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Bitcoin acende alerta de alta: sinais técnicos, CPI nos EUA e varejo ausente moldam semana decisiva

O Bitcoin se aproxima de US$ 106 mil com sinais técnicos otimistas, dados do CPI nos EUA e uma ausência intrigante do varejo. Confira a análise completa da semana.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira7 min de leitura
Ethereum

O mercado de criptomoedas entra em uma semana crítica com o Bitcoin (BTC) ensaiando uma nova escalada rumo à descoberta de preços.

Após alcançar a máxima de US$ 105.706 na Bitstamp, o ativo mostra resiliência frente a uma combinação de fatores macroeconômicos, sinais técnicos e ausência do investidor varejista — um tripé que poderá definir o próximo grande movimento da criptomoeda.

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Contexto macro: semana do CPI dos EUA movimenta os mercados

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) e o Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos Estados Unidos, ambos referentes ao mês de abril, serão divulgados nesta semana.

Esses indicadores são cruciais para definir os rumos da política monetária do Federal Reserve (Fed) e, por consequência, impactam diretamente o apetite dos investidores por ativos de risco como o Bitcoin.

A expectativa em torno dos dados é elevada, especialmente após a manutenção das taxas de juros pelo Fed na semana anterior. Segundo a ferramenta FedWatch Tool da CME Group, a probabilidade de corte de juros em junho é inferior a 15%, enquanto para julho essa chance sobe para 50%.

Tensões comerciais e o fator Trump

Dólar
Imagem: Evan El-Amin/shutterstock.com

Paralelamente aos dados econômicos, o mercado segue atento à política comercial dos EUA. A expectativa por um posicionamento formal de Donald Trump sobre as tarifas com a China tem gerado movimentações antecipadas nos mercados financeiros.

Um eventual acordo entre as duas potências pode impulsionar o otimismo nos mercados, favorecendo ativos de risco como o BTC.

Incerteza como pano de fundo

Segundo a Mosaic Asset, empresa de análise de mercado, mesmo com sinais de alívio nas tensões comerciais, o cenário macroeconômico segue carente de catalisadores de alta consistentes.

A postura do Fed, ainda defensiva, reforça a tese de que os investidores precisam calibrar expectativas sobre cortes iminentes de juros.

Sinais técnicos apontam para retomada de tendência de alta

Um dos indicadores técnicos mais respeitados no mercado — o MACD (Moving Average Convergence Divergence) — emitiu um sinal de alta semanal semelhante ao registrado em outubro de 2024. À época, esse cruzamento antecipou uma expressiva valorização do Bitcoin.

De acordo com o trader conhecido como Moustache, este é “provavelmente o maior sinal técnico que o mercado pode oferecer no momento”. Em outras palavras, o padrão de outubro de 2024 está se repetindo, o que poderia sugerir uma nova fase de descoberta de preço.

Velas com pavios longos sinalizam indecisão

No gráfico horário, observou-se um comportamento típico de transição: múltiplas velas com “pavio longo”, sinalizando que o mercado está testando os limites superior e inferior de uma faixa de negociação. Isso indica que, embora os compradores estejam ativos, há resistência significativa nos níveis atuais.

O trader Daan Crypto Trades destacou que “qualquer pequena queda foi rapidamente comprada”, sugerindo uma forte demanda de base. Esse comportamento, segundo ele, precedeu anúncios importantes, o que reforça a tese de vazamentos e operações antecipadas.

Bitcoin tenta consolidar acima de US$ 104 mil

Apesar da valorização de quase 10% na semana passada e de ter atingido o maior nível desde janeiro, o BTC ainda não conseguiu romper de forma consistente a resistência em US$ 104.500. O fechamento semanal ficou em US$ 104.100 — próximo, mas ainda aquém do necessário para consolidar uma nova fase de alta.

O analista Rekt Capital observou que o Bitcoin precisa inverter esse nível de resistência para dar início à “Tendência de Alta de Descoberta de Preços 2”, conforme ele denominou. A falha em fazer isso pode resultar em uma correção ou lateralização antes de um novo impulso.

