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Bitcoin despenca para abaixo de US$ 115 mil após tarifa global de Trump abalar mercados e liquidações sacudirem o setor cripto

O preço do Bitcoin (BTC) sofreu forte queda nesta sexta-feira, 1º de agosto de 2025, atingindo o menor nível das últimas três semanas: US$ 114.250, durante o pregão asiático.

O recuo representa uma desvalorização de cerca de 6,5% em relação à máxima histórica de US$ 122.800 registrada em 14 de julho, colocando o ativo firmemente abaixo da faixa de suporte entre US$ 115 mil e US$ 118 mil mantida nas últimas sessões.

A queda foi motivada principalmente pela reação imediata dos investidores à nova ordem executiva de Donald Trump, que determinou tarifas comerciais ampliadas para países como Canadá, Suíça, Taiwan e Tailândia. A medida reacendeu temores de uma guerra comercial em escala global.

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O que está acontecendo? Contexto macroeconômico pressiona

O anúncio das tarifas, feito na noite anterior pela Casa Branca, chegou após semanas de negociações com aliados estratégicos. Embora Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido e Japão tenham fechado acordos para evitar novas restrições, a retaliação sobre outros mercados importantes provocou um choque de confiança nos ativos de risco.

Segundo Nick Ruck, diretor de pesquisa da LVRG Research, a movimentação do mercado reflete uma combinação de fatores:

“Há uma preocupação crescente com o impacto real das tarifas nos custos de importação e nas cadeias de suprimentos globais. Ao mesmo tempo, investidores institucionais veem a alta recente como uma oportunidade para realização de lucros diante da incerteza.”

O temor é de que uma escalada protecionista promova efeitos recessivos sobre o crescimento global — um cenário que historicamente afeta negativamente o apetite por ativos voláteis como criptomoedas.

US$ 630 milhões em liquidações: a reação dos derivativos

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Imagem: Hi my name is Jacco / shutterstock

O impacto imediato foi sentido também no mercado de derivativos. Segundo dados da CoinGlass, mais de 158 mil traders foram liquidados em apenas 24 horas, com perdas totais de US$ 630 milhões — a grande maioria oriunda de posições longas apostando na alta do Bitcoin.

O movimento levou à retirada de US$ 110 bilhões em valor de mercado do setor cripto spot em apenas 12 horas, afetando também altcoins como Ethereum (ETH), Solana (SOL), XRP e Aptos (APT).

Pressão técnica: suporte em US$ 111 mil entra em foco

Analistas técnicos agora monitoram com atenção o patamar de US$ 111.000, apontado como a próxima grande zona de suporte no gráfico diário do BTC. Caso o ativo perca essa referência, o risco de uma correção mais profunda se eleva, podendo levar o Bitcoin de volta à faixa de US$ 100 mil.

Henrik Andersson, CIO da Apollo Capital, reforça que o movimento atual parece mais uma realização natural de lucros do que um colapso estrutural:

“O mercado estava esticado. Se algum avanço for feito em direção a um acordo com a China, podemos ver uma retomada. Até lá, teremos semanas de volatilidade.”

A força das liquidações no mercado de futuros

O sell-off foi impulsionado por um acúmulo de alavancagem em contratos perpétuos e futuros. Nos dias anteriores, o aumento do interesse aberto (open interest) e a queda no funding rate já indicavam uma possível reversão.

Gráficos do par BTCUSDT na Binance e na Bybit mostravam áreas críticas de liquidação:

  • Acima de US$ 120 mil: Shorts corriam risco de liquidação;
  • Abaixo de US$ 115 mil: Longs entraram em zona de colapso.

Segundo a TRDR, ordens de venda se intensificaram em US$ 121.100, enquanto grandes compradores surgiram apenas na faixa de US$ 111 mil, consolidando a expectativa de um novo range.

