Bitcoin se valoriza com avanço institucional e alívio tarifário global: criptomoeda supera US$ 105 mil
O mercado de criptomoedas iniciou o mês de junho com um cenário positivo, marcado pela recuperação do Bitcoin (BTC) após uma breve correção. A maior criptomoeda do mundo voltou a ser negociada acima de US$ 105 mil, em meio a sinais de adoção corporativa global e uma melhora na percepção do risco macroeconômico.
Na manhã desta segunda-feira (3), o Bitcoin era cotado a US$ 105.323, com alta de 1,1% nas últimas 24 horas, conforme dados do CoinGecko. Em reais, a valorização do BTC chega a R$ 602.359, de acordo com o Cointrader Monitor. O movimento ocorre após uma leve retração que levou o ativo à região de US$ 104 mil, considerada uma zona técnica de suporte.
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Adoção corporativa se consolida: empresas seguem o modelo da MicroStrategy
Um dos principais motores dessa recuperação tem sido a adoção institucional crescente. Empresas de diferentes países seguem os passos da MicroStrategy, que consolidou o modelo de usar o Bitcoin como reserva de valor em sua tesouraria.
No Brasil, a Méliuz anunciou recentemente que alocou parte de seu caixa em BTC. Já na Europa, a Norwegian Block Exchange, sediada na Noruega, também aderiu à estratégia.
Essa tendência reforça a tese do Bitcoin como ativo escasso e valioso frente à inflação e à instabilidade cambial, o que vem sendo cada vez mais aceito por corporações em busca de proteção patrimonial.
“Estamos vendo um movimento semelhante ao que ocorreu com o ouro no século passado. O BTC está se consolidando como ativo estratégico nas carteiras corporativas”, afirma o economista Lucas Villar, da CriptoJuris.
Fundamentos de longo prazo fortalecem percepção institucional
A entrada de empresas tradicionais no ecossistema de criptoativos indica uma transição de percepção: o Bitcoin deixa de ser visto apenas como um ativo especulativo e passa a integrar planos de longo prazo.
Segundo analistas, o movimento também pode impactar a volatilidade do ativo, já que carteiras institucionais tendem a manter BTC por períodos prolongados, reduzindo a liquidez imediata no mercado.
Ambiente macroeconômico contribui: alívio nas tensões EUA-China
Outro fator que impulsionou a recuperação do Bitcoin nesta semana foi o anúncio da possível reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping.
A expectativa de um diálogo sobre as tarifas comerciais entre as duas maiores economias do mundo traz alívio aos mercados financeiros globais — e o mercado cripto não é exceção.
Impacto das tarifas sobre a inflação e juros nos EUA
Paralelamente, Christopher Waller, membro do Federal Reserve (Fed), declarou que cortes nas taxas de juros continuam no radar para este ano. Segundo ele, os efeitos de tarifas sobre a inflação de curto prazo podem ser ignorados no momento de decidir a política monetária.
“Essa conjuntura de estabilidade tarifária e possibilidade de estímulo monetário é bastante positiva para ativos de risco, especialmente o Bitcoin, que se beneficia de uma liquidez mais farta e de menor aversão ao risco”, explica Beto Fernandes, analista da Foxbit.
Análise técnica aponta suporte e resistência em níveis decisivos
De acordo com Guilherme Prado, country manager da corretora Bitget, o Bitcoin encontra atualmente um suporte técnico sólido entre US$ 103 mil e US$ 104 mil. Essa região tem atuado como piso para a correção observada nos últimos dias.
Resistência em US$ 106 mil e possíveis alvos de curto prazo
Por outro lado, o nível de US$ 106 mil é apontado como uma resistência relevante. Caso o BTC consiga romper esse patamar com volume e consistência, o próximo alvo técnico se situa na região de US$ 110 mil a US$ 112 mil.
Sinais on-chain reforçam viés positivo
A análise dos dados on-chain também revela um quadro favorável. Segundo Prado, houve um aumento de 15% nos endereços ativos, ao mesmo tempo em que as reservas de BTC nas exchanges caíram, sugerindo um movimento de acumulação por parte dos investidores.
