Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Bitcoin sofre tombo histórico e registra valor chocante no mercado

Bitcoin despenca 12% após tarifa dos EUA contra China; criptomoedas entram em liquidação e investidores ficam em alerta.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
bitcoins

A Bitcoin (BTC) e o mercado de criptomoedas como um todo enfrentaram uma forte correção na última sexta-feira (10). O principal ativo digital do mundo sofreu uma queda de mais de 12%, em resposta direta ao anúncio de uma nova tarifa de 100% imposta pelos Estados Unidos contra produtos chineses. A medida foi considerada mais um capítulo da escalada da guerra comercial entre os dois países e teve efeito imediato nos mercados globais, inclusive nos ativos alternativos como o ouro e as criptos.

Segundo dados do portal Investidor 10, o Bitcoin caiu de US$ 121 mil para US$ 103,8 mil, gerando perdas bilionárias em poucos minutos. No sábado (11), o BTC esboçou uma leve recuperação, sendo negociado na faixa de US$ 112 mil, mas ainda abaixo da valorização recente que vinha acumulando com o otimismo dos investidores sobre o corte de juros nos EUA.

Leia mais:

Herança em cripto: a ascensão das dinastias do Bitcoin

Bitcoin
Imagem: Freepik

Entenda o impacto da nova tarifa dos EUA contra a China

A guerra comercial ganha novo fôlego

A crise foi desencadeada após os Estados Unidos anunciarem uma tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses, com efeitos previstos para 1º de novembro. A justificativa da Casa Branca foi uma retaliação às medidas adotadas pela China, que passou a controlar a exportação de terras raras, recursos estratégicos essenciais para:

  • Produção de baterias elétricas;
  • Chips de inteligência artificial (IA);
  • Componentes de sistemas militares.

A nova tarifa também inclui restrições a softwares críticos norte-americanos, ampliando o escopo da disputa tecnológica entre as duas maiores economias do planeta.

“Se a China tomar qualquer ação adicional, a tarifa poderá ser antecipada”, disse Trump, em pronunciamento.

Criptomoedas em liquidação: por que o mercado reagiu tão forte?

Bitcoin, Ethereum e altcoins derretem

A resposta do mercado cripto foi imediata e intensa. Além da Bitcoin, que perdeu cerca de US$ 18 mil em menos de 24 horas, outras moedas também entraram em liquidação:

  • Ethereum (ETH) caiu mais de 10%;
  • Solana (SOL) recuou 15%;
  • Cardano (ADA) perdeu cerca de 9%.

Volatilidade e fuga para segurança

O movimento se deve, em grande parte, ao aumento da aversão ao risco por parte dos investidores, que buscaram ativos mais seguros, como:

  • Títulos do Tesouro dos EUA;
  • Dólar (que voltou a se valorizar);
  • Ouro físico, que também teve oscilação de alta.

O comportamento mostra que, apesar do discurso de que o Bitcoin é “ouro digital”, o ativo ainda funciona mais como um ativo de risco, altamente sensível a instabilidades geopolíticas e intervenções macroeconômicas.

BTC vinha em forte tendência de alta com dólar fraco

bitcoin
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Rali anterior foi puxado pela expectativa de juros mais baixos

Antes da queda, a Bitcoin vinha registrando uma sequência de recordes recentes motivada por:

  • Enfraquecimento do dólar, com expectativa de corte nos juros americanos;
  • Maior apetite por ativos alternativos;
  • Crescimento no interesse institucional por ETFs de criptomoedas.

A possibilidade de redução nas taxas pelo Federal Reserve (Fed) havia reduzido o atrativo de ativos tradicionais e impulsionado a demanda por BTC, ouro e ativos digitais, numa tentativa de proteção inflacionária.

Reação do mercado: pânico, liquidação e cautela

Exchanges viram volume subir com vendas de emergência

A súbita queda do Bitcoin provocou movimentações atípicas nas principais exchanges do mundo, como Binance, Coinbase e Kraken. Os volumes de negociação dispararam, com milhares de investidores buscando realizar lucros ou minimizar perdas diante do movimento de correção.

Segundo dados da CoinGlass, mais de US$ 420 milhões foram liquidados em posições alavancadas nas primeiras horas após o anúncio da tarifa.

“Flash crash” e ordens automáticas de venda

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Parte da intensidade da queda pode ser atribuída a “stop orders” e vendas automatizadas, que foram executadas em cadeia à medida que o preço da Bitcoin rompia suportes técnicos. Especialistas apontam que o evento configura um típico “flash crash”, comum em mercados com grande participação de algoritmos e operações alavancadas.

O que dizem os analistas?

Recuperação parcial, mas cenário ainda volátil

Segundo analistas do JP Morgan e da Glassnode, a reação inicial foi exagerada, mas reflete a fragilidade do otimismo recente no mercado cripto. A expectativa de queda de juros foi parcialmente comprometida com o retorno do dólar forte, e isso reverteu o fluxo para ativos mais defensivos.

“A recuperação do sábado mostra que o suporte dos US$ 100 mil está sendo defendido. Mas é um sinal claro de que a narrativa otimista pode ser revertida a qualquer momento por fatores externos”, afirma o analista Thomas Beck, da BitInsight.

Previsão de curto prazo: lateralização ou nova queda?

As projeções para os próximos dias são cautelosas. Enquanto alguns acreditam em estabilização entre US$ 110 mil e US$ 115 mil, outros temem uma nova rodada de vendas caso:

  • A tarifa dos EUA entre em vigor antes do previsto;
  • A China anuncie novas retaliações;
  • O Fed sinalize reversão na política de juros.

Trump e a nova postura comercial dos EUA

trump YouTube
Imagem: Evan El-Amin / shutterstock.com

Nacionalismo econômico de volta ao centro da política

Com Trump em seu segundo mandato, a postura protecionista dos Estados Unidos foi reacendida, especialmente em temas sensíveis como:

  • Tecnologia e semicondutores;
  • Energia limpa e baterias elétricas;
  • Produção militar e controle estratégico.

A nova tarifa de 100% não é isolada. Segundo fontes da Casa Branca, o governo planeja expandir as restrições a outros setores caso a China mantenha os controles sobre as exportações de insumos críticos.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados