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Mercado de criptomoedas entra em fase de correção: Bitcoin recua a US$ 102 mil em meio a incertezas macroeconômicas

Bitcoin recua para US$ 102 mil e arrasta as principais criptomoedas para o vermelho. Realização de lucros e cautela com guerra comercial e dados dos EUA influenciam.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Bitcoin

O mercado de ativos digitais começou esta quinta-feira (15) sob forte pressão vendedora, com as 20 principais criptomoedas do mundo registrando perdas generalizadas. O movimento de correção vem após semanas de ganhos robustos impulsionados por otimismo com acordos comerciais e expectativas de recuperação econômica global.

Entre as principais quedas, o Bitcoin (BTC) perdeu força e recuou para a casa dos US$ 102 mil, depois de ter alcançado os US$ 104 mil na véspera. O Ethereum (ETH), por sua vez, retornou ao nível de US$ 2.500, reforçando o cenário de realização de lucros e maior cautela por parte dos investidores.

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Mercado realiza lucros em meio à ausência de novos catalisadores

Nos últimos dias, o Bitcoin vinha ganhando fôlego graças ao otimismo com os desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e China, além de uma onda de compras institucionais.

No entanto, o fôlego comprador parece ter diminuído à medida que investidores decidiram embolsar lucros recentes, especialmente após a criptomoeda atingir patamares próximos a novas resistências técnicas.

“O BTC testou os US$ 104 mil, mas sem novidades significativas no front macroeconômico, era esperado algum tipo de correção”, explicou João Vicente, analista da BlockData Research.

Ethereum e altcoins acompanham retração

Ethereum
Imagem: Big Eyes Coin / Reprodução

Assim como o Bitcoin, o Ethereum também perdeu tração, voltando para US$ 2.561 após registrar máximas acima de US$ 2.600. Outras criptomoedas importantes seguiram a tendência de baixa, como XRP (-5,45%), Solana (-5,31%) e Dogecoin (-4,21%).

Mesmo os tokens com bom desempenho nos últimos meses, como Avalanche (AVAX), não escaparam da pressão. O AVAX, por exemplo, caiu 7,41%, sendo negociado por US$ 23,91. A Pi Network (PI) foi destaque negativo do dia, com queda superior a 28%.

Desdobramentos da guerra comercial e indicadores dos EUA aumentam tensão

Boa parte do recente otimismo com o mercado de criptomoedas veio do avanço nas negociações comerciais entre os Estados Unidos e seus principais parceiros, especialmente a China. Contudo, o caráter provisório do acordo firmado entre as duas potências econômicas voltou a gerar incertezas.

“Os mercados querem permanência, não paliativos. Um acordo temporário só adia os problemas, e isso se reflete no comportamento dos ativos de risco, como as criptos”, disse a economista Mariana Telles.

Dados macroeconômicos dos EUA no radar

Além das questões geopolíticas, o mercado também está em compasso de espera por novos dados da economia norte-americana.

Nesta quinta-feira estão previstas divulgações relevantes sobre vendas no varejo, produção industrial e inflação ao produtor (PPI), indicadores que podem influenciar diretamente a política monetária do Federal Reserve.

Caso os dados surpreendam positivamente, o sentimento de recessão pode diminuir e reanimar o apetite por ativos de risco. No entanto, se vierem aquém do esperado, analistas preveem nova rodada de liquidação no mercado cripto.

Panorama das principais criptomoedas nesta manhã

Às 8h30 da manhã desta quinta-feira, o desempenho das maiores criptomoedas era o seguinte:

CriptomoedaVariação (%)Preço (US$)
Bitcoin (BTC)-1,52%102.376
Ethereum (ETH)-2,07%2.561
XRP (XRP)-5,45%2,47
BNB (BNB)-0,87%652,27
Solana (SOL)-5,31%171,12
Dogecoin (DOGE)-4,21%0,2264
Avalanche (AVAX)-7,41%23,91
Pi Network (PI)-28,20%0,8897

Destaques corporativos: empresas seguem apostando no Bitcoin

A gigante do comércio eletrônico Mercado Livre, sediada na Argentina, anunciou a aquisição de 157,7 bitcoins no primeiro trimestre de 2025. A operação representa uma ampliação considerável de sua exposição ao ativo digital, que passou de 412,7 BTC no fim de 2024 para 570,4 BTC em março deste ano.

