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Bitcoin entre o céu e o abismo: analistas divergem entre US$ 110 mil e queda para US$ 90 mil

Bitcoin volta a subir após compra da Tether e analistas divergem sobre o futuro da criptomoeda. Preço pode subir para US$ 110 mil ou recuar para US$ 90 mil.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira7 min de leitura
Bitcoin

Após atingir os US$ 104 mil nesta terça-feira (13), o Bitcoin (BTC) reacendeu um intenso debate entre especialistas do mercado. Enquanto uma parte dos analistas acredita que o ativo pode escalar até US$ 110 mil nos próximos dias, outra ala alerta para um risco de reversão que pode empurrar o preço para a zona dos US$ 90 mil.

O novo rali teve impulso direto da Tether, que anunciou a compra de mais de 4.812 Bitcoins por cerca de US$ 458 milhões. A aquisição ocorreu a um preço médio de US$ 95.300 e integra a estratégia da stablecoin em expandir sua presença no mercado por meio da recém-anunciada empresa de tesouraria focada em BTC, a Twenty One, em parceria com Jack Mallers, CEO da Strike.

Esse movimento estratégico trouxe novo fôlego aos touros e elevou o BTC em 3% em poucas horas. No entanto, o cenário ainda está longe de ser consenso. Entre zonas de resistência, indicadores técnicos sobrecomprados e padrões históricos, o mercado se divide entre otimismo cauteloso e alertas de correção iminente.

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Investopedia vê suporte firme como trampolim para os US$ 110 mil

Segundo um relatório publicado pela Investopedia, o Bitcoin segue respeitando uma tendência de alta sustentada dentro de um canal ascendente. Após a recente valorização, o ativo consolidou-se em torno dos US$ 103.500, zona que representa uma base de suporte importante.

“Se o suporte entre US$ 100 mil e US$ 101.500 continuar sólido, o mercado pode manter seu viés altista, mirando alvos entre US$ 105 mil e US$ 107 mil”, destaca a análise.

O estudo reforça que a manutenção desses patamares poderá abrir caminho para um avanço rumo à resistência dos US$ 110 mil. Essa marca, inclusive, já aparece nos gráficos de projeção de Fibonacci como próxima meta de expansão, considerando a última perna de alta iniciada em abril.

Possível queda para US$ 96 mil se suporte falhar

Contudo, o relatório também emite um alerta. Caso o suporte psicológico dos US$ 100 mil seja perdido, o BTC pode buscar níveis mais baixos, com suporte secundário em torno de US$ 96 mil.

Apesar disso, a análise conclui que o sentimento geral permanece positivo enquanto o preço se mantiver acima da linha de ruptura dos US$ 100 mil, que funcionou como um divisor de águas para o atual ciclo.

SashaWhyNot: Acumulação crescente lembra ciclos anteriores

Outro analista otimista é o conhecido especialista em blockchain e comportamento de mercado, SashaWhyNot. Em sua leitura, o atual momento do mercado é marcado por um retorno claro à fase de acumulação, o que historicamente antecede grandes ralis.

“Estamos vendo um padrão muito parecido com os ciclos de 2016–2017 e 2020–2021. Os detentores de longo prazo estão acumulando e evitando realizar lucros”, afirmou.

Sasha se refere ao indicador HODL Waves, que mostra aumento na proporção de moedas mantidas entre 6 a 12 meses e 1 a 2 anos — um forte sinal de confiança no longo prazo.

SOPR acima de 1 confirma mercado saudável

Outro dado destacado pelo analista é o SOPR (Spent Output Profit Ratio), que voltou a se manter acima de 1. Isso indica que as vendas de BTC estão ocorrendo com lucro, um sintoma positivo de que os participantes do mercado estão operando com racionalidade e confiança.

“Quando o SOPR se mantém consistentemente acima de 1, historicamente entramos em ciclos de crescimento. Isso reforça a possibilidade de novas altas”, complementa Sasha.

Entrada cautelosa de novos investidores

Sasha também observa que há um ingresso moderado de novos investidores no ecossistema, sem os excessos eufóricos de ciclos passados. Esse comportamento tende a dar mais estabilidade ao crescimento, oferecendo uma base sólida para o avanço de preços nos próximos meses.

