O mercado de criptomoedas enfrenta uma de suas semanas mais turbulentas em 2025. O Bitcoin (BTC), principal ativo digital do mundo, voltou a testar o piso psicológico dos US$ 100 mil, atingindo sua menor cotação em quase 30 dias.
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A queda é atribuída não apenas a fatores técnicos ou macroeconômicos, mas a uma briga pública e inesperada entre duas das figuras mais influentes da atualidade: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o bilionário empresário Elon Musk.
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Panorama atual: BTC recua e perde marca dos R$ 600 mil no Brasil

Na manhã desta sexta-feira (6), o Bitcoin opera em queda de 1,1%, sendo negociado a US$ 103.751 nos mercados internacionais. No Brasil, o preço da criptomoeda também sente os reflexos do recuo global e é cotado a R$ 584.530, abaixo do patamar dos R$ 600 mil mantido nas últimas semanas, segundo dados do Portal do Bitcoin.
A retração representa um forte contraste em relação à valorização acumulada desde o halving ocorrido em abril, que havia renovado expectativas de máximas históricas. O movimento de queda reflete o nervosismo generalizado no mercado de criptoativos, especialmente após os eventos políticos recentes nos EUA.
Entenda o que está por trás da nova correção do Bitcoin
Na quinta-feira (5), o BTC passou por uma jornada extremamente volátil. Às 10h30 da manhã, o ativo digital era negociado a cerca de US$ 105.800. No entanto, uma combinação de fatores macroeconômicos e ruídos políticos pressionou o mercado, levando o Bitcoin a recuar para US$ 100.700 por volta das 18h — o menor nível registrado desde o início de maio.
O movimento abrupto gerou um efeito cascata sobre o restante do mercado cripto, resultando em liquidações de mais de US$ 968 milhões em posições derivativas nas últimas 24 horas. De acordo com o agregador de dados CoinGlass, a maior parte dessas perdas — cerca de US$ 855 milhões — afetou traders que apostavam na alta do Bitcoin e demais ativos digitais.
Mercado alavancado amplia magnitude das perdas
Segundo Vincent Liu, diretor de investimentos da Kronos Research, a queda do Bitcoin foi potencializada por uma estrutura de mercado fragilizada, marcada por alta alavancagem e liquidações automáticas. Em entrevista ao portal The Block, Liu destacou:
“O evento de liquidação foi a tempestade perfeita, alimentada pela disputa entre Trump e Musk, temores macroeconômicos impulsionados por tarifas e um mercado altamente alavancado. A estrutura do mercado de criptoativos permite que correções se acelerem rapidamente, transformando um sentimento negativo em um colapso sistêmico.”
O embate entre Trump e Musk: fator catalisador da queda do Bitcoin

