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Bitcoin cai para US$ 110 mil com pressão da inflação nos EUA; criptomoedas recuam em dia de cautela global

O Bitcoin caiu mais de 2,5% nesta sexta-feira (29) e voltou para US$ 110 mil, acompanhando o recuo das criptomoedas. O mercado aguarda o índice PCE dos EUA.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira5 min de leitura
Metaplanet Bitcoin

O Bitcoin (BTC) iniciou esta sexta-feira (29) em queda, negociado próximo de US$ 110.132, após desvalorização superior a 2,5% nas últimas 24 horas.

O movimento refletiu-se em todo o mercado de criptomoedas, que opera em campo negativo em meio à cautela global com a divulgação do Índice de Preços de Despesas com Consumo Pessoal (PCE) dos Estados Unidos — o principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed).

Enquanto isso, bolsas internacionais também enfrentaram volatilidade, com resultados mistos na Ásia e quedas em índices da Europa e nos futuros de Wall Street.

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Desempenho das principais criptomoedas

O movimento de baixa não atingiu apenas o Bitcoin, mas se espalhou entre os maiores ativos digitais do mercado.

Tabela de desempenho das top 10 criptomoedas

#NomePreçoVariação 24hVariação 7dVariação YTD
1Bitcoin (BTC)US$ 110.132,42-2,48%-1,89%+17,92%
2Ethereum (ETH)US$ 4.352,19-5,18%+2,00%+30,65%
3XRP (XRP)US$ 2,87-4,32%+2,51%+38,35%
4Tether (USDT)US$ 0,9999-0,00%+0,02%+0,19%
5BNB (BNB)US$ 855,10-2,17%+0,70%+21,98%
6Solana (SOL)US$ 207,83-2,44%+15,70%+9,83%
7USD Coin (USDC)US$ 0,9997-0,01%-0,01%-0,02%
8Dogecoin (DOGE)US$ 0,2149-3,96%+1,41%-31,91%
9TRON (TRX)US$ 0,3389-2,96%-4,59%+33,34%
10Cardano (ADA)US$ 0,8244-4,93%-1,21%-2,29%

Bitcoin (BTC) em queda: o que explica o movimento?

Bitcoin
Imagem: Freepik e Canva

O recuo do Bitcoin está diretamente ligado ao apetite por risco mais baixo no mercado global, em especial à espera dos dados de inflação nos Estados Unidos.

O papel do índice PCE

O PCE (Personal Consumption Expenditures Index) mede os gastos pessoais dos consumidores norte-americanos e é considerado pelo Fed como o termômetro mais confiável da inflação.

  • Projeção para agosto: mercado espera desaceleração da inflação mensal de 0,3% para 0,2%;
  • Taxa anual: deve se manter em 2,6%;
  • Núcleo do índice (core PCE): expectativa de estabilidade em 0,3% no mês, mas avanço de 2,8% para 2,9% na comparação anual.

Por que isso importa para o Bitcoin?

O Bitcoin tem sido cada vez mais sensível aos dados macroeconômicos dos EUA. Uma inflação mais controlada reforçaria a possibilidade de cortes de juros pelo Fed em setembro, aumentando a liquidez no mercado e favorecendo ativos de risco como criptomoedas.

Por outro lado, caso os números surpreendam negativamente, investidores podem reforçar posições defensivas, pressionando ainda mais os preços do BTC e de outros criptoativos.

Repercussões no mercado financeiro global

Bolsas da Ásia

As bolsas asiáticas encerraram a sessão de sexta-feira com desempenho misto:

  • Nikkei (Japão): leve alta, sustentada por empresas de tecnologia;
  • Shanghai Composite (China): queda, diante de preocupações com o setor imobiliário.

Europa e Wall Street

Na Europa, os principais índices abriram em queda, refletindo cautela com o PCE. Nos futuros de Wall Street, o clima também é de baixa, sinalizando abertura negativa em Nova York.

Perspectivas para o Bitcoin: suporte e resistência

Com a queda para US$ 110 mil, o Bitcoin testa uma região de suporte técnico importante, que pode determinar os próximos movimentos do ativo.

Níveis-chave no gráfico

  • Suporte imediato: US$ 108 mil;
  • Suporte secundário: US$ 105 mil;
  • Resistência imediata: US$ 115 mil;
  • Resistência principal: US$ 124 mil.

Segundo analistas, uma quebra abaixo dos US$ 108 mil pode abrir espaço para novas quedas, enquanto uma recuperação acima de US$ 115 mil indicaria retomada da força compradora.

Ethereum, Solana e altcoins em foco

Além do Bitcoin, outras criptomoedas relevantes também registraram perdas nesta sexta-feira.

Ethereum (ETH)

O Ethereum caiu mais de 5% no dia, sendo negociado próximo a US$ 4.352. Apesar disso, acumula ganhos de 30% no ano, beneficiado pela expansão do setor de DeFi e NFTs.

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Solana (SOL)

A Solana, destaque recente no mercado, caiu 2,4% para US$ 207, mas ainda registra alta expressiva de 15% na semana, impulsionada por novos projetos de infraestrutura blockchain.

Dogecoin (DOGE)

O Dogecoin voltou a recuar quase 4%, refletindo baixa demanda especulativa. No acumulado do ano, a memecoin ainda amarga queda de 31%.

Expectativas para os próximos dias: payroll no radar

Além do PCE, os investidores já se preparam para outro dado crucial na próxima semana: o relatório de empregos (payroll) dos EUA, que será divulgado na sexta-feira (5).

Importância do payroll

O payroll mede a criação de vagas de trabalho fora do setor agrícola. Um mercado de trabalho mais aquecido pode pressionar a inflação, dificultando cortes de juros, enquanto números mais fracos podem reforçar a necessidade de estímulos econômicos.

Esse dado será fundamental para definir o tom das próximas reuniões do Federal Reserve e, consequentemente, a direção do Bitcoin e de outros ativos de risco.

Conclusão: Bitcoin em fase de teste crucial

Bitcoin
Imagem: Paul Biryukov / shutterstock.com

O movimento de queda do Bitcoin nesta sexta-feira (29) não surpreende analistas, dado o ambiente global de cautela e incerteza com a inflação norte-americana.

O BTC encontra-se em uma zona de suporte estratégico em torno de US$ 110 mil, e os próximos dados macroeconômicos devem definir se haverá retomada da tendência de alta ou continuação da correção.

No curto prazo, investidores seguem atentos a:

  • Divulgação do PCE nesta sexta-feira;
  • Relatório de empregos (payroll) na próxima semana;
  • Sinais de política monetária do Fed para setembro.

Enquanto isso, o mercado de criptomoedas permanece sob pressão, refletindo o momento de transição da economia global e a sensibilidade crescente do setor aos indicadores macroeconômicos.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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