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Bill Gates anuncia encerramento da Fundação Gates até 2045, doando 99% de sua fortuna

Bill Gates vai doar 99% de sua fortuna à Fundação Gates e encerrar as atividades da instituição em 20 anos. Entenda o impacto global da decisão.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
bill gates

O bilionário Bill Gates, cofundador da Microsoft e uma das figuras mais influentes da filantropia global, anunciou na última sexta-feira (09) que encerrará as atividades da Fundação Gates nos próximos 20 anos. Até lá, Gates afirma que doará 99% de sua fortuna, hoje estimada em US$ 107 bilhões, à entidade criada por ele e sua ex-esposa, Melinda French Gates.

A decisão marca um ponto de virada no cenário da filantropia mundial. Se concretizada, a transferência de recursos será uma das maiores doações individuais da história, superando, em valor ajustado pela inflação, até mesmo os legados de nomes como John D. Rockefeller e Andrew Carnegie.

Segundo o próprio Gates, a expectativa é que a fundação consiga gastar mais de US$ 200 bilhões ao longo das próximas duas décadas, focando em suas principais missões: saúde global, educação e combate à pobreza.

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Bill Gates
Imagem: lev radin/shutterstock.com

Uma das maiores doações de todos os tempos

A iniciativa de Gates só encontra paralelo em outro bilionário com quem tem laços estreitos: Warren Buffett, investidor e CEO da Berkshire Hathaway, cuja fortuna é avaliada em US$ 160 bilhões. Buffett também prometeu doar a totalidade de seu patrimônio, embora de forma mais descentralizada.

Até agora, cerca de 41% dos recursos da Fundação Gates vieram das contribuições de Buffett, enquanto o restante provém da fortuna acumulada por Gates durante sua trajetória à frente da Microsoft.

A fundação, criada oficialmente no ano 2000, já investiu mais de US$ 100 bilhões em projetos de impacto social, e desempenha um papel central no financiamento de campanhas de vacinação, programas de nutrição infantil, pesquisas científicas e políticas públicas de saúde em países de baixa e média renda.

“É emocionante”, diz Gates

Em entrevista à The Associated Press, Gates descreveu o momento como uma oportunidade única de gerar impacto real:

“É emocionante ter essa quantia para poder investir nessas causas. Acredito que gastar agora pode salvar e melhorar muitas vidas, e terá efeitos positivos duradouros”, declarou.

Gates afirmou que 20 anos é o tempo necessário para garantir que os investimentos sejam bem direcionados e que os resultados desejados possam ser alcançados antes do encerramento da instituição.

“Acho que 20 anos é o equilíbrio certo entre dar o máximo que pudermos para progredir e avisar às pessoas que agora esse dinheiro vai acabar”, explicou.

Uma carreira dedicada à filantropia

Desde que se afastou da Microsoft, Bill Gates passou a se dedicar integralmente à sua segunda carreira: a filantropia. A Fundação Gates tornou-se rapidamente uma das mais poderosas instituições filantrópicas do mundo, influenciando políticas públicas de saúde global, financiamento de pesquisas e estratégias de desenvolvimento sustentável.

Entre suas realizações mais notáveis estão:

  • A participação em campanhas globais de erradicação da poliomielite
  • Investimentos em tecnologias para o combate à malária
  • Redução no custo de medicamentos essenciais
  • A criação de parcerias público-privadas para ampliação do acesso à saúde em países mais pobres

A fundação também atuou como importante colaboradora de instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS), influenciando rumos de pesquisas e estratégias globais de enfrentamento a doenças.

Impacto medido: queda na mortalidade infantil

Segundo dados das Nações Unidas, a taxa de mortalidade infantil por causas evitáveis caiu quase pela metade entre 2000 e 2020, um dado amplamente atribuído ao trabalho da Fundação Gates em conjunto com outros atores internacionais.

Apesar de o CEO da fundação, Mark Suzman, ter cautela ao não atribuir exclusivamente à fundação esse resultado, o impacto positivo da atuação da entidade é inegável. Para Gates, essa conquista é a métrica mais importante de sua atuação filantrópica.

Fim antecipado da fundação e restrição do foco

Bill Gates homens mais ricos do mundo
Imagem: Frederic Legrand – COMEO / Shutterstock.com

Inicialmente, a Fundação Gates havia sido estruturada para encerrar suas atividades duas décadas após a morte de Bill Gates. O novo anúncio antecipa significativamente esse cronograma.

Com o novo plano, a fundação passará a operar com um orçamento estável de aproximadamente US$ 9 bilhões por ano ao longo das próximas duas décadas. Isso representa uma mudança estratégica após anos de crescimento contínuo nos recursos e na atuação da entidade.

Suzman afirmou que a nova configuração exigirá foco em projetos com maior potencial de sucesso, evitando a dispersão de recursos em múltiplas frentes. Ele reconheceu que haverá incertezas internas sobre quais programas continuarão sendo financiados.

“Você está realmente colocando seus recursos nas apostas maiores e mais bem-sucedidas, em vez de espalhá-los demais?”, questionou Suzman.

Desafios à frente

Mesmo com uma governança mais sólida — especialmente após a entrada de novos membros no conselho curador — a Fundação Gates enfrentará um cenário internacional complexo nos próximos anos.

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Entre os desafios citados por Gates estão:

  • Conflitos prolongados, como na Ucrânia e em Gaza
  • Turbulência econômica global
  • Cortes na ajuda externa por parte dos Estados Unidos
  • A queda nos investimentos privados em saúde pública internacional

“A maior incerteza para nós é a generosidade que será destinada à saúde global. Ela continuará caindo, como nos últimos anos, ou poderemos voltar aonde deveria estar?”, disse Gates.

Uma fundação poderosa e também polêmica

A influência da Fundação Gates nunca passou despercebida. Com atuação intensa junto a governos, universidades e empresas farmacêuticas, a entidade se tornou referência global — mas também alvo de críticas e teorias da conspiração.

Críticos questionam até que ponto uma única família pode ter tamanha influência sobre decisões que impactam bilhões de pessoas. Gates, por sua vez, rebate:

“Como qualquer cidadão comum, posso escolher como gastar o dinheiro que ganho. E decidi fazer tudo o que puder para reduzir a mortalidade infantil. Não é uma causa importante?”, indagou.

Mudanças recentes e saída de Melinda

Em meio à reconfiguração institucional da fundação, ocorreram mudanças significativas. Em 2021, Bill e Melinda Gates se divorciaram. Pouco depois, Warren Buffett renunciou ao cargo de curador.

Para garantir maior governança, um novo conselho de curadores foi formado. No ano seguinte, Melinda French Gates anunciou sua saída definitiva da fundação para se dedicar a sua própria organização, com foco em direitos das mulheres e equidade de gênero.

Melinda afirmou que sua decisão se deu após consolidar uma base sólida de liderança, liderada por Mark Suzman. “Confio nele e nos valores do novo conselho”, declarou durante o evento ELLE Women of Impact, em Nova York.

Um novo modelo de filantropia?

Imagem: Reprodução

Com o anúncio da doação quase total de sua fortuna e da extinção planejada da Fundação Gates, Bill Gates estabelece um novo modelo de filantropia. Diferente de fundações eternas ou familiares, sua visão é de doar em vida, com impacto mensurável e fim programado.

Gates também espera que sua decisão sirva de exemplo a outros bilionários, encorajando-os a investir de forma direta e decisiva na solução de problemas globais urgentes.

Imagem: Shutterstock

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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