Tempestade macroeconômica derruba o Bitcoin para US$ 113 mil e ameaça nova correção no mercado cripto
O mercado de criptomoedas enfrenta uma das semanas mais desafiadoras de 2025. Em meio a um cenário macroeconômico cada vez mais adverso nos Estados Unidos, o Bitcoin (BTC) recuou para o patamar de US$ 113 mil, pressionado por dados econômicos decepcionantes, novas tarifas comerciais e a resistência do Federal Reserve (Fed) em cortar juros.
A tempestade de fatores negativos reduziu o apetite por risco e levou os investidores a reverem suas estratégias. Em apenas 24 horas, o BTC caiu 1,04% e já acumula uma desvalorização de 7,55% em relação à sua máxima histórica recente.
Enquanto isso, outros ativos digitais também sofrem: Ethereum (ETH) caiu 3,36%, XRP recuou 3,86% e Solana (SOL) teve perdas de 2,85% no mesmo período, com um recuo semanal ainda mais expressivo.
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Pressão política e econômica: o peso das palavras e das ações
Donald Trump e as promessas não cumpridas
O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem usado discursos populistas em prol do crescimento econômico e, por vezes, em defesa de ativos alternativos como o Bitcoin.
No entanto, apesar das promessas, o que se vê na prática são medidas que acentuam a aversão ao risco — como o novo pacote tarifário anunciado na semana passada.
Em vez de impulsionar os criptoativos, como muitos esperavam, as políticas econômicas do governo têm contribuído para um ambiente de incerteza, dificultando a sustentação dos preços dos ativos digitais.
Federal Reserve adota tom duro e mantém juros
Outro elemento central da crise atual é a postura firme do Fed, que insiste em não reduzir os juros, apesar das crescentes pressões do mercado e da classe política.
Essa resistência agrava as tensões, pois juros altos tornam os ativos de risco menos atraentes, redirecionando o capital para investimentos mais seguros, como títulos do Tesouro.
Dados econômicos reforçam o pessimismo

Payroll abaixo do esperado
Na última sexta-feira, os dados de emprego dos EUA — conhecidos como payroll — frustraram as expectativas, indicando uma desaceleração mais intensa do que o previsto no mercado de trabalho durante julho.
PMI do setor de serviços decepciona
Nesta terça-feira (5), o Índice de Gerente de Compras (PMI) do setor de serviços veio ainda pior. Com leitura em 50,1 pontos, abaixo da projeção de 51,5, o indicador sugere estagnação. Como referência, valores abaixo de 50 apontam contração da atividade econômica.
Esse dado reforça os temores de que a economia americana esteja entrando em uma fase de estagflação — uma combinação tóxica de inflação elevada com baixo crescimento ou até recessão.
Impactos no mercado cripto: decepção generalizada
Bitcoin: trajetória de queda pode seguir até os US$ 100 mil?
Segundo o analista Omkar Godbole, da CoinDesk, os gráficos técnicos do Bitcoin acendem sinais de alerta preocupantes.
Análise técnica do BTC:
- Linha de tendência que conecta os picos de 2017 e 2021 continua a atuar como resistência;
- Indicadores como MACD e RSI mostram perda de força compradora;
- O padrão gráfico de “três barras vermelhas” sinaliza reversão da tendência de alta.
Caso o suporte de US$ 111.965 seja rompido, o BTC pode buscar o nível psicológico de US$ 100 mil, uma queda expressiva em relação às máximas recentes. Para que haja reversão, o ativo teria de superar a resistência em US$ 122.056.
Níveis técnicos de atenção para o BTC:
| Tipo | Nível |
|---|---|
| Resistência 1 | US$ 120.000 |
| Resistência 2 | US$ 122.056 |
| Resistência 3 | US$ 123.181 |
| Suporte 1 | US$ 111.965 |
| Suporte 2 | US$ 112.301 (MM de 50 dias) |
| Suporte 3 | US$ 100.000 |
Ethereum: cruzamento de médias sugere mais quedas
O Ethereum também enfrenta um momento técnico desfavorável. Com queda acumulada de quase 10% na semana passada, o ETH formou um padrão gráfico conhecido como “semana externa de baixa”, que representa perda de controle por parte dos compradores.