“Menor saldo de BTC em corretoras e aumento na atividade da rede costumam preceder movimentos de alta mais robustos. Os sinais são claros: há menos pressão vendedora no curto prazo”, conclui.
Desempenho das altcoins reforça otimismo
Ethereum (ETH) lidera com alta de 4,7%
Além do Bitcoin, outras criptomoedas também apresentam desempenho positivo. O Ethereum (ETH) registra valorização de 4,7%, sendo negociado a US$ 2.618. Com a aprovação de ETFs de ether à vista nos Estados Unidos, o ativo vem ganhando força junto a investidores institucionais.
XRP, Solana e BNB também sobem
O XRP, token vinculado à Ripple, tem alta de 3,2%, cotado a US$ 2,22. Já a Solana (SOL) sobe 4,6% para US$ 161,01, enquanto o BNB, da Binance Smart Chain, avança 1,4%, sendo negociado a US$ 663,80.
ETFs de Bitcoin registram saques; ETFs de Ethereum acumulam aportes
Apesar do movimento positivo no mercado à vista, os fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin nos Estados Unidos apresentaram saídas líquidas de capital. No total, foram US$ 267,5 milhões em retiradas registradas no último pregão.
Os ETFs que mais contribuíram para o saldo negativo foram:
- IBIT (BlackRock): -US$ 130,4 milhões
- ARKB (Ark Invest): -US$ 73,9 milhões
- FBTC (Fidelity): -US$ 50,1 milhões
Essa dinâmica sugere uma realocação de curto prazo, embora não haja indicativos de perda estrutural de interesse por parte dos investidores institucionais.
ETFs de Ethereum têm 11 dias consecutivos de entrada líquida
Na contramão, os ETFs de Ethereum registraram entrada líquida de US$ 78,2 milhões, marcando o 11º pregão consecutivo com fluxo positivo.
Os principais destinos do capital foram:
- ETHA (BlackRock): +US$ 48,4 milhões
- FETH (Fidelity): +US$ 29,8 milhões
O interesse renovado pelos ETFs de ETH pode estar relacionado à expectativa de valorização do ativo diante do cenário macroeconômico favorável e da ativação de melhorias na rede Ethereum.
Perspectivas: Bitcoin mira US$ 110 mil em cenário técnico e macro alinhado
A conjunção de fatores — suporte técnico firme, adoção institucional em expansão, diminuição da oferta nas exchanges e ambiente macroeconômico mais estável — forma um pano de fundo bastante positivo para o Bitcoin.
Se o ativo conseguir romper a resistência de US$ 106 mil, o mercado pode ver um novo rali em direção aos US$ 110 mil ou mais, ainda no mês de junho.
Riscos de curto prazo permanecem
Apesar da conjuntura otimista, ainda há riscos no radar. A volatilidade dos ETFs, a possível reprecificação de expectativas inflacionárias nos EUA e a incerteza sobre o desfecho da reunião entre Trump e Xi Jinping podem trazer oscilações pontuais nos preços.
“É importante lembrar que o BTC ainda está em uma zona de consolidação. Romper resistências com volume será fundamental para dar início a uma nova pernada de alta”, alerta a analista cripto Carolina Monteiro, da Paradigma Capital.
Considerações finais
A alta recente do Bitcoin, após corrigir para US$ 104 mil, reflete não apenas fatores técnicos, mas uma mudança estrutural no mercado cripto. Com a adoção institucional ganhando força, melhoras no cenário tarifário global e expectativas de juros mais baixos nos EUA, o BTC encontra fundamentos sólidos para manter sua trajetória ascendente.
À medida que a criptomoeda se aproxima de novas resistências, o mercado observa com atenção os desdobramentos da política monetária americana e das relações comerciais entre EUA e China.
Enquanto isso, os sinais técnicos e os fluxos on-chain apontam para uma crescente confiança dos investidores — tanto individuais quanto institucionais — no potencial de valorização do Bitcoin.