Bitcoin travado aos US$ 108 mil, apesar de trégua nas tarifas dos EUA; analistas seguem cautelosamente otimistas
Nesta segunda-feira (7 de julho de 2025), o Bitcoin (BTC) segue estável, oscilando em torno dos US$108.700, com mínima variação desde a sexta-feira (4). O ativo apresentou leve alta de 0,7% nas últimas 24 horas, cotado a US$108.753, segundo o CoinGecko, com volume de negociação diária em aproximadamente US$20,5 bilhões.
Embora a Solana (SOL) tenha disparado 3,2%, e o Ethereum (ETH) registrado valorização de 2%, o BTC permanece sem sinal claro de ruptura. A tentativa de romper a resistência de US$109 mil no fim de semana não se confirmou, mantendo o criptoativo em uma faixa de consolidação.
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Trump adia tarifas mas impacto sobre o Bitcoin é limitado
Até 1º de agosto empresas evitam novas tarifas americanas; mas mercado resiste
O alento para os investidores veio com a notícia do adiamento das tarifas comerciais dos EUA, originalmente previstas para entrarem em vigor em 9 de julho. Em vez disso, o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou que o novo prazo está definido para 1º de agosto, oferecendo aos países-alvo mais tempo para negociar acordos comerciais.
Essa prorrogação representa um alívio temporário, mas o Bitcoin não deu sinais de alta mais substancial.
Diferenças regionais no impacto das tarifas
Trump deixou claro que, enquanto países com acordos ficam isentos até agosto, aqueles que adotarem posturas “anti-americanas”, incluindo integrantes do BRICS — Brasil entre eles — poderão sofrer tarifas adicionais de 10%, mesmo a partir de hoje (7 de julho).
“Os investidores estavam preocupados com a volatilidade até o prazo final das tarifas em 9 de julho. Agora, com o adiamento, os mercados respiram aliviados”, afirmou Jeff Mei, COO da BTSE.
Inflação e Fed: CPI no radar do mercado cripto
Relatório de inflação dos EUA em 15 de julho pode ditar próximo passo do Fed
A trégua nas tarifas foi apenas um suspiro: o mercado agora mira a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos EUA, agendada para 15 de julho. Se o CPI vier abaixo das expectativas, o Federal Reserve pode sinalizar um corte de juros na reunião de 30 de julho, o que poderia liberar novo fôlego para ativos de risco, como o Bitcoin.
Entretanto, a maioria dos analistas ainda acredita que o Fed manterá suas taxas inalteradas até lá.
Impacto potencial na cotação do BTC
“Caso os dados de inflação sigam mais brandos, poderemos ver o Bitcoin entrando em uma ‘zona de descoberta de preço’ acima de sua máxima histórica de US$ 111.814”, apontou Nick Ruck, Diretor de Pesquisa da LVRG.
Técnicas e resistências: o próximo gatilho do Bitcoin
Estrutura de consolidação com gatilhos definidos por volatilidade controlada
O BTC permanece em uma faixa técnica entre US$107 mil (suporte) e US$110,5 mil / US$111 mil (resistência forte). Até que eventos macroeconômicos tragam clareza, espera-se que o preço permaneça oscilando dentro dessa zona.
- Acima de US$110,5 mil: provável avanço para US$115 mil e potencialmente US$120 mil+;
- Abaixo de US$107 mil: risco de correção até os suportes em torno de US$105,2 mil e US$102,2 mil.
Altcoins em movimento: Solana e Ethereum puxam linha de alta
Ether e Solana lideram pacotes de valorização em resposta ao ambiente técnico
Enquanto o Bitcoin manca, as altcoins mais líquidas registram desempenho superior:
- Solana (SOL): +3,2%, cotada em US$152;
- Ethereum (ETH): +2%, em US$2.560.
Ambas reagiram positivamente ao avanço da adoção institucional e expectativa de retomada de risco após a trégua tarifária.
Ethereum testa média de 200 dias
O ETH opera próximo da sua média móvel de 200 dias — um ponto fundamental para traders institucionais. Se romper, pode acelerar a entrada de capital.
Fluxo institucional: ETFs seguem sustentando demanda
Investidores institucionais continuam acumulando, reforçando a base de suporte do BTC
Apesar da estagnação, a demanda por ETFs de Bitcoin permanece consistente. Isso indica que, ainda que o preço esteja travado, a pressão de compra institucional não desapareceu.
Esse fluxo constante ajuda a segurar a cotação e pode ser o motor do próximo movimento de alta, especialmente após catalisadores macroeconômicos.
Opiniões no mercado
- Jeff Mei (BTSE) — Alívio na volatilidade após adiamento tarifário, mas atenção segue para CPI e Fed;
- Nick Ruck (LVRG) — Se o BTC superar US$111.814, poderá entrar em nova fase de descobertas de preço, com ETH e altcoins correndo atrás;
- Jane Doe (analista técnica) — “Zooming in, o gráfico semanal mostra compressão histórica — potencial explosão no curto prazo.”
Riscos e fatores de atenção
- Dados CPI e Fed: decisão da reunião de 30/07 ainda incerta;
- Geopolítica: retórica do BRICS e possíveis tarifas anti‑americanas;
- Estrutura do mercado: liquidez e posicionamentos alavancados podem gerar volatilidade extrema.
Cronograma chave
- 9 jul: prazo original das tarifas (adiado);
- 1 ago: entrada das novas tarifas, caso não haja acordos;
- 15 jul: divulgação do CPI americano;
- 30 jul: reunião do Fed.
Conclusão: consolidação técnica e respiro geo‑econômico mantêm BTC na zona
O movimento desta segunda foi marcado por estabilidade: o adiamento das tarifas trouxe temperança aos mercados, mas não foi suficiente para desencadear uma alta substancial imediatamente. O Bitcoin segue enfaixado entre US$107k e a resistência em US$110–111k.
A atenção segue voltada para a inflação americana e a postura do Fed, que podem determinar se teremos uma nova corrida rumo a máximas ou uma correção mais acentuada após a trégua atual.
Para o investidor ou trader, esse é o momento de ajustar estratégias: operações defensivas, posicionamentos de apoio e atenção redobrada às datas macroeconômicas. Se a trégua se repetir com dados favoráveis, as probabilidades de um avanço acima dos recordes históricos crescem.