Samyukhtha L KM: Sinais de exaustão no curto prazo

Na contramão do otimismo, a analista técnica Samyukhtha L KM faz uma leitura mais cautelosa do atual movimento. Para ela, o Bitcoin está se aproximando de uma zona crítica de resistência entre US$ 104 mil e US$ 105 mil. Sem um aumento expressivo no volume negociado, a criptomoeda pode ser rejeitada nesse patamar.

“Se o rompimento dos US$ 105 mil não vier acompanhado de forte volume comprador, há grande risco de consolidação ou recuo”, explica Samyukhtha.

RSI elevado e financiamento aquecido

Outro sinal de alerta destacado é o RSI (Índice de Força Relativa), que atualmente marca 74,46 — valor considerado sobrecomprado. Isso significa que o ativo pode estar esticado demais em relação ao seu desempenho médio recente, o que aumenta a probabilidade de uma correção técnica.

Além disso, a taxa de financiamento agregada, que representa o custo de manter posições alavancadas em derivativos, está em alta. Embora ainda não atinja níveis alarmantes de euforia, sua contínua elevação pode aumentar a volatilidade e trazer movimentos imprevisíveis.

“O mercado está otimista, mas um excesso de confiança pode gerar liquidações em cascata. Cautela é recomendada”, conclui.

Indicadores técnicos dividem especialistas

Strategy
Imagem: Michael Wensch / Domínio Público

O que dizem os principais indicadores?

MACD

O Moving Average Convergence Divergence (MACD) aponta cruzamento altista, mas com barras de histograma reduzindo a intensidade — um possível sinal de perda de momentum.

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RSI

Com o RSI próximo de 75, o ativo entra tecnicamente na zona de sobrecompra. Em ciclos anteriores, esse nível antecipou correções de 8% a 12%.

Volume

Apesar da alta recente, o volume agregado nas exchanges não acompanhou com a mesma intensidade. Isso pode sugerir falta de convicção no movimento ou hesitação por parte dos grandes players.

Fundamentos de longo prazo continuam sólidos

Mesmo com a divergência nas análises técnicas de curto prazo, o contexto macroeconômico e fundamental do Bitcoin segue favorável.

A adoção institucional aumenta, a escassez de emissão pós-halving continua pressionando a oferta e empresas como a Tether reforçam a confiança ao adicionar BTC em suas reservas.

Bitcoin como ativo de tesouraria

A criação da empresa de tesouraria “Twenty One” por parte da Tether e Jack Mallers é vista como um movimento institucionalizador para o Bitcoin.

A ideia é transformar o ativo em uma reserva de valor estratégica corporativa, o que pode se tornar tendência entre outras companhias que buscam proteção contra a inflação e desvalorização monetária.

E se o Bitcoin cair para US$ 90 mil?

Embora o cenário otimista esteja em voga, a hipótese de uma correção mais acentuada não pode ser descartada. Em caso de perda do suporte em US$ 100 mil, os níveis de US$ 96 mil e US$ 90 mil aparecem como alvos naturais.

A zona entre US$ 104 mil e US$ 105 mil já foi testada em março sem sucesso, o que pode indicar resistência psicológica. Se os grandes players decidirem realizar lucros agora, a pressão de venda pode se intensificar e empurrar o mercado de volta à casa dos US$ 90 mil, onde há suporte acumulado de ciclos anteriores.

Conclusão: entre a esperança e a prudência

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Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

O Bitcoin vive mais um momento decisivo de sua trajetória pós-halving. A disparada recente, impulsionada pela compra da Tether, acendeu o entusiasmo dos touros, mas os sinais técnicos indicam que o mercado ainda precisa de confirmações adicionais para romper resistências e alcançar os ambiciosos US$ 110 mil.

Para os investidores, o momento exige equilíbrio: reconhecer a força da tendência de alta sem ignorar os alertas de exaustão. Estratégias de gestão de risco, como stop-loss e alocações fracionadas, podem ser essenciais para navegar esse cenário de incerteza com inteligência.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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