Na manhã desta segunda-feira, 14 de julho de 2025, o Bitcoin (BTC) era negociado a US$ 121.900, com uma alta de 2,7% nas últimas 24 horas. A principal criptomoeda do mercado se mantém próxima de sua máxima histórica de US$ 123 mil, atingida recentemente, e segue impulsionada por uma dinâmica cada vez mais evidente: os holders não estão vendendo.
Holders se recusam a vender e pressionam oferta: Bitcoin se mantém acima de US$ 121 mil e pode renovar recordes
Com holders relutando em vender, o Bitcoin mantém-se acima de US$ 121 mil e pode renovar recordes. Entenda como a retenção de oferta está moldando o mercado cripto.
Dados da Glassnode, empresa especializada em análise on-chain, indicam que os detentores de longo prazo continuam acumulando BTC em um ritmo superior ao da emissão mensal pelos mineradores. Essa retenção está pressionando a oferta de forma inédita e pode catalisar novas altas no curto prazo.
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Oferta encolhe e compradores ganham força
Segundo análise publicada pela Glassnode na rede X (antigo Twitter), os detentores de longo prazo – aqueles que mantêm seus Bitcoins por mais de 155 dias – estão absorvendo mais BTC por mês do que o que é emitido pelos mineradores.
- BTC absorvido por carteiras com até 100 BTC: US$ 2,359 bilhões/mês;
- BTC minerado mensalmente: US$ 1,638 bilhão.
Essa discrepância entre absorção e emissão cria uma pressão de compra estrutural, impulsionando o preço mesmo em meio a turbulências nos mercados tradicionais.
Saldo de BTC nas exchanges atinge mínimas históricas
Outro dado relevante é a queda acentuada no saldo de BTC mantido em exchanges, um fenômeno que virou até “meme” entre analistas, segundo a própria Glassnode. Isso indica uma tendência de autocustódia por parte dos investidores, que preferem guardar seus criptoativos em carteiras próprias do que em corretoras.
“Embora o saldo em exchanges esteja baixo, a escassez é real: os holders estão absorvendo mais do que os mineradores emitem. É aí que a pressão realmente aumenta”, comentou a empresa.
Rali do BTC avança mesmo com queda em bolsas globais

O movimento altista do BTC está cada vez mais descorrelacionado dos principais índices acionários dos EUA. Na última sexta-feira (11), tanto o S&P 500 (-0,33%) quanto o Nasdaq (-0,22%) fecharam em queda, pressionados pela escalada protecionista de Donald Trump.
O presidente norte-americano anunciou uma nova rodada de tarifas alfandegárias contra países como Brasil, Canadá e membros da União Europeia, com vigência prevista para 1º de agosto. A medida acirrou as tensões comerciais globais e impactou os mercados tradicionais — mas não freou o Bitcoin.
Trump e as tarifas: fator de instabilidade para ativos convencionais
A imposição de tarifas vem provocando reações diplomáticas e reuniões emergenciais na Europa, especialmente entre os ministros do Comércio da UE.
A insegurança em relação ao comércio global tem impulsionado o fluxo de capital para ativos escassos e descentralizados, como o BTC, que se apresenta como proteção contra políticas monetárias e comerciais intervencionistas.
ETFs reforçam narrativa institucional
Fundos de Bitcoin e Ethereum registram forte entrada de capital
No mesmo dia em que os mercados tradicionais hesitaram, os ETFs (fundos negociados em bolsa) dos EUA focados em Bitcoin e Ethereum registraram movimentos expressivos de compra:
- ETFs de Bitcoin: +US$ 1,03 bilhão em entradas líquidas;
- ETFs de Ethereum: +US$ 204,82 milhões.
Os dados reforçam que o apetite institucional permanece firme, sustentando o atual rali e contribuindo para a escassez de oferta.
Empresas reforçam tesourarias em BTC
Segundo a SoSoValue, as 21 empresas com maiores reservas de Bitcoin adicionaram, juntas, mais de 1.352 BTC na última semana. O movimento sugere uma continuidade na adoção corporativa de Bitcoin como ativo estratégico, em linha com a estratégia iniciada por empresas como MicroStrategy e Tesla.
Métricas on-chain indicam que rali pode continuar
De acordo com a Glassnode, o indicador Net Unrealized Profit/Loss (NUPL) – que mede o lucro ou prejuízo líquido não realizado de uma determinada classe de investidores – está em 0,69, abaixo da zona de euforia (0,75).
No ciclo atual, o NUPL de detentores de longo prazo só ficou acima da zona de euforia por cerca de 30 dias, comparado a 228 dias no ciclo anterior (2020–2021). Isso sugere que ainda há espaço para valorização antes de uma correção estrutural.
“Os dados mostram que mesmo com a nova máxima, ainda não atingimos os níveis extremos de ganância que historicamente precedem correções profundas”, destacou a análise.
Comportamento das “mãos fortes” sustenta o mercado
As chamadas “mãos fortes”, ou seja, investidores que mantêm seus ativos mesmo durante quedas, estão demonstrando resiliência. Segundo dados da Glassnode:
- Detentores com mais de 6 meses ainda mantêm seus BTC;
- A média de idade das moedas movimentadas está caindo, indicando que os novos entrantes estão sendo mais ativos do que os veteranos, que permanecem estáticos.
Esse comportamento sustenta o preço e reduz a volatilidade negativa, ao passo que a maior parte da oferta permanece em carteiras frias ou de autocustódia.
O papel das carteiras menores na dinâmica de compra
“Camarões” e “caranguejos” estão acumulando
Além dos grandes detentores, o relatório da Glassnode detalha a atividade de carteiras classificadas como:
- Camarões: < 1 BTC;
- Caranguejos: 1 a 10 BTC;
- Peixes: 10 a 100 BTC.
Essas carteiras menores, tradicionalmente mais afetadas por variações de mercado, estão aumentando suas participações, absorvendo coletivamente mais BTC do que os mineradores conseguem emitir. Isso representa um sinal claro de confiança na continuidade do ciclo de alta.
Acumulação por parte da base sugere saúde do mercado
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A consolidação de BTC em carteiras menores sugere que a distribuição de riqueza cripto está mais descentralizada do que nos ciclos anteriores. Com maior número de investidores pequenos acumulando, o risco de grandes despejos se torna menor, reforçando a estabilidade do mercado.
Santiment: autocustódia cresce e reduz risco de colapso
Traders estão migrando para carteiras próprias
Outro dado relevante vem da plataforma Santiment, que observou um aumento expressivo na autocustódia de BTC nas últimas semanas. Isso significa que traders e holders estão movendo seus ativos para carteiras privadas, fora das exchanges.
Essa prática:
- Reduz o risco de colapsos de corretoras;
- Aumenta a confiança no ativo como reserva de valor;
- Contribui para a escassez de oferta circulante.
Essa migração é particularmente significativa após os escândalos envolvendo FTX e Celsius em ciclos anteriores, que reforçaram a importância da autocustódia para segurança patrimonial.
Bitcoin pode atingir novos recordes ainda em julho?

Com base nos dados técnicos e comportamentais dos investidores, muitos analistas acreditam que o Bitcoin tem espaço para avançar até US$ 130 mil nas próximas semanas.
As zonas de resistência imediata estão em:
- US$ 123 mil (máxima anterior);
- US$ 125.200 a US$ 127 mil (zonas de liquidação identificadas pela Bitunix).
Já o suporte técnico principal permanece em torno de US$ 118 mil, nível considerado “chave” por analistas para manter o viés comprador.
Indicadores técnicos acompanham fundamentos
O Índice de Força Relativa (RSI) permanece alto, mas não em níveis extremos. Isso sugere força no movimento de alta, sem sinais imediatos de sobrecompra exacerbada.
A média móvel de 20 dias segue em tendência ascendente, e o volume médio diário ainda está acima da média histórica de 2021, o que reforça a solidez do momento atual.
Conclusão: Holders moldam novo ciclo com retenção de oferta e autocustódia

O cenário atual do mercado de Bitcoin é marcado por uma oferta em queda, acúmulo constante e fluxo institucional crescente. Os detentores de longo prazo estão relutando em vender, absorvendo mais do que os mineradores conseguem gerar e reduzindo drasticamente a liquidez do ativo.
Com ETFs em ascensão, empresas reforçando suas reservas, e carteiras menores entrando no jogo com força, o Bitcoin encontra suporte estrutural robusto para continuar sua trajetória ascendente.
Se o comportamento atual dos holders se mantiver, e se a pressão compradora continuar superando a oferta disponível, novos recordes poderão ser alcançados ainda em julho. Para os investidores, o momento exige atenção redobrada — mas também representa uma oportunidade histórica.
