia, plano odontológico ou previdência estão ganhando espaço, especialmente em startups e empresas de tecnologia.
Bem-estar e saúde mental
Além dos tradicionais auxílios financeiros, cresce o investimento em benefícios voltados à saúde mental, como:
- Apoio psicológico online
- Programas de meditação e mindfulness
- Licenças flexíveis
- Home office ou modelo híbrido
Esses benefícios, embora ainda não sejam os mais comuns, já são valorizados por uma parcela crescente de trabalhadores, especialmente da geração millennial e da geração Z.
Imagem: Freepik e Canva