Com a nova compra, a empresa reafirma sua estratégia de longo prazo de diversificação de reservas em ativos digitais. A movimentação é vista como um sinal positivo de confiança institucional no Bitcoin, especialmente em tempos de instabilidade cambial e inflação nos mercados emergentes.

Méliuz se junta ao movimento corporativo pro-Bitcoin

A empresa brasileira Méliuz, que recentemente começou a acumular Bitcoin como parte de sua estratégia de reserva de valor, deu um passo adiante ao aderir ao grupo internacional Bitcoin For Corporations.

A organização reúne empresas interessadas em debater o papel do BTC no contexto corporativo, incluindo temas como tesouraria, compliance e regulamentação.

Em comunicado, o grupo afirmou estar “entusiasmado com o ingresso da Méliuz e seu compromisso em liderar a integração do Bitcoin ao ecossistema financeiro moderno”.

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Mastercard anuncia novo avanço com stablecoins

Em mais um passo rumo à adoção de criptomoedas no varejo, a Mastercard firmou parceria com a MoonPay para oferecer cartões que possibilitam pagamentos usando stablecoins.

As transações realizadas com esses cartões serão convertidas automaticamente em moedas fiduciárias, facilitando o uso em estabelecimentos comerciais em qualquer parte do mundo.

Segundo a Mastercard, a iniciativa visa simplificar o uso de criptoativos no cotidiano, promovendo acessibilidade e segurança. A MoonPay, por sua vez, destaca que o objetivo da parceria é acelerar a aceitação global de ativos digitais, reduzindo barreiras entre o mundo cripto e o sistema financeiro tradicional.

Análise técnica e perspectivas para o Bitcoin

Bitcoin
Imagem: Vladimka Production / Shutterstock.com

A queda do Bitcoin para US$ 102 mil desperta atenção dos analistas técnicos. Muitos veem o nível de US$ 100 mil como um suporte psicológico importante que precisa ser mantido para que a tendência de alta seja preservada.

“Se o BTC fechar abaixo dos US$ 100 mil nos próximos dias, podemos ver uma correção mais profunda rumo aos US$ 95 mil. No entanto, se houver reação compradora, o mercado pode retomar o caminho em direção aos US$ 110 mil”, avaliou Lucas Rangel, trader da CriptoAtiva.

Indicadores apontam para fase de consolidação

Indicadores técnicos como o RSI (Índice de Força Relativa) e as bandas de Bollinger sugerem que o Bitcoin pode entrar em uma fase de consolidação entre US$ 100 mil e US$ 105 mil. Esse comportamento lateral costuma preceder movimentos mais expressivos, sejam de alta ou de baixa.

A volatilidade reduzida pode ser benéfica para o mercado, permitindo que os investidores reorganizem suas posições à espera de novos catalisadores.

Conclusão: mercado aguarda novos sinais em meio à realização de lucros

O recuo do Bitcoin para US$ 102 mil e o desempenho negativo das principais criptomoedas refletem um movimento natural de realização de lucros, após semanas de ganhos expressivos.

Ao mesmo tempo, o cenário internacional — marcado por incertezas geopolíticas e dúvidas sobre a economia norte-americana — gera cautela entre os investidores.

Enquanto dados macroeconômicos e desdobramentos da guerra comercial permanecem no radar, o interesse institucional no Bitcoin segue firme, como mostram os casos de Mercado Livre e Méliuz. Iniciativas como a da Mastercard também indicam que, apesar das oscilações de curto prazo, o setor de criptoativos segue ganhando tração em direções estruturais.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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