A Bitcoin (BTC) e o mercado de criptomoedas como um todo enfrentaram uma forte correção na última sexta-feira (10). O principal ativo digital do mundo sofreu uma queda de mais de 12%, em resposta direta ao anúncio de uma nova tarifa de 100% imposta pelos Estados Unidos contra produtos chineses. A medida foi considerada mais um capítulo da escalada da guerra comercial entre os dois países e teve efeito imediato nos mercados globais, inclusive nos ativos alternativos como o ouro e as criptos.
Bitcoin sofre tombo histórico e registra valor chocante no mercado
Bitcoin despenca 12% após tarifa dos EUA contra China; criptomoedas entram em liquidação e investidores ficam em alerta.
Segundo dados do portal Investidor 10, o Bitcoin caiu de US$ 121 mil para US$ 103,8 mil, gerando perdas bilionárias em poucos minutos. No sábado (11), o BTC esboçou uma leve recuperação, sendo negociado na faixa de US$ 112 mil, mas ainda abaixo da valorização recente que vinha acumulando com o otimismo dos investidores sobre o corte de juros nos EUA.
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Entenda o impacto da nova tarifa dos EUA contra a China
A guerra comercial ganha novo fôlego
A crise foi desencadeada após os Estados Unidos anunciarem uma tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses, com efeitos previstos para 1º de novembro. A justificativa da Casa Branca foi uma retaliação às medidas adotadas pela China, que passou a controlar a exportação de terras raras, recursos estratégicos essenciais para:
- Produção de baterias elétricas;
- Chips de inteligência artificial (IA);
- Componentes de sistemas militares.
A nova tarifa também inclui restrições a softwares críticos norte-americanos, ampliando o escopo da disputa tecnológica entre as duas maiores economias do planeta.
“Se a China tomar qualquer ação adicional, a tarifa poderá ser antecipada”, disse Trump, em pronunciamento.
Criptomoedas em liquidação: por que o mercado reagiu tão forte?
Bitcoin, Ethereum e altcoins derretem
A resposta do mercado cripto foi imediata e intensa. Além da Bitcoin, que perdeu cerca de US$ 18 mil em menos de 24 horas, outras moedas também entraram em liquidação:
- Ethereum (ETH) caiu mais de 10%;
- Solana (SOL) recuou 15%;
- Cardano (ADA) perdeu cerca de 9%.
Volatilidade e fuga para segurança
O movimento se deve, em grande parte, ao aumento da aversão ao risco por parte dos investidores, que buscaram ativos mais seguros, como:
- Títulos do Tesouro dos EUA;
- Dólar (que voltou a se valorizar);
- Ouro físico, que também teve oscilação de alta.
O comportamento mostra que, apesar do discurso de que o Bitcoin é “ouro digital”, o ativo ainda funciona mais como um ativo de risco, altamente sensível a instabilidades geopolíticas e intervenções macroeconômicas.
BTC vinha em forte tendência de alta com dólar fraco

Rali anterior foi puxado pela expectativa de juros mais baixos
Antes da queda, a Bitcoin vinha registrando uma sequência de recordes recentes motivada por:
- Enfraquecimento do dólar, com expectativa de corte nos juros americanos;
- Maior apetite por ativos alternativos;
- Crescimento no interesse institucional por ETFs de criptomoedas.
A possibilidade de redução nas taxas pelo Federal Reserve (Fed) havia reduzido o atrativo de ativos tradicionais e impulsionado a demanda por BTC, ouro e ativos digitais, numa tentativa de proteção inflacionária.
Reação do mercado: pânico, liquidação e cautela
Exchanges viram volume subir com vendas de emergência
A súbita queda do Bitcoin provocou movimentações atípicas nas principais exchanges do mundo, como Binance, Coinbase e Kraken. Os volumes de negociação dispararam, com milhares de investidores buscando realizar lucros ou minimizar perdas diante do movimento de correção.
Segundo dados da CoinGlass, mais de US$ 420 milhões foram liquidados em posições alavancadas nas primeiras horas após o anúncio da tarifa.
“Flash crash” e ordens automáticas de venda
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Parte da intensidade da queda pode ser atribuída a “stop orders” e vendas automatizadas, que foram executadas em cadeia à medida que o preço da Bitcoin rompia suportes técnicos. Especialistas apontam que o evento configura um típico “flash crash”, comum em mercados com grande participação de algoritmos e operações alavancadas.
O que dizem os analistas?
Recuperação parcial, mas cenário ainda volátil
Segundo analistas do JP Morgan e da Glassnode, a reação inicial foi exagerada, mas reflete a fragilidade do otimismo recente no mercado cripto. A expectativa de queda de juros foi parcialmente comprometida com o retorno do dólar forte, e isso reverteu o fluxo para ativos mais defensivos.
“A recuperação do sábado mostra que o suporte dos US$ 100 mil está sendo defendido. Mas é um sinal claro de que a narrativa otimista pode ser revertida a qualquer momento por fatores externos”, afirma o analista Thomas Beck, da BitInsight.
Previsão de curto prazo: lateralização ou nova queda?
As projeções para os próximos dias são cautelosas. Enquanto alguns acreditam em estabilização entre US$ 110 mil e US$ 115 mil, outros temem uma nova rodada de vendas caso:
- A tarifa dos EUA entre em vigor antes do previsto;
- A China anuncie novas retaliações;
- O Fed sinalize reversão na política de juros.
Trump e a nova postura comercial dos EUA

Nacionalismo econômico de volta ao centro da política
Com Trump em seu segundo mandato, a postura protecionista dos Estados Unidos foi reacendida, especialmente em temas sensíveis como:
- Tecnologia e semicondutores;
- Energia limpa e baterias elétricas;
- Produção militar e controle estratégico.
A nova tarifa de 100% não é isolada. Segundo fontes da Casa Branca, o governo planeja expandir as restrições a outros setores caso a China mantenha os controles sobre as exportações de insumos críticos.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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