Compressão de preço e estreitamento de bandas

Antes do anúncio tarifário, indicadores técnicos já apontavam para um movimento explosivo de expansão de faixa, após semanas de compressão:

  • As Bandas de Bollinger se estreitaram, sinalizando iminente aumento de volatilidade;
  • O preço oscilava acima da média móvel de 20 dias, sustentando o sentimento de alta;
  • O Índice de Força Relativa (RSI) caiu abaixo de 50, apontando reversão de momentum.

Esse comportamento foi interpretado por analistas como um momento crítico: ou o BTC confirmaria o rompimento de alta ou cairia para buscar liquidez mais abaixo.

Venda institucional e comportamento das “baleias”

Apesar da euforia recente, o Bitcoin enfrentava pressão vendedora institucional desde o pico de julho. Dados on-chain revelam que grandes detentores — as chamadas “baleias” — aproveitaram o rali para realizar lucros, principalmente entre US$ 118 mil e US$ 122 mil.

Além disso, mineradores também contribuíram com vendas significativas, totalizando cerca de 15.000 BTC, segundo a CryptoQuant. O movimento é típico de um mercado em consolidação, com investidores buscando proteger ganhos em um ambiente macroeconômico instável.

ETFs de Bitcoin voltam a registrar saídas

O sentimento de cautela também se reflete nos ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos. Após semanas de entradas líquidas, os fundos registraram resgates de US$ 285 milhões nos últimos sete dias. Ainda assim, a tendência acumulada em 2025 segue positiva, com entradas de mais de US$ 3,1 bilhões no total.

Segundo o analista James Butterfill, da CoinShares:

“Embora as saídas recentes sinalizem aversão ao risco de curto prazo, a estrutura de longo prazo do mercado permanece otimista.”

Panorama político: ironia e contradição

Curiosamente, o anúncio tarifário ocorreu poucos dias após a Casa Branca divulgar um relatório pró-cripto, exaltando o papel do Bitcoin e das finanças descentralizadas (DeFi) no futuro da competitividade econômica dos EUA.

A fala do presidente da SEC, Paul Atkins, durante o evento “Liderança Americana na Revolução das Finanças Digitais” reforçou a ideia de que a administração Trump adotará uma postura mais aberta à inovação digital — ainda que medidas como as tarifas tragam efeitos colaterais indesejados aos mercados.

Desempenho mensal ainda é histórico

Apesar da turbulência atual, julho encerrou com o maior fechamento mensal da história do Bitcoin, a US$ 115.784. Isso reforça o argumento de que o movimento de baixa é mais correção do que reversão.

Ainda assim, o maior salto mensal permanece com novembro de 2024, quando o BTC subiu impressionantes US$ 26.000 após a confirmação da vitória eleitoral de Donald Trump.

Expectativas futuras: volatilidade até o quarto trimestre

Com a agenda macroeconômica instável e sem novos catalisadores evidentes no curto prazo, especialistas esperam volatilidade moderada nas próximas semanas. Dados de opções mostram traders se posicionando com puts em US$ 95 mil e US$ 100 mil para agosto e setembro — sugerindo expectativa de correção entre 10% e 20%.

Contudo, tendências históricas mostram que o quarto trimestre é sazonalmente o mais forte para o Bitcoin. Desde 2013, o retorno médio do BTC entre outubro e dezembro supera os 52%.

Conclusão: mercado resfria, mas fundamentos de longo prazo se mantêm

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Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

A queda do Bitcoin para US$ 114 mil marca um momento decisivo para o setor de criptomoedas em 2025. Tarifas comerciais, liquidações em massa e tensões políticas globais alimentam o pessimismo de curto prazo.

No entanto, os fundamentos estruturais permanecem sólidos, com adoção crescente, influxo institucional e desenvolvimento regulatório mais claro.

A principal criptomoeda do mercado parece entrar em uma fase de consolidação saudável, que poderá preparar o terreno para novos patamares de alta no final do ano — especialmente se o cenário geopolítico se estabilizar.