Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Bitcoin atinge menor volatilidade em quase uma década: estaria se consolidando como ativo de reserva global?

O Bitcoin atingiu seu menor nível de volatilidade desde 2015, levantando debates sobre seu papel como ativo de reserva global. Entenda o que impulsiona essa estabilidade.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
bitcoin

A oscilação histórica do Bitcoin (BTC), marcada por picos e quedas abruptas, sempre foi um dos maiores desafios para que a criptomoeda fosse reconhecida como ativo de reserva de valor.

No entanto, dados recentes apontam uma mudança significativa: em agosto, o BTC registrou seu menor nível de volatilidade desde janeiro de 2015, sinalizando um amadurecimento do mercado e levantando novas discussões sobre o futuro do ativo.

Segundo a consultoria Elos Ayta, a variação de preços do Bitcoin caiu para abaixo dos 40 pontos, algo inédito nos últimos nove anos. Em períodos anteriores, o índice de volatilidade oscilava entre 90 e 40 pontos.

Essa redução coincide com a crescente entrada de investidores institucionais, a expansão dos ETFs de Bitcoin à vista e o fortalecimento da capitalização de mercado da criptomoeda.

Leia mais:

Filhos de Trump miram Ásia para acumular Bitcoin e expandir tesouraria cripto

A queda da volatilidade do Bitcoin: um marco histórico

O que significa baixa volatilidade no Bitcoin?

Volatilidade é a medida que indica o grau de variação de preço de um ativo em determinado período. Quanto maior a volatilidade, mais instável é a percepção de risco do mercado.

Historicamente, o Bitcoin esteve entre os ativos mais voláteis do mundo. Desde sua criação, oscilações de 20% a 40% em poucos dias eram comuns. No entanto, com a maturidade do mercado e a entrada de grandes players institucionais, essa dinâmica começou a mudar.

De US$ 3,9 bilhões para US$ 2,4 trilhões

Atualmente, o valor de mercado do Bitcoin gira em torno de US$ 2,4 trilhões, de acordo com dados da CoinMarketCap. Há apenas dez anos, esse número era de modestos US$ 3,9 bilhões.

Isso representa um crescimento de 61.438% em capitalização — um salto que solidificou o BTC como um dos ativos financeiros mais relevantes do mundo.

Essa expansão cria uma espécie de “colchão” contra oscilações abruptas: quanto maior a liquidez e a base de investidores, menor tende a ser a volatilidade.

O papel dos ETFs e dos investidores institucionais

Bitcoin
Imagem: Creativan / shutterstock

ETFs de Bitcoin mudam o jogo

Um dos fatores que mais contribuíram para a redução da volatilidade foi a criação dos ETFs de Bitcoin à vista, listados em bolsas de Nova York. Desde o lançamento, esses fundos já captaram US$ 53,9 bilhões líquidos, reforçando a demanda institucional pela criptomoeda.

Esses veículos de investimento oferecem uma forma regulada e mais acessível para que investidores institucionais e individuais comprem Bitcoin, sem lidar diretamente com carteiras digitais ou custódia própria.

Investidores mais pacientes e profissionais

Como explica Fabrício Tota, diretor de novos negócios do MB, a base atual de investidores é mais “institucional e paciente”, com práticas de custódia profissional e uso do Bitcoin como colateral em operações financeiras.

Na prática, isso significa que o mercado está menos exposto a movimentos de pânico típicos de investidores de varejo, reduzindo a frequência de quedas abruptas ou altas exageradas.

Bitcoin pode ser considerado um ativo de reserva?

Reserva de valor e o caso dos EUA

Um dos maiores obstáculos para que o Bitcoin seja reconhecido como reserva de valor sempre foi a volatilidade. Mas esse cenário está mudando.

Em março, o presidente americano, Donald Trump, anunciou a criação de uma reserva estratégica de Bitcoin, formada por ativos detidos pelo governo federal em processos legais.

Embora o anúncio não tenha incluído compras diretas no mercado, ele foi interpretado como um marco: pela primeira vez, a maior economia do mundo reconheceu oficialmente o BTC como ativo estratégico, separando-o das demais criptomoedas.

Empresas também aderem

A iniciativa governamental foi acompanhada por movimentos corporativos. A Méliuz (CASH3), empresa brasileira de cashback, aprovou em março o investimento de até 10% do seu caixa em Bitcoin, com foco em retornos de longo prazo.

Essa estratégia ecoa o exemplo da MicroStrategy, que acumula bilhões em BTC como parte central de sua política financeira. Esses movimentos reforçam a visão do Bitcoin como uma espécie de “ouro digital”.

Desafios para o BTC como ativo de reserva

Apesar da evolução, especialistas alertam que o Bitcoin ainda não pode ser considerado plenamente um ativo de reserva.

Volatilidade ainda elevada

Segundo André Franco, analista de investimentos cripto e CEO da Boost Research, a volatilidade atual ainda é alta demais para consolidar o BTC como reserva global. Ele projeta que o cenário pode mudar até 2035, quando a nova geração de investidores terá maior participação na indústria.

Necessidade de maior adesão

Outro ponto crucial é a adoção institucional em massa. Embora ETFs e empresas já estejam entrando no mercado, ainda falta uma adesão global robusta para que o Bitcoin alcance o status definitivo de reserva de valor comparável ao ouro.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Perspectivas para o futuro do Bitcoin

O impacto da política monetária dos EUA

O futuro próximo do BTC segue atrelado ao cenário macroeconômico, principalmente às decisões do Federal Reserve (Fed).

Atualmente, os juros americanos estão entre 4,25% e 4,5% ao ano, o maior patamar em duas décadas. Caso o Fed sinalize cortes na taxa, espera-se uma migração de capital para ativos de maior risco, incluindo criptomoedas.

Por outro lado, uma postura mais rígida ou atrasos na flexibilização podem pressionar o Bitcoin e outras criptos.

O BTC em ciclos de longo prazo

Analistas acreditam que, mesmo com menor volatilidade, o BTC ainda passará por oscilações marcantes em ciclos ligados ao halving (evento que reduz a emissão de novas moedas a cada quatro anos).

No entanto, a tendência é de que essas oscilações sejam menos violentas conforme a base de investidores amadurece.

Bitcoin e ouro: rivais ou complementares?

Comparação inevitável

A comparação entre Bitcoin e ouro é inevitável quando se fala em reserva de valor. Ambos compartilham características como escassez e resistência à inflação monetária.

Enquanto o ouro possui uma história milenar como ativo de proteção, o Bitcoin apresenta a vantagem da portabilidade digital e da transparência via blockchain.

Complementaridade possível

Especialistas apontam que, em vez de substituir o ouro, o Bitcoin pode complementar as reservas globais, oferecendo uma nova camada de proteção contra riscos geopolíticos e cambiais.

Conclusão: o Bitcoin está pronto para ser reserva global?

Bitcoin hoje: preço alcança US$ 107 mil e alerta para zona técnica importante
Imagem: Seu Crédito Digital/Freepik

O recorde de baixa volatilidade marca um ponto de virada na trajetória do Bitcoin. O fortalecimento do mercado institucional, o crescimento dos ETFs e o reconhecimento por governos e empresas reforçam sua legitimidade.

Ainda assim, desafios permanecem: é preciso maior adesão global, queda ainda mais acentuada da volatilidade e clareza regulatória.

O futuro pode não ser imediato, mas especialistas acreditam que até 2035 o Bitcoin pode, de fato, consolidar-se como ativo de reserva global, rivalizando com o ouro e redefinindo o sistema financeiro internacional.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

Topicos relacionados