Divergência de alta pode se formar no RSI

Rekt Capital também chamou atenção para uma possível divergência de alta entre o RSI (Índice de Força Relativa) e a ação do preço.

Caso o RSI forme mínimas mais altas enquanto o preço forma mínimas mais baixas, isso pode sinalizar uma exaustão dos vendedores e um iminente retorno dos compradores.

Métricas on-chain alimentam otimismo — com alerta

De acordo com análise da CryptoQuant, mais de 98% do suprimento de BTC está atualmente em lucro. Historicamente, esse patamar costuma coincidir com topos macro de mercado, o que levanta dúvidas sobre uma possível “distribuição inteligente” por parte dos holders de longo prazo.

O analista Kripto Mevsimi alerta que os investidores que seguram BTC há mais de seis meses podem ver o retorno aos seis dígitos como uma oportunidade para reduzir exposição, enquanto os novos entrantes interpretam a alta como um sinal para “correr atrás do ativo”.

“Esse descompasso de sentimento entre veteranos e novatos pode provocar volatilidade”, escreveu Mevsimi no blog Quicktake da CryptoQuant.

Varejo ainda não voltou — e isso pode ser bom

Apesar da alta expressiva do Bitcoin nas últimas semanas, o índice de medo e ganância (Crypto Fear & Greed Index) não atingiu níveis extremos. Em 12 de maio, o índice marcava 70/100 — abaixo do pico recente de 72/100 registrado em abril, quando o BTC estava cotado a US$ 94 mil.

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Além disso, as buscas por “Bitcoin” no Google continuam próximas das mínimas de cinco anos, de acordo com o autor Vijay Selvam, do livro Principles of Bitcoin. Isso sugere que o varejo ainda está de fora do movimento atual — o que pode indicar que ainda há fôlego para novas altas antes que a euforia tome conta do mercado.

“O varejo nem sequer voltou desde 2020”, observou Selvam.

A psicologia do ciclo: entre euforia e realização

A análise mais recente da CryptoQuant indica que, por ora, a pressão de compra e de venda no mercado está equilibrada. Isso reduz o risco de uma realização abrupta de lucros, como costuma ocorrer nos momentos de euforia generalizada.

Por outro lado, com quase todos os investidores em lucro, o risco de realização técnica — quando os traders vendem para rebalancear carteiras ou garantir ganhos — continua à espreita.

O papel dos holders de longo prazo

Holders que compraram há mais de seis meses, conhecidos como long-term holders (LTHs), têm historicamente se comportado como “mãos firmes”.

No entanto, em fases onde a oferta em lucro ultrapassa 95%, há registro de realizações parciais — o que não significa necessariamente o fim do ciclo de alta, mas pode trazer volatilidade no curto prazo.

Expectativas para o curto e médio prazo

Bitcoin
Imagem: tungtaechit / shutterstock.com

No curto prazo, a zona entre US$ 105 mil e US$ 106 mil concentra forte liquidez de venda. Dados do CoinGlass mostram que há ordens relevantes posicionadas nesse intervalo, o que pode provocar oscilações de curto prazo antes de uma possível ruptura.

Alvo de US$ 150 mil segue no radar

No médio prazo, projeções otimistas mantêm alvos ambiciosos. Estimativas técnicas e macroeconômicas já consideram a possibilidade de o BTC alcançar US$ 150 mil ainda em junho, caso o rompimento de US$ 106 mil seja acompanhado por uma retomada do interesse varejista e por dados macroeconômicos favoráveis.

Considerações finais

O Bitcoin entra em uma semana decisiva com múltiplas variáveis em jogo: a divulgação do CPI e PPI dos EUA, a instabilidade nas relações comerciais com a China, sinais técnicos robustos e um varejo que ainda observa à distância.

A combinação entre otimismo cauteloso e ausência de euforia extrema cria um ambiente propício para um movimento sustentado de valorização. No entanto, a proximidade com as máximas históricas e o alto percentual de oferta em lucro exigem atenção redobrada.

Se o Bitcoin conseguir romper de forma convincente a faixa de US$ 106 mil, poderá dar início a uma nova fase de descoberta de preço. Caso contrário, o mercado pode retornar a uma fase de consolidação antes do próximo grande movimento.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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