O Bitcoin (BTC) volta a ser o centro das atenções no mercado cripto após uma sequência atípica de movimentações em sua rede on-chain. Segundo dados recentes da CryptoQuant e Glassnode, mais de 15 mil BTC foram vendidos com prejuízo nos últimos dias por detentores de curto prazo — conhecidos no jargão do mercado como “mãos fracas”.
Bitcoin sob pressão: “mãos fracas” vendem 15 mil BTC com prejuízo e preço pode testar suporte abaixo de US$ 100 mil
Com mais de 15 mil BTC vendidos com prejuízo por mãos fracas, o Bitcoin pode testar suportes abaixo de US$ 100 mil. Análise on-chain mostra transição.
Esse comportamento levanta preocupações sobre a possível quebra do suporte psicológico dos US$ 100 mil, especialmente diante de um cenário de baixa demanda compradora e alta sensibilidade a fatores macroeconômicos e geopolíticos.
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O que são as “mãos fracas” e por que estão vendendo?
No universo das criptomoedas, o termo “mãos fracas” refere-se aos detentores de curto prazo (Short-Term Holders – STHs), que frequentemente entram no mercado durante períodos de alta e saem às pressas nas primeiras quedas.
Essa classe de investidores é notoriamente reativa e tende a realizar prejuízos de forma recorrente, pressionando o preço negativamente.
Nos últimos dias, o comportamento dos STHs chamou atenção:
- Segunda-feira: cerca de 959 BTC foram transferidos para exchanges com prejuízo;
- Quarta-feira: o número subiu para impressionantes 16.700 BTC, coincidindo com a queda do preço de US$ 106.500 para US$ 103.500.
Essa sequência reflete uma capitulação de curto prazo, fenômeno em que investidores vendem mesmo com perdas, temendo quedas maiores.
Transferência de BTC para “mãos fortes”: uma dinâmica cíclica

Apesar da pressão negativa gerada pelas mãos fracas, o mercado demonstra um mecanismo de autocorreção: à medida que os STHs liquidam suas posições, detentores de longo prazo (Long-Term Holders – LTHs) entram em cena e absorvem o BTC ofertado com desconto.
Essa transição é fundamental para a estabilidade do ecossistema. Segundo o gráfico de mudança líquida de posição entre STHs e LTHs, divulgado pela Glassnode:
“Grande parte dos Bitcoins vendidos nas últimas semanas foi rapidamente absorvida por mãos fortes, o que cria um piso de mercado mais robusto e menos sensível à volatilidade de curto prazo.”
Em outras palavras, quanto mais os STHs vendem, mais o BTC vai para carteiras de detentores com perfil de longo prazo, diminuindo a pressão vendedora futura.
Bitcoin no “ponto cego” do mercado
De acordo com a plataforma de análise Swissblock, o Bitcoin navega atualmente em um “ponto cego” de mercado, onde a atividade de compra à vista permanece fraca, mesmo após tentativas de recuperação do preço.
O delta de volume à vista, indicador que mede a diferença entre ordens de compra e venda, apresenta valores negativos desde o início de junho, sugerindo que a recuperação recente do BTC não foi sustentada por demanda real, mas sim por redução temporária da pressão vendedora.
“A ausência de compradores ativos indica que o movimento atual pode ser insustentável sem a entrada de novo capital no mercado”, alerta o relatório.
Análise técnica: Bitcoin pode cair abaixo de US$ 100 mil?
Do ponto de vista técnico, o cenário atual mostra o Bitcoin em uma zona de indecisão, com riscos reais de uma nova queda caso não haja reação compradora significativa. A base de custo dos detentores de curto prazo, segundo a CryptoQuant, está entre US$ 97.000 e US$ 94.000 — região considerada faixa de suporte técnico e psicológico.
