Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Tempestade macroeconômica derruba o Bitcoin para US$ 113 mil e ameaça nova correção no mercado cripto

Com juros altos, tarifas americanas e sinais de estagflação nos EUA, o Bitcoin despenca para US$ 113 mil e pressiona o mercado cripto. Veja análise completa.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Ethereum ou Bitcoin

O mercado de criptomoedas enfrenta uma das semanas mais desafiadoras de 2025. Em meio a um cenário macroeconômico cada vez mais adverso nos Estados Unidos, o Bitcoin (BTC) recuou para o patamar de US$ 113 mil, pressionado por dados econômicos decepcionantes, novas tarifas comerciais e a resistência do Federal Reserve (Fed) em cortar juros.

A tempestade de fatores negativos reduziu o apetite por risco e levou os investidores a reverem suas estratégias. Em apenas 24 horas, o BTC caiu 1,04% e já acumula uma desvalorização de 7,55% em relação à sua máxima histórica recente.

Enquanto isso, outros ativos digitais também sofrem: Ethereum (ETH) caiu 3,36%, XRP recuou 3,86% e Solana (SOL) teve perdas de 2,85% no mesmo período, com um recuo semanal ainda mais expressivo.

Leia mais:

Bitcoin pode lateralizar e altcoins ganham espaço: análise aponta rotação estratégica no mercado cripto

Pressão política e econômica: o peso das palavras e das ações

Donald Trump e as promessas não cumpridas

O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem usado discursos populistas em prol do crescimento econômico e, por vezes, em defesa de ativos alternativos como o Bitcoin.

No entanto, apesar das promessas, o que se vê na prática são medidas que acentuam a aversão ao risco — como o novo pacote tarifário anunciado na semana passada.

Em vez de impulsionar os criptoativos, como muitos esperavam, as políticas econômicas do governo têm contribuído para um ambiente de incerteza, dificultando a sustentação dos preços dos ativos digitais.

Federal Reserve adota tom duro e mantém juros

Outro elemento central da crise atual é a postura firme do Fed, que insiste em não reduzir os juros, apesar das crescentes pressões do mercado e da classe política.

Essa resistência agrava as tensões, pois juros altos tornam os ativos de risco menos atraentes, redirecionando o capital para investimentos mais seguros, como títulos do Tesouro.

Dados econômicos reforçam o pessimismo

bitcoin
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Payroll abaixo do esperado

Na última sexta-feira, os dados de emprego dos EUA — conhecidos como payroll — frustraram as expectativas, indicando uma desaceleração mais intensa do que o previsto no mercado de trabalho durante julho.

PMI do setor de serviços decepciona

Nesta terça-feira (5), o Índice de Gerente de Compras (PMI) do setor de serviços veio ainda pior. Com leitura em 50,1 pontos, abaixo da projeção de 51,5, o indicador sugere estagnação. Como referência, valores abaixo de 50 apontam contração da atividade econômica.

Esse dado reforça os temores de que a economia americana esteja entrando em uma fase de estagflação — uma combinação tóxica de inflação elevada com baixo crescimento ou até recessão.

Impactos no mercado cripto: decepção generalizada

Bitcoin: trajetória de queda pode seguir até os US$ 100 mil?

Segundo o analista Omkar Godbole, da CoinDesk, os gráficos técnicos do Bitcoin acendem sinais de alerta preocupantes.

Análise técnica do BTC:

  • Linha de tendência que conecta os picos de 2017 e 2021 continua a atuar como resistência;
  • Indicadores como MACD e RSI mostram perda de força compradora;
  • O padrão gráfico de “três barras vermelhas” sinaliza reversão da tendência de alta.

Caso o suporte de US$ 111.965 seja rompido, o BTC pode buscar o nível psicológico de US$ 100 mil, uma queda expressiva em relação às máximas recentes. Para que haja reversão, o ativo teria de superar a resistência em US$ 122.056.

