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Crise entre Trump e Fed impulsiona Bitcoin, que atinge US$ 88,7 mil com entrada em ETFs

O Bitcoin dispara após entrada de US$ 489 milhões em ETFs e tensões políticas entre Donald Trump e o Federal Reserve. Especialistas apontam BTC como "ouro digital" em tempos de incerteza.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Baleia de Bitcoin

O Bitcoin (BTC) voltou a conquistar os holofotes do mercado financeiro global ao atingir a marca de US$ 88,7 mil nesta segunda-feira, 22 de abril.

O avanço representa uma valorização de 1,62% nas últimas 24 horas e acontece em meio a um fluxo de entrada líquida de US$ 489 milhões em ETFs (Exchange Traded Funds) à vista de BTC, além de um novo impasse político entre o presidente Donald Trump e o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos.

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O impacto dos ETFs no mercado de Bitcoin

Estratégia
Imagem: Vladimka Production / Shutterstock.com

A retomada do interesse por Bitcoin entre investidores institucionais ficou evidente entre os dias 16 e 22 de abril. Segundo a plataforma de dados cripto SosoValue, ETFs à vista de BTC — que permitem exposição direta ao ativo digital — registraram uma entrada líquida de quase meio bilhão de dólares.

Esse volume representa não apenas um suporte importante para os preços, mas também um termômetro da confiança institucional no ativo, especialmente após o recente halving do Bitcoin.

Como os ETFs funcionam e por que são importantes

Os ETFs à vista de Bitcoin funcionam como fundos negociados em bolsa que compram e armazenam Bitcoin real, refletindo diretamente o preço da criptomoeda. A aprovação e adoção desses fundos por grandes instituições financeiras, como BlackRock, Fidelity e Ark Invest, têm ajudado a legitimar o BTC como ativo financeiro de longo prazo.

Essa forma de exposição é atrativa para investidores tradicionais, pois elimina a necessidade de armazenar ou proteger diretamente as chaves privadas do BTC.

Halving reduz pressão vendedora dos mineradores

O halving é um evento programado na rede do Bitcoin que ocorre a cada quatro anos e reduz pela metade a recompensa paga aos mineradores por validar blocos de transações. Em abril de 2024, o Bitcoin passou por mais um desses eventos, cortando as recompensas de 6,25 para 3,125 BTC por bloco.

Com a recompensa reduzida, muitos mineradores precisam ajustar suas operações e reduzir a venda de BTC para cobrir custos operacionais, especialmente com a queda da rentabilidade no curto prazo. Isso provoca uma desaceleração na pressão vendedora sobre o mercado, contribuindo para uma tendência de valorização do ativo.

Especialistas da Bitget apontam que a recente alta do BTC, superando os US$ 87 mil, representa uma possível reversão de tendência técnica, sustentada justamente pela combinação entre menor oferta dos mineradores e forte entrada de capital por meio dos ETFs.

Tensões entre Donald Trump e o Fed elevam o apelo do Bitcoin

O cenário político norte-americano ganhou destaque nos últimos dias após declarações contundentes de Donald Trump. O ex-presidente acusou o atual chefe do Federal Reserve, Jerome Powell, de agir com viés político em favor dos democratas por não acelerar cortes na taxa básica de juros.

Segundo fontes da Casa Branca, Trump estaria inclusive avaliando se é possível encurtar o mandato de Powell, que vai até 2026. A possibilidade de interferência direta no banco central gerou preocupações sobre a independência do Fed.

Bitcoin se destaca como proteção contra riscos políticos

A tensão institucional nos EUA reacendeu o interesse por ativos considerados proteção contra instabilidade política e econômica. Entre eles, o Bitcoin tem se destacado como uma alternativa ao dólar, especialmente entre investidores mais sofisticados.

De acordo com analistas da Zaye Capital Markets, parte do recente fluxo de compra de BTC pode ser explicado pela busca por um ativo não soberano, imune à interferência política direta.

A Hashdex, gestora brasileira especializada em criptoativos, avalia que o comportamento dos investidores mostra que o Bitcoin está sendo cada vez mais tratado como uma versão moderna do ouro. Ou seja, um ativo escasso, descentralizado e resistente a censura — características altamente valorizadas em momentos de turbulência institucional.

Bitcoin e o contexto macroeconômico dos EUA

O Fed enfrenta atualmente o desafio de controlar a inflação sem sufocar a atividade econômica. Com os dados inflacionários ainda acima da meta, Powell tem optado por manter a taxa de juros elevada, o que vai de encontro ao desejo de Trump por uma política monetária mais branda em pleno ano eleitoral.

Essa dicotomia coloca o Bitcoin em evidência, pois ele tende a se beneficiar em ambos os cenários: seja como proteção contra inflação, seja como reserva de valor em um ambiente de incerteza política.

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Embora o Bitcoin mantenha, em certos momentos, uma correlação com ações de tecnologia (especialmente as chamadas “7 Magníficas”, como Apple, Microsoft e Amazon), ele tem demonstrado força própria ao reagir a variáveis macroeconômicas específicas, como prêmio de risco do Tesouro e expectativas de política monetária.

Expectativas futuras para o preço do Bitcoin

Com a entrada robusta de capital institucional, diminuição da pressão vendedora por parte dos mineradores e crescente instabilidade nos EUA, o cenário se mostra favorável à continuação da valorização do Bitcoin.

Especialistas projetam que o BTC pode superar seus recordes anteriores ao longo de 2025, principalmente se a narrativa de “ouro digital” continuar a ganhar espaço entre investidores institucionais e gestores de fundos.

Tecnicamente, o Bitcoin enfrenta uma resistência próxima aos US$ 90 mil. Caso supere essa barreira, analistas projetam alvos próximos de US$ 95 mil e até US$ 100 mil nas próximas semanas, caso o fluxo positivo de ETFs se mantenha.

Fatores de risco a serem monitorados

Apesar do otimismo, os investidores devem manter atenção a riscos como:

  • Regulação mais agressiva por parte da SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA);
  • Possível desaceleração do fluxo de entrada em ETFs;
  • Movimentos abruptos de venda por parte de mineradores ou grandes detentores (whales);
  • Volatilidade eleitoral nos EUA.

Considerações finais

Bitcoin
Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

O Bitcoin volta a ganhar tração no mercado global em um momento de confluência de fatores técnicos e geopolíticos. O fluxo recorde para ETFs à vista, a diminuição da oferta após o halving e as tensões entre Donald Trump e o Federal Reserve reforçam a atratividade do BTC como ativo não correlacionado e reserva de valor.

A narrativa de “ouro digital” continua a se fortalecer, especialmente à medida que investidores institucionais buscam alternativas ao dólar em meio a um ambiente de incerteza política e econômica. Se os fundamentos atuais se mantiverem, o Bitcoin pode estar apenas começando um novo ciclo de valorização que poderá levá-lo a novas máximas históricas.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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