O estopim da briga entre Trump e Elon Musk foi a aprovação de uma proposta legislativa que visa alterar a estrutura tributária dos Estados Unidos. O plano, apoiado por Trump e sua base republicana, prevê um aumento significativo da dívida pública, estimado em US$ 2,4 trilhões, com o objetivo de financiar cortes de impostos para empresas e famílias.
Musk, que sempre teve um discurso libertário em relação a impostos e regulação estatal, criticou duramente o projeto, classificando-o como uma “abominação repugnante”. Em uma série de publicações na plataforma X (antigo Twitter), o CEO da Tesla e da SpaceX acusou Trump de interesses escusos e afirmou que, sem seu apoio, o ex-presidente não venceria as eleições de 2024.
Acusações graves e escalada de tensão
O ponto mais sensível da discussão veio quando Musk sugeriu que Trump estaria envolvido nos “arquivos Epstein”, uma referência ao falecido financista Jeffrey Epstein, acusado de comandar uma rede internacional de tráfico sexual. “Essa é a razão de os arquivos ainda não terem sido publicados”, escreveu Musk, insinuando que haveria um pacto de silêncio para proteger o político.
A resposta de Trump veio em tom de ataque direto. O republicano acusou Musk de estar “maluco” e ameaçou encerrar todos os contratos governamentais com empresas lideradas por Elon Musk. A medida impactaria diretamente os negócios da SpaceX, que depende de contratos com a NASA e com o Departamento de Defesa dos EUA.
“Elon e eu tínhamos um ótimo relacionamento. Não sei se ainda temos. Estou muito decepcionado com Elon. Eu o ajudei muito”, afirmou Trump durante uma coletiva em Ohio.
Impacto direto nas ações e no setor tecnológico
As declarações de Trump provocaram uma reação imediata no mercado de ações, especialmente nos papéis da Tesla. A montadora viu suas ações caírem cerca de 12% em um único pregão, à medida que os investidores passaram a temer retaliações políticas e perda de subsídios federais para veículos elétricos.
Com os ativos da Tesla representando parte relevante do portfólio de diversos fundos de investimento e ETFs, o impacto também reverberou no índice Nasdaq, que fechou o dia com queda de 2,8%.
Criptomoedas seguem rastro do mercado de tecnologia
A correlação entre ativos de tecnologia e criptomoedas, já conhecida por analistas, voltou a se manifestar com força. Conforme a Nasdaq recuava, o Bitcoin e altcoins como Ethereum, Solana e Avalanche também entravam em território negativo, com perdas superiores a 5% em algumas horas.
Cenário macroeconômico e incertezas fiscais agravam cenário
Além da tensão política, a proposta de Trump também elevou os temores quanto à sustentabilidade fiscal dos Estados Unidos, que já convivem com uma dívida superior a US$ 34 trilhões.
Especialistas apontam que a iniciativa pode aumentar a pressão sobre os títulos do Tesouro, elevando os rendimentos e forçando o Federal Reserve a reavaliar suas políticas monetárias.
A ameaça de desvalorização do dólar em meio a um cenário inflacionário contribui para uma maior aversão ao risco — movimento que tradicionalmente pressiona o setor de ativos digitais, apesar de o Bitcoin ser visto por muitos como um “porto seguro”.
Análise técnica e perspectivas para o preço do Bitcoin
De acordo com analistas gráficos, o Bitcoin entrou em uma zona de suporte entre US$ 98 mil e US$ 101 mil, que historicamente tem servido como base para recuperações em ciclos anteriores.
No entanto, o rompimento desse intervalo pode abrir espaço para quedas mais acentuadas, com alvos projetados entre US$ 92 mil e US$ 95 mil.
Alta alavancagem segue como risco estrutural
Com o mercado ainda altamente alavancado, conforme mostram dados do CoinGlass, existe o risco de novas ondas de liquidações caso o preço do BTC não se estabilize nos próximos dias.
Investidores institucionais também têm mostrado cautela, reduzindo sua exposição em produtos cripto com entrada líquida negativa nos ETFs dos EUA na última semana.
O que esperar nos próximos dias?
A tendência de curto prazo é de continuidade da volatilidade, especialmente diante da instabilidade política e das incertezas fiscais. O mercado de criptoativos pode sofrer com novos episódios de liquidez reduzida e oscilações amplificadas por algoritmos e derivativos.
Expectativas para o final de semana
Historicamente, os finais de semana tendem a apresentar menor liquidez nos mercados cripto, o que pode gerar movimentos abruptos em função de ordens de venda ou compra concentradas. Analistas recomendam cautela, principalmente para quem opera com alavancagem ou em ativos de menor capitalização.
Conclusão: A guerra de egos entre Musk e Trump virou risco de mercado

O embate entre Donald Trump e Elon Musk extrapolou o campo político e se tornou um risco sistêmico para os mercados financeiros globais, impactando desde ações da Tesla até o preço do Bitcoin. Com um cenário macroeconômico delicado, pressão inflacionária e elevado endividamento dos EUA, a disputa ganhou contornos preocupantes para investidores.
O Bitcoin, que se consolidava como ativo de reserva em meio à instabilidade monetária, foi novamente lembrado de sua vulnerabilidade a fatores externos — inclusive políticos. Nas próximas semanas, a atenção do mercado estará voltada ao desfecho dessa tensão, às medidas do Federal Reserve e à resiliência do BTC diante de um mundo cada vez mais imprevisível.

