Conflito Israel-Irã ofusca avanço regulatório nos EUA e derruba Bitcoin abaixo de US$ 104 mil
O mercado de criptomoedas, que nos últimos meses parecia imune a instabilidades geopolíticas, voltou a sentir os impactos de tensões internacionais. O Bitcoin (BTC), maior criptomoeda do mundo, opera em forte queda após o agravamento do conflito entre Israel e Irã, com investidores migrando para ativos considerados mais seguros.
Ao mesmo tempo, um importante avanço regulatório nos Estados Unidos, com a aprovação do projeto de lei “Genius Act” pelo Senado, pouco influenciou o humor dos mercados digitais.
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BTC em baixa apesar de avanços regulatórios
Na manhã desta terça-feira (18), o Bitcoin registrava queda de 1,5% em 24 horas, sendo negociado a US$ 103.979, segundo dados do CoinGecko. A moeda digital reflete a insegurança provocada pelo aumento da tensão no Oriente Médio.
Já o Ether (ETH), segunda maior criptomoeda do mercado, caiu 3,2%, sendo cotado a US$ 2.475. Em reais, o BTC recua 1,2%, valendo R$ 575.384, conforme o CoinTrader Monitor.
As altcoins também sofrem com a instabilidade global:
- XRP recua 4,4%, cotado a US$ 2,12
- Solana (SOL) tem queda de 4%, negociada a US$ 144,30
- BNB, da Binance, perde 2,6%, sendo vendido a US$ 638,46
O valor de mercado total das criptomoedas caiu para US$ 3,34 trilhões, evidenciando uma fuga significativa de capital de ativos considerados voláteis.
O que pesa mais: guerra ou regulação?
A aprovação do “Genius Act”, projeto de lei que propõe a regulamentação das stablecoins nos EUA, é um marco histórico para o setor de ativos digitais. Contudo, o timing da notícia — em meio ao agravamento da crise geopolítica — fez com que seu impacto positivo fosse neutralizado por uma aversão ao risco generalizada.
Panorama geopolítico: o epicentro da queda
Sexto dia de confronto entre Israel e Irã eleva tensão global
Segundo André Franco, CEO da Boost Research, os mercados globais operam em modo defensivo enquanto se agrava o conflito entre Israel e Irã, já no sexto dia de enfrentamentos.
O aumento da instabilidade no Oriente Médio impulsionou o preço do petróleo e acentuou a migração de investidores para ativos de proteção, como o dólar e os Treasuries.
“O Bitcoin começou a sentir o impacto do clima de aversão ao risco, refletindo a saída de capital de ativos mais voláteis em meio à incerteza geopolítica e à expectativa em torno da decisão do Fed e do discurso de Jerome Powell”, explicou Franco.
Efeito dominó: criptomoedas perdem com fuga de capital
O conflito traz à tona um comportamento clássico do mercado financeiro: em tempos de incerteza, os investidores preferem ativos com menor volatilidade e liquidez garantida. Neste cenário, mesmo os ativos digitais mais consolidados, como o Bitcoin, perdem espaço para investimentos mais tradicionais.
Decisão do Fed: estabilidade nos juros pode ser insuficiente
Outro fator que contribui para a cautela no mercado é a aguardada decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) sobre os juros dos EUA. A expectativa é de que o Federal Reserve mantenha a taxa básica de juros entre 4,25% e 4,5% ao ano.
No entanto, o foco está na coletiva de imprensa de Jerome Powell, presidente do Fed, que poderá sinalizar futuras reduções nas taxas — algo que traria alívio ao mercado financeiro global.
Caso Powell indique que cortes nos juros estão no radar da autoridade monetária, o Bitcoin e outras criptomoedas podem retomar seu movimento de valorização, impulsionadas por uma possível desvalorização do dólar.
Genius Act: um divisor de águas para stablecoins
Apesar do contexto geopolítico desfavorável, o setor cripto obteve um importante avanço legislativo nos EUA. O Senado aprovou o projeto conhecido como “Genius Act”, que estabelece normas para a emissão, custódia e supervisão de stablecoins — ativos digitais atrelados a moedas fiduciárias como o dólar.
A proposta, que ainda precisa passar pela Câmara de Representantes e ser sancionada pelo presidente Donald Trump, é vista como um passo decisivo rumo à institucionalização do mercado cripto.
Repercussão positiva no setor
Rocelo Lopes, CEO da SmartPay, avaliou a aprovação como um “divisor de águas” na trajetória das criptomoedas.
“Uma das maiores potências econômicas do mundo sinaliza de forma positiva para o setor. Isso demonstra que os criptoativos vieram para ficar, algo que vem sendo comprovado a cada dia”, afirmou Lopes.
O Genius Act pode trazer maior segurança jurídica para emissores de stablecoins, atrair investidores institucionais e abrir caminho para a utilização mais ampla de moedas digitais em sistemas de pagamento e transferências internacionais.
ETFs mostram resiliência mesmo em cenário conturbado
Bitcoin mantém fluxo positivo em ETFs nos EUA
Mesmo diante do ambiente de tensão, os fundos de índice de Bitcoin à vista (spot ETFs) negociados nas bolsas americanas mostraram desempenho resiliente. Segundo dados do mercado, os ETFs de BTC registraram entrada líquida de US$ 216,5 milhões no último pregão.
O destaque foi o IBIT, fundo gerido pela BlackRock, que registrou um saldo positivo de US$ 639,2 milhões — resultado da diferença entre compras e vendas de cotas.
ETFs de Ether também atraem investidores
O desempenho dos ETFs de Ethereum também surpreendeu positivamente. O fundo ETHA, também da BlackRock, registrou fluxo positivo de US$ 36,7 milhões, dentro de um total de US$ 11,1 milhões de entradas líquidas em ETFs da criptomoeda.
Esse movimento sugere que, apesar da instabilidade, investidores institucionais mantêm interesse nos ativos digitais, apostando na valorização de longo prazo.
Análise de curto e médio prazo para o Bitcoin
Para analistas como André Franco, a influência do conflito no Oriente Médio sobre o mercado de criptomoedas deve continuar no curto prazo. A intensificação das tensões aumenta a instabilidade e pode manter o Bitcoin sob pressão, com risco de testes abaixo dos US$ 100 mil nas próximas sessões.
Perspectiva neutra a positiva no médio prazo
Caso a tensão geopolítica diminua e o Federal Reserve sinalize uma flexibilização da política monetária, o cenário pode se inverter. A aprovação do Genius Act e o fluxo contínuo para os ETFs são fatores estruturais que jogam a favor da valorização do BTC e demais criptoativos.
Conclusão: guerra pesa mais que avanço regulatório — por enquanto
A combinação entre o agravamento da crise entre Israel e Irã e a expectativa em torno da política monetária americana colocou o Bitcoin em rota de queda, mesmo diante de um avanço regulatório histórico para as stablecoins.
No curto prazo, a incerteza geopolítica deve continuar sendo o principal fator de influência sobre o mercado. Porém, com a possível aprovação definitiva do Genius Act e eventuais cortes de juros pelo Fed, o ambiente poderá se tornar novamente favorável para os criptoativos.