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Bitcoin atinge US$ 94 mil e ultrapassa mercado de ações: o que explica a disparada da criptomoeda?

Bitcoin ultrapassa os US$ 94 mil e se torna o quinto maior ativo do mundo. Entenda o que impulsiona essa valorização histórica e o impacto nos mercados globais.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Bitcoin

Na manhã desta quarta-feira (23), o mercado de criptomoedas acordou em euforia. Após semanas de incertezas e correções nos preços, o Bitcoin (BTC) voltou a liderar os ganhos globais com uma valorização de mais de 5% em apenas 24 horas, superando a marca histórica de US$ 94 mil por unidade e consolidando-se como o quinto maior ativo do mundo em capitalização de mercado.

Segundo dados do CoinMarketCap, o BTC estava cotado a US$ 94.319 por volta das 10h (horário de Brasília), acumulando ganhos de 11,6% na semana. Esse desempenho contrastou com as perdas observadas nos principais índices acionários dos Estados Unidos, como o Nasdaq e o S&P 500.

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Fatores que impulsionaram o rali do Bitcoin

Robert Kiyosaki
Imagem: Arsenii Palivoda / shutterstock

Um dos principais catalisadores dessa disparada foi a mudança de tom do presidente dos EUA, Donald Trump. Após semanas de retórica agressiva, Trump suavizou sua postura em dois pontos críticos:

  • Relação com o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell: Trump, que vinha criticando Powell abertamente, negou rumores de que planejava substituí-lo, reforçando a continuidade na liderança da autoridade monetária norte-americana.
  • Política tarifária com a China: Trump também indicou uma revisão nas tarifas aplicadas ao país asiático, prometendo reduções “significativas”, embora sem eliminar completamente as alíquotas.

Essas sinalizações de moderação foram interpretadas como positivas pelos mercados, que vinham sendo pressionados por temores de uma nova escalada na guerra comercial sino-americana.

Declarações do Tesouro impulsionam sentimento positivo

Outro ponto que contribuiu para a melhora do humor dos investidores foram os comentários de Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA. Bessent declarou que uma guerra comercial prolongada com a China seria “insustentável” e destacou que há “avanços reais” nas negociações entre os dois países.

Essas falas ajudaram a reduzir a percepção de risco global e favoreceram ativos considerados alternativos ao dólar, como o ouro e o Bitcoin.

Bitcoin se destaca frente ao mercado tradicional

Desempenho superior ao de ações e índices

Enquanto os principais índices da bolsa americana recuaram — o Nasdaq caiu 2,7% e o S&P 500 acumula queda de 5,7% no mês —, o Bitcoin se destacou com um ganho mensal de 13,5%, reforçando seu status como alternativa aos ativos tradicionais.

Esse movimento de descorrelação com o mercado tradicional foi destacado por João Galhardo, analista da plataforma cripto Mynt (do BTG Pactual):

“Em meio às perdas nos principais índices acionários, o Bitcoin se destaca e reforça o crescente reconhecimento como reserva de valor digital.”

Rota de fuga em tempos incertos

Com a intensificação das tensões geopolíticas, as incertezas sobre a política monetária e a volatilidade nas bolsas, investidores institucionais e individuais buscam segurança em ativos que não dependem diretamente de governos ou bancos centrais. O Bitcoin tem sido um dos principais beneficiários desse movimento.

Impulso institucional: ETFs e fundos alavancam o mercado

Entradas líquidas bilionárias em ETFs de Bitcoin

A força do Bitcoin nos últimos dias não se deu apenas no mercado à vista. Os fundos de índice negociados em bolsa (ETFs) voltados para o BTC também registraram entradas líquidas impressionantes. Somente ontem, os ETFs de Bitcoin somaram US$ 936 milhões em compras líquidas, segundo dados do CoinShares.

Na semana, o total de entradas chega a US$ 1,2 bilhão, com 10 dos 11 ETFs originais apresentando fluxo positivo. Isso demonstra uma confiança disseminada e estruturada por parte dos investidores institucionais.

Destaques entre os ETFs:

  • ARKB (Ark Invest): US$ 267,1 milhões em entradas líquidas
  • FBTC (Fidelity): US$ 253,8 milhões
  • IBIT (BlackRock): US$ 193,5 milhões

Participação institucional ganha robustez

O aumento das entradas em ETFs reforça o papel institucional no crescimento do mercado cripto. Grandes gestoras, como BlackRock e Fidelity, agora são peças-chave na sustentação dos preços do Bitcoin, funcionando como verdadeiros estabilizadores do mercado.

Altcoins acompanham o movimento

Embora o Bitcoin continue sendo o principal foco, outras criptomoedas de destaque também surfaram a onda de valorização:

  • Ether (ETH): valorização de 11,2%, cotado a US$ 1.815
  • XRP (Ripple): alta de 8,6%, negociado a US$ 2,29
  • Solana (SOL): avanço de 7,6%, cotado a US$ 153,18
  • BNB (Binance): subida de 1%, cotado a US$ 613,36

A movimentação positiva nas altcoins reforça a leitura de que o mercado como um todo voltou ao modo “risk-on”, com investidores dispostos a assumir mais risco diante de um cenário global mais estável.

Bitcoin como reserva de valor: narrativa ganha força

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Comparações com o ouro e desdolarização

O recente rali do Bitcoin também foi alimentado pela percepção crescente de que a criptomoeda pode funcionar como um “porto seguro” em tempos turbulentos — uma função historicamente desempenhada pelo ouro.

Com os Estados Unidos enfrentando déficit fiscal crescente e o dólar sendo pressionado no cenário global, o Bitcoin surge como alternativa para proteção de capital, especialmente em países emergentes e em meio a processos de desdolarização.

Comentários da Bitget reforçam tese

Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil, destaca:

“A narrativa de ‘porto seguro’ do Bitcoin ganha força com a retirada de capital de ativos dolarizados. Com entrada líquida de US$ 400 milhões em BTC nas últimas 24h, a busca por proteção está evidente.”

Impactos futuros e perspectivas para o mercado

A importância da estabilidade política e econômica

Para que a tendência de alta se consolide, analistas apontam que a manutenção de um ambiente político e econômico estável será crucial. A volatilidade do Bitcoin tende a se acentuar em momentos de incerteza institucional.

“A confirmação dos acordos comerciais e a continuidade da política monetária estável podem acionar o modo ‘risk-on’ definitivo do mercado cripto”, disse André Franco, CEO da Boost Research.

Olhar atento para novas políticas do Fed

Apesar do recuo de Trump, os próximos movimentos do Federal Reserve seguirão sendo monitorados de perto. Qualquer sinalização sobre mudanças nos juros pode afetar diretamente a atratividade de ativos alternativos como o Bitcoin.

Conclusão: Bitcoin em novo patamar?

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Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

A valorização do Bitcoin para mais de US$ 94 mil representa não apenas um novo recorde de preço, mas também um marco simbólico na consolidação do ativo como peça-chave do novo cenário macroeconômico global.

Seja como instrumento de proteção, veículo especulativo ou reserva de valor digital, o Bitcoin mostra, mais uma vez, que veio para ficar — e pode estar apenas começando uma nova fase de expansão.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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