O governo federal oficializou, nesta quarta-feira (23), o uso obrigatório da biometria para concessão e manutenção de benefícios sociais. A medida busca fortalecer a segurança na distribuição de recursos públicos, combater fraudes e ampliar a inclusão digital por meio da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN).
Biometria será exigida para acesso a benefícios sociais; veja como cadastrar e não perder acesso
Governo torna biometria obrigatória e acelera emissão da nova carteira de identidade nacional (CIN); veja como se inscrever e não perder.
A nova exigência foi anunciada durante cerimônia em Brasília com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O decreto assinado por Lula regulamenta a obrigatoriedade do uso de dados biométricos, incluindo digitais e reconhecimento facial, no processo de verificação de identidade para acesso a programas sociais.
Como será a implementação da biometria

A obrigatoriedade da biometria não será imediata para todos. O governo optou por um cronograma gradual que respeita a realidade de cada estado e garante a adaptação das estruturas de atendimento. De acordo com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a medida terá as seguintes etapas:
- Inicialmente, a exigência valerá apenas para novos beneficiários.
- Quem já recebe algum benefício terá um prazo maior para se adaptar.
- Pessoas com mais de 80 anos ou com mobilidade reduzida estarão isentas da exigência.
Parceria com a Caixa facilitará coleta de dados
A inclusão biométrica será viabilizada por meio de uma parceria com a Caixa Econômica Federal. O banco, que já possui a biometria de mais de 90% dos beneficiários do Bolsa Família, ajudará na coleta dos dados em todo o país, inclusive em regiões remotas.
Um projeto-piloto será iniciado no estado do Rio Grande do Norte, onde a coleta será usada para testes de integração com sistemas estaduais. A meta é acelerar a Infraestrutura Pública Digital de Identificação Civil, permitindo que a nova carteira seja emitida com maior agilidade.
O que é a Carteira de Identidade Nacional (CIN)
Lançada em 2022, a Carteira de Identidade Nacional utiliza o CPF como número único e substitui os antigos modelos de RG. O documento contém biometria digital e facial, QR Code para validação e poderá ser usado como identificação oficial em qualquer lugar do país.
Principais características da CIN
- Substitui os documentos estaduais de identidade
- Unifica a identificação pelo CPF
- Contém dados biométricos (digitais e reconhecimento facial)
- Pode ser verificada digitalmente por QR Code
- Já possui mais de 30 milhões de unidades emitidas
Bases integradas ao sistema
A CIN está conectada a diversas bases de dados já existentes no país, incluindo:
- Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
- Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran)
- Polícia Federal
Essa integração facilita o cruzamento de informações e amplia a confiabilidade dos dados usados para concessão de benefícios.
Emissão da CIN deve aumentar
Para garantir o sucesso da biometria obrigatória, o governo pretende expandir a capacidade de emissão da nova carteira. Hoje, os estados conseguem emitir cerca de 1,8 milhão de CINs por mês, mas esse número deve crescer com o apoio financeiro da União.
O governo destinará mais recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública para apoiar os estados na emissão do documento. A intenção é que todos os brasileiros tenham acesso ao novo modelo de identidade até o fim de 2026.
Validação por aplicativo com QR Code

O Ministério da Justiça e Segurança Pública também anunciou o lançamento de um aplicativo oficial para validar a CIN. O app permite verificar, via leitura do QR Code do documento, se a identidade apresentada é legítima e ativa.
Esse sistema trará mais segurança a órgãos públicos e empresas privadas que lidam com serviços sensíveis, como bancos, escolas e unidades de saúde.
Governo investe em governança e uso estratégico de dados
Além da biometria e da CIN, o governo lançou uma nova política nacional de governança de dados, que está disponível para consulta pública até o dia 7 de agosto. A proposta busca garantir que os dados da população sejam tratados com responsabilidade e usados de forma estratégica para melhorar os serviços públicos.
Objetivos da política de dados
- Integração entre órgãos públicos
- Maior automação e eficiência nos serviços
- Combate a fraudes e duplicidade de registros
- Proteção de dados sensíveis dos cidadãos
Pilares da proposta
- Criação de papéis de curadoria de dados em cada órgão federal
- Interoperabilidade entre sistemas estaduais e municipais
- Armazenamento seguro em nuvem pública operada por Serpro e Dataprev
- Inclusão da sociedade civil no Comitê Central de Governança de Dados
A participação na consulta pode ser feita por meio do site oficial:
https://www.gov.br/pt-br/servicos/verificar-validade-de-qr-code-da-carteira-de-identidade-nacional
Rede Gov.br amplia digitalização em estados e municípios
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Atualmente, todos os estados, o Distrito Federal e mais de 2 mil municípios já fazem parte da Rede Gov.br, iniciativa que oferece suporte técnico, capacitação e soluções digitais para governos locais.
A estratégia inclui a expansão de ferramentas como:
- Assinatura eletrônica Gov.br
- Aplicativos integrados à CIN
- Suporte a serviços municipais digitalizados
CPF será chave para acesso a serviços de saúde
O presidente Lula também assinou o decreto que cria a Rede Nacional de Dados da Saúde (RNDS). Essa nova infraestrutura vai permitir o compartilhamento seguro de informações médicas entre municípios, estados e União.
O CPF e o número do SUS passam a ser as chaves principais para o acesso aos serviços de saúde pública. A proposta busca unificar registros e garantir um histórico médico contínuo para cada cidadão.
Aplicativo Meu Imóvel Rural reúne dados fundiários

Outro lançamento feito durante o evento foi o aplicativo Meu Imóvel Rural, que oferece uma visão integrada de informações sobre propriedades no campo. Com ele, proprietários rurais podem acessar dados fiscais, ambientais e fundiários em um só lugar.
Vantagens do novo aplicativo
- Elimina necessidade de acessar três sistemas distintos
- Mostra pendências ambientais e tributárias
- Facilita regularização e fiscalização de propriedades
Conclusão: avanço com cautela e inclusão
A adoção da biometria como critério obrigatório para recebimento de benefícios sociais representa um marco na modernização do Estado. Ao mesmo tempo, o governo afirma que a implementação será feita com responsabilidade, garantindo que a população mais vulnerável não seja prejudicada.
A estratégia digital do governo está apoiada em quatro pilares:
- Inclusão digital
- Segurança de dados
- Eficiência administrativa
- Governança federativa
O sucesso da biometria e da CIN dependerá da capacidade dos estados em realizar a emissão dos documentos e do engajamento da população na atualização cadastral.