As médias móveis de curto prazo cruzaram para baixo, e o gráfico de três linhas indica tendência negativa com dois blocos vermelhos consecutivos.
Suportes e resistências do ETH:
- Suporte primário: US$ 3.355;
- Suporte secundário: US$ 3.000;
- Suporte crítico: US$ 2.879;
- Resistência para reversão: US$ 4.000.
Reflexo nas altcoins: perdas em cadeia
O impacto da tempestade macroeconômica não se limita ao BTC e ETH. As altcoins também estão sentindo os efeitos do aumento da aversão ao risco:
| Criptomoeda | Preço Atual | Variação 24h | Variação 7d |
|---|---|---|---|
| XRP | US$ 2,94 | ▼ 3,86% | ▼ 4,73% |
| Solana (SOL) | US$ 164,20 | ▼ 2,85% | ▼ 9,18% |
| Dogecoin (DOGE) | US$ 0,2011 | ▼ 3,20% | ▼ 7,37% |
| Cardano (ADA) | US$ 0,7269 | ▼ 3,45% | ▼ 4,26% |
O que pensam os economistas?
Recessão no horizonte?
Para o economista Mark Zandi, os sinais de desaceleração são cada vez mais claros. “A economia está à beira da recessão. Os gastos do consumidor estagnaram, a construção e a indústria estão se contraindo e o emprego deve cair”, afirmou em nota recente.
Segundo ele, com a inflação ainda pressionada, o Fed terá dificuldades para adotar uma postura mais acomodatícia.
Tarifa e juros: uma mistura explosiva
Os gestores da Hoisington Investment Management, Lacy Hunt e Van Hoisington, também apontam para um risco mal dimensionado. Para eles, o impacto inflacionário das novas tarifas será temporário, mas os efeitos contracionistas subsequentes serão duradouros.
“O Fed precisa adotar rapidamente uma política acomodatícia. Esperar será imprudente. O risco maior está na contração iminente da atividade global”, escreveram em relatório.
Investidores institucionais começam a recuar
Além dos dados econômicos e técnicos, o mercado também assiste a um recuo dos grandes players institucionais. Os ETFs de Bitcoin, que vinham sustentando parte do otimismo, registraram saídas de mais de US$ 1,2 bilhão nos últimos dias.
Esse movimento interrompe uma sequência positiva e adiciona pressão vendedora no mercado à vista, agravando ainda mais o cenário para o BTC e demais criptomoedas.
Há esperança? Narrativas de longo prazo seguem vivas
Apesar da turbulência atual, a tese estrutural do Bitcoin permanece de pé. Os fundamentos da escassez digital, da descentralização e da resistência à censura seguem sólidos, e muitos analistas acreditam que o mercado esteja apenas passando por uma correção saudável após os ganhos do primeiro semestre.
Fatores que sustentam o otimismo:
- Adoção institucional crescente;
- Avanço regulatório em regiões estratégicas;
- Uso crescente do BTC como proteção contra políticas inflacionárias;
- Redução de oferta pós-halving em abril de 2025.
Conclusão: Cautela no curto prazo, estratégia no longo prazo
O recuo do Bitcoin para US$ 113 mil não é um evento isolado, mas o resultado de um conjunto de fatores que incluem:
- Resistência do Fed em cortar juros;
- Nova onda de tarifas comerciais nos EUA;
- Indicadores econômicos sinalizando estagflação;
- Saída de capital institucional e derretimento técnico dos gráficos.
Para o investidor de curto prazo, o momento é de prudência e avaliação cuidadosa dos níveis técnicos. Já para quem acredita no potencial estrutural dos criptoativos, a correção pode ser uma oportunidade de posicionamento estratégico antes de um novo ciclo de valorização.