Níveis técnicos de atenção para o BTC:

TipoNível
Resistência 1US$ 120.000
Resistência 2US$ 122.056
Resistência 3US$ 123.181
Suporte 1US$ 111.965
Suporte 2US$ 112.301 (MM de 50 dias)
Suporte 3US$ 100.000

Ethereum: cruzamento de médias sugere mais quedas

O Ethereum também enfrenta um momento técnico desfavorável. Com queda acumulada de quase 10% na semana passada, o ETH formou um padrão gráfico conhecido como “semana externa de baixa”, que representa perda de controle por parte dos compradores.

As médias móveis de curto prazo cruzaram para baixo, e o gráfico de três linhas indica tendência negativa com dois blocos vermelhos consecutivos.

Suportes e resistências do ETH:

  • Suporte primário: US$ 3.355;
  • Suporte secundário: US$ 3.000;
  • Suporte crítico: US$ 2.879;
  • Resistência para reversão: US$ 4.000.

Reflexo nas altcoins: perdas em cadeia

O impacto da tempestade macroeconômica não se limita ao BTC e ETH. As altcoins também estão sentindo os efeitos do aumento da aversão ao risco:

CriptomoedaPreço AtualVariação 24hVariação 7d
XRPUS$ 2,94▼ 3,86%▼ 4,73%
Solana (SOL)US$ 164,20▼ 2,85%▼ 9,18%
Dogecoin (DOGE)US$ 0,2011▼ 3,20%▼ 7,37%
Cardano (ADA)US$ 0,7269▼ 3,45%▼ 4,26%

O que pensam os economistas?

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Recessão no horizonte?

Para o economista Mark Zandi, os sinais de desaceleração são cada vez mais claros. “A economia está à beira da recessão. Os gastos do consumidor estagnaram, a construção e a indústria estão se contraindo e o emprego deve cair”, afirmou em nota recente.

Segundo ele, com a inflação ainda pressionada, o Fed terá dificuldades para adotar uma postura mais acomodatícia.

Tarifa e juros: uma mistura explosiva

Os gestores da Hoisington Investment Management, Lacy Hunt e Van Hoisington, também apontam para um risco mal dimensionado. Para eles, o impacto inflacionário das novas tarifas será temporário, mas os efeitos contracionistas subsequentes serão duradouros.

“O Fed precisa adotar rapidamente uma política acomodatícia. Esperar será imprudente. O risco maior está na contração iminente da atividade global”, escreveram em relatório.

Investidores institucionais começam a recuar

Além dos dados econômicos e técnicos, o mercado também assiste a um recuo dos grandes players institucionais. Os ETFs de Bitcoin, que vinham sustentando parte do otimismo, registraram saídas de mais de US$ 1,2 bilhão nos últimos dias.

Esse movimento interrompe uma sequência positiva e adiciona pressão vendedora no mercado à vista, agravando ainda mais o cenário para o BTC e demais criptomoedas.

Há esperança? Narrativas de longo prazo seguem vivas

Apesar da turbulência atual, a tese estrutural do Bitcoin permanece de pé. Os fundamentos da escassez digital, da descentralização e da resistência à censura seguem sólidos, e muitos analistas acreditam que o mercado esteja apenas passando por uma correção saudável após os ganhos do primeiro semestre.

Fatores que sustentam o otimismo:

  • Adoção institucional crescente;
  • Avanço regulatório em regiões estratégicas;
  • Uso crescente do BTC como proteção contra políticas inflacionárias;
  • Redução de oferta pós-halving em abril de 2025.

Conclusão: Cautela no curto prazo, estratégia no longo prazo

Bitcoin hoje: preço alcança US$ 107 mil e alerta para zona técnica importante
Imagem: Seu Crédito Digital/Freepik

O recuo do Bitcoin para US$ 113 mil não é um evento isolado, mas o resultado de um conjunto de fatores que incluem:

  • Resistência do Fed em cortar juros;
  • Nova onda de tarifas comerciais nos EUA;
  • Indicadores econômicos sinalizando estagflação;
  • Saída de capital institucional e derretimento técnico dos gráficos.

Para o investidor de curto prazo, o momento é de prudência e avaliação cuidadosa dos níveis técnicos. Já para quem acredita no potencial estrutural dos criptoativos, a correção pode ser uma oportunidade de posicionamento estratégico antes de um novo ciclo de valorização.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

Topicos relacionados