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Bitcoin sob ameaça quântica: desenvolvedores propõem congelar 25% dos BTC para proteger rede

Proposta polêmica de desenvolvedores visa congelar 25% dos bitcoins expostos a ataques de computação quântica. Entenda os riscos, soluções propostas e mais.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
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A segurança do Bitcoin, pilar fundamental da confiança no ativo digital mais valioso do mundo, está sob ameaça. Um novo alerta foi emitido por desenvolvedores da rede: aproximadamente 25% de todos os bitcoins em circulação estariam vulneráveis a ataques de computadores quânticos.

Para mitigar esse risco, uma proposta polêmica começa a ganhar força: congelar os fundos que não forem migrados para endereços resistentes à computação quântica.

Essa medida, radical e sem precedentes na história do Bitcoin, surge no contexto de um avanço acelerado da tecnologia quântica, que poderá comprometer os atuais modelos de criptografia. O plano envolve a aprovação de dois BIPs (Propostas de Melhoria do Bitcoin), com foco em segurança preventiva e migração em massa de endereços.

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O risco silencioso: o que está em jogo?

Computação quântica: inimiga silenciosa da segurança cripto

Embora os computadores quânticos ainda não sejam capazes de quebrar a criptografia do Bitcoin, desenvolvedores alertam que o progresso é mais rápido do que o esperado.

Projeções acadêmicas atualizadas estimam que um computador quântico com capacidade para quebrar a criptografia ECDSA/Schnorr pode surgir entre 2027 e 2030.

Além disso, melhorias em algoritmos quânticos já tornaram o processo cerca de 20 vezes mais eficiente, reduzindo os requisitos teóricos de hardware para um ataque bem-sucedido. O receio é que o “Dia-Q” ocorra de forma furtiva — com um invasor quebrando chaves privadas sem divulgar imediatamente as transações.

“O ‘Dia-Q’ pode ser reconhecido muito tempo depois [de seu início], caso o atacante decida não transmitir imediatamente as transações para esconder suas capacidades”, dizem os desenvolvedores.

Endereços vulneráveis: 25% dos BTC expostos

Atualmente, estima-se que 5,2 milhões de bitcoins — o equivalente a mais de US$ 624 bilhões — estejam vinculados a endereços cuja chave pública já foi exposta. Isso inclui:

  • Moedas mineradas nos primórdios do Bitcoin (como as de Satoshi Nakamoto);
  • Endereços do tipo P2PK (Pay to Public Key), utilizados até 2010;
  • Endereços P2PKH e P2SH, que expõem a chave pública ao serem movimentados.

Esse volume representa aproximadamente 25% do fornecimento total de BTC. Um ataque quântico a essas chaves privadas poderia ter efeitos devastadores, tanto para os preços quanto para a confiança geral na segurança da rede.

A proposta dos desenvolvedores: três fases até o congelamento

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Imagem: tungtaechit / shutterstock.com

Apresentação de um novo BIP

Para evitar o cenário de pânico e perdas em massa, desenvolvedores propuseram um novo BIP denominado provisoriamente “Migração Pós-Quântica e Desativação de Assinaturas Legadas”. Ele complementa o BIP-360, que introduz o formato de endereço P2QRH, com resistência à computação quântica.

A proposta prevê três fases de transição:

Fase A: proibição de envio para endereços vulneráveis

  • Transações destinadas a endereços com criptografia legada (P2PK, P2PKH, etc.) seriam proibidas pela rede;
  • Isso aceleraria a adoção de endereços P2QRH com proteção quântica.

Fase B: congelamento de UTXOs inseguros

  • Após cerca de cinco anos da ativação da Fase A, transações assinadas com criptografia ECDSA/Schnorr seriam rejeitadas;
  • Na prática, fundos não migrados seriam congelados, tornando-os inúteis para qualquer usuário — inclusive invasores.

Fase C (opcional): recuperação com provas criptográficas

  • Em discussão futura, um BIP separado poderá permitir a recuperação dos fundos congelados via provas de conhecimento zero (ZK-proofs), comprovando a posse da seed BIP-39.

Objetivo: proteção preventiva contra ataques inevitáveis

Os desenvolvedores defendem que essa medida evitaria grandes despejos de bitcoins no mercado, caso ocorresse um ataque quântico de larga escala. Isso protegeria a estabilidade de preços e evitaria falências em massa de corretoras, custodians e instituições financeiras.

“Um ataque quântico poderia falir corretoras da noite para o dia”, alertam os autores da proposta.

O impacto econômico e ideológico da proposta

Ideologia em conflito: liberdade vs segurança

Apesar do argumento econômico, a proposta divide opiniões. Parte da comunidade considera que congelar moedas é um atentado à filosofia original do Bitcoin, baseada na imutabilidade e resistência à censura.

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Afinal, mesmo que essas moedas estejam em risco, a ideia de intervir no saldo alheio — ainda que por segurança — gera um dilema ético.

Mineradores: nova esperança de receita

A migração para endereços pós-quânticos traria uma vantagem adicional para os mineradores. As assinaturas pós-quânticas são cerca de 20 vezes maiores do que as atuais, aumentando significativamente o tamanho das transações.

Com mais bytes por transação, a competição por espaço nos blocos se intensificaria, elevando as taxas pagas pelos usuários e criando uma nova fonte de receita para os mineradores, que estão cada vez mais pressionados pela redução das recompensas de bloco (halvings).

Usuários: custo e usabilidade em jogo

Por outro lado, os usuários finais sofreriam as consequências. Transações mais pesadas aumentam o custo por transação e reduzem a capacidade de cada bloco.

Se a migração para endereços P2QRH for generalizada, é possível que a comunidade volte a discutir o tamanho dos blocos — um dos temas mais polêmicos da história do Bitcoin, que gerou o hard fork do Bitcoin Cash em 2017.

O que os investidores devem fazer agora?

Nada é definitivo — mas é bom acompanhar

Neste momento, nenhum dos BIPs foi aprovado. Os prazos são longos, com a Fase B prevista para acontecer apenas cinco anos após a ativação da Fase A. Portanto, não há motivo para pânico.

No entanto, é fundamental que os investidores:

  • Acompanhem as discussões nos repositórios oficiais do Bitcoin;
  • Evitem golpes baseados em medo sobre a “ameaça quântica”;
  • Mantenham suas carteiras atualizadas, prontas para suportar novos formatos de endereço futuramente.

Conclusão: um alerta, não um apocalipse

Ethereum
Imagem: Creativan / shutterstock

A proposta de congelamento de 25% dos bitcoins é uma resposta preventiva a uma ameaça real, mas ainda distante. O debate que ela provoca é valioso, pois traz à tona a necessidade de evoluir a infraestrutura de segurança do Bitcoin para o futuro.

Resta saber se a comunidade está disposta a abrir mão da imutabilidade em nome da sobrevivência. E, sobretudo, se a ideologia libertária que moldou o Bitcoin conseguirá conviver com as exigências de um mundo onde a computação quântica é uma realidade.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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