Bitcoin em correção: guerra comercial entre EUA e China dita ritmo do mercado cripto
O mercado de criptomoedas inicia esta quinta-feira (24) com um movimento de correção. O Bitcoin (BTC) é negociado na faixa de US$ 92 mil, com uma queda próxima de 1%, revertendo parcialmente os ganhos registrados no dia anterior.
A retração ocorre em meio a incertezas no cenário macroeconômico e tensões renovadas entre Estados Unidos e China, reacendendo o alerta de uma guerra comercial.
Leia mais:
Tesla mantém Bitcoin em meio a queda nos lucros e Elon Musk promete menor envolvimento com DOGE
Bolsas globais em compasso de espera
Os mercados tradicionais também sentem o peso do ambiente geopolítico instável. As bolsas asiáticas encerraram o pregão com resultados mistos, enquanto os principais índices europeus e os futuros de Wall Street operam no vermelho.
O pano de fundo é o impasse nas negociações comerciais entre as duas maiores economias do mundo. Embora existam sinais de conversas “ativas” entre EUA e China, a possível redução das tarifas de 145% para uma faixa entre 50% e 65% ainda carece de confirmação e prazo.
“As incertezas sobre os termos dessa flexibilização tarifária impedem uma reação mais firme dos mercados”, analisa André Franco, CEO da Boost Research.
Bitcoin: ativo de risco ou refúgio?

A atual conjuntura reforça um velho debate no universo financeiro: o Bitcoin é ativo de risco ou reserva de valor?
Para André Franco, o comportamento da criptomoeda nos últimos dias mostra que a correlação com ativos como ações continua alta, diferentemente do ouro, que voltou a subir após dois dias de queda.
“A ausência de novos catalisadores macroeconômicos ou regulatórios faz com que o BTC se mantenha lateralizado, com potencial de alta caso o apetite por risco retorne ou se a incerteza comercial aumente”, acrescenta Franco.
As 10 maiores criptomoedas: desempenho nas últimas 24h
| # | Nome (Símbolo) | Preço (USD) | Variação 24h (%) | Variação 7d (%) | Variação no ano (%) |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Bitcoin (BTC) | 92.614,25 | -1,15% | 9,26% | -0,84% |
| 2 | Ethereum (ETH) | 1.752,23 | -3,28% | 9,59% | -47,40% |
| 3 | Tether (USDT) | 1,00 | 0,01% | 0,04% | 0,22% |
| 4 | XRP (XRP) | 2,16 | -4,59% | 2,64% | 4,03% |
| 5 | BNB (BNB) | 597,68 | -2,38% | 1,83% | -14,74% |
| 6 | Solana (SOL) | 148,19 | -2,43% | 10,68% | -21,69% |
| 7 | USD Coin (USDC) | 0,9999 | 0,01% | 0,00% | 0,00% |
| 8 | Dogecoin (DOGE) | 0,1736 | -5,14% | 10,78% | -45,01% |
| 9 | Cardano (ADA) | 0,6896 | -2,11% | 11,26% | -18,26% |
| 10 | TRON (TRX) | 0,2446 | -0,62% | -1,42% | -3,75% |
O que os números mostram?
A performance negativa diária é quase generalizada. Criptomoedas como Ethereum, Dogecoin e XRP registram quedas significativas, enquanto moedas estáveis como Tether e USDC permanecem praticamente inalteradas.
Investidores institucionais aguardam por catalisadores concretos
O comportamento recente de grandes fundos de investimento em criptomoedas nos EUA revela uma tendência clara: os movimentos mais expressivos ocorrem em resposta a eventos marcantes. Um levantamento feito pelo Crypto Rank mostra dois grandes momentos de alta institucional no mercado:
- Após a aprovação dos primeiros ETFs de Bitcoin à vista nos EUA, no início de 2024;
- Durante a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA, no final do mesmo ano.
Fora desses períodos, as compras institucionais permaneceram relativamente estáveis, sugerindo uma abordagem reativa e estratégica.
“Eventos como ajustes na política monetária do Federal Reserve ou a aprovação de ETFs em regiões como Europa e Ásia podem gerar novos impulsos”, afirma a análise do Crypto Rank.
Quais são os possíveis catalisadores para uma nova alta?
Política monetária e Federal Reserve
O Federal Reserve ainda mantém uma política monetária restritiva, o que impacta negativamente ativos de risco como criptomoedas.
Qualquer sinal de afrouxamento dos juros poderá reacender o interesse em Bitcoin, funcionando como combustível para uma nova fase de valorização.
Aprovação de ETFs em novos mercados
A possível liberação de ETFs de Bitcoin na Europa e na Ásia pode representar uma nova onda de liquidez no mercado, atraindo investidores que ainda não têm acesso facilitado ao ativo digital.
Avanços técnicos na rede Bitcoin
Melhorias de escalabilidade, como implementações da Lightning Network, e inovações em contratos inteligentes na rede Bitcoin podem reforçar a usabilidade da moeda e, por consequência, seu valor de mercado.
O fator Trump e sua política comercial
Com a volta de Donald Trump ao centro das decisões políticas, o mercado observa com atenção os próximos passos da sua política comercial. Trump é conhecido por adotar tarifas agressivas como arma de negociação internacional, o que gera volatilidade nos mercados globais.
Atualmente, espera-se uma decisão oficial sobre as tarifas de importação da China. Caso haja uma redução significativa, isso pode aliviar a tensão nos mercados e favorecer ativos de risco, incluindo o Bitcoin.
Bitcoin e ouro: ativos opostos ou complementares?
Correlação negativa não é mais regra
Historicamente, o ouro e o Bitcoin tinham comportamentos opostos: quando um subia, o outro caía. No entanto, nos últimos meses, essa correlação parece menos rígida.
A alta recente do ouro enquanto o Bitcoin recuava sugere que os investidores estão reavaliando o papel de cada ativo em suas carteiras.
Cenário de incerteza favorece a diversificação
Com os mercados pressionados por tensões políticas e comerciais, muitos investidores optam por estratégias de diversificação de risco. Isso inclui dividir recursos entre ativos digitais e commodities tradicionais.
O que esperar para o curto prazo?
Com uma agenda macroeconômica esvaziada nesta semana, a tendência é que o Bitcoin continue oscilando dentro de uma faixa de suporte entre US$ 90 mil e US$ 93 mil. Qualquer novidade sobre tarifas ou movimentações do Federal Reserve poderá alterar esse cenário.
“Estamos num momento de compasso de espera. O mercado está de olho em Trump, no Fed e em novos movimentos institucionais”, resume André Franco.
Conclusão: correção técnica ou início de uma nova tendência?
O recuo do Bitcoin para US$ 92 mil pode ser visto como uma correção técnica saudável, após fortes altas recentes. No entanto, a falta de catalisadores concretos impede uma retomada mais consistente. A guerra comercial entre EUA e China, combinada com a política monetária global, continua sendo o maior fator de influência no curto prazo.
Enquanto isso, investidores devem adotar uma postura cautelosa, analisando o cenário global com atenção e ajustando suas estratégias conforme os sinais macroeconômicos e geopolíticos.