Essa área coincide com:
- Uma lacuna de valor justo (Fair Value Gap – FVG) deixada em maio;
- Um bloco de ordens diário, que atuou como suporte no ciclo anterior;
- Pontos de liquidação de contratos futuros, elevando o risco de movimentos rápidos.
Caso o BTC perca o suporte dos US$ 100.000, é provável que haja liquidações automáticas e vendas adicionais, levando o preço a testar esses patamares inferiores antes de uma nova tentativa de alta.
O que dizem os indicadores on-chain?
Os principais indicadores on-chain reforçam a leitura de que o mercado está atravessando um momento de transição. Veja os destaques:
Spent Output Profit Ratio (SOPR)
- Indicador abaixo de 1 sugere que os Bitcoins estão sendo vendidos com prejuízo;
- Sinal de capitulação parcial de curto prazo.
Métricas de Realized Loss
- Realizações de perdas aumentaram significativamente nas últimas 72 horas;
- Maior parte associada a STHs.
Stablecoin Supply Ratio (SSR)
- Ainda elevado, indicando que há capital em stablecoins à espera de oportunidade;
- Pode ser um gatilho para recuperação caso haja mudança de sentimento.
Supply em Exchanges
- Leve aumento no BTC disponível em corretoras;
- Pode sinalizar preparação para mais vendas, ou então simples reposicionamento de carteiras.
O contexto macroeconômico amplia a cautela
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Além dos fatores internos do mercado cripto, o cenário global também pesa. A tensão geopolítica entre Israel e Irã, com risco de escalada militar, eleva a percepção de risco e freia a entrada de capital em ativos voláteis, como as criptomoedas.
Ao mesmo tempo, os investidores acompanham com atenção a aproximação da próxima reunião do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto) nos EUA. O tom adotado pelo Federal Reserve sobre juros pode influenciar fortemente os ativos de risco, especialmente se houver indicação de manutenção ou alta prolongada das taxas.
Estratégias de curto prazo: o que observar?
Nos próximos dias, o Bitcoin terá de enfrentar diversos desafios, e os analistas recomendam observar os seguintes fatores:
Faixas de suporte
- US$ 100.000 (psicológico)
- US$ 97.000 a US$ 94.000 (on-chain)
Volume comprador
- Aumento de volume à vista pode indicar reversão;
- Ausência de compradores sugere continuação da pressão vendedora.
Comportamento dos STHs
- Diminuição de saídas com prejuízo pode sinalizar exaustão da venda;
- Manutenção da pressão pode abrir espaço para quedas mais acentuadas.
Entrada de capital institucional
- Fluxos de ETFs de Bitcoin e movimentações de grandes carteiras serão cruciais;
- Interrupção de saques por instituições pode indicar estabilização.
Oportunidade ou armadilha?
Para investidores experientes, momentos de queda provocados por vendas de pânico, como as registradas por STHs, podem representar excelentes oportunidades de compra — desde que acompanhadas por sinais de estabilização técnica e fundamental.
No entanto, o atual ambiente exige disciplina e avaliação criteriosa. A ausência de volume comprador e o risco geopolítico tornam o cenário volátil, e uma estratégia de entrada gradual (DCA – Dollar Cost Averaging) pode ser mais prudente neste momento.
Conclusão: BTC em zona de fragilidade, mas com potencial de recuperação

O Bitcoin encontra-se em território técnico e psicológico delicado, pressionado por vendas de curto prazo e ausência de força compradora consistente. A venda de 15 mil BTC com prejuízo por mãos fracas pode ter criado as condições para uma nova base de suporte — mas apenas se houver absorção suficiente por mãos fortes e retomada da demanda institucional.
A faixa entre US$ 94.000 e US$ 97.000 será decisiva. Se houver reação positiva neste patamar, o mercado pode consolidar um fundo local e iniciar novo ciclo de alta. Se rompido, o Bitcoin pode enfrentar um período de retração mais prolongado, até que novos fatores restabeleçam a confiança dos